Eles podem tudo. Eles são piores do que a máfia. Eles destroem relacionamentos, casamentos, empregos e fazem parte de uma rede medonha. Enfim: por mais que você não seja lá muito chegado numa bandeira vermelha, a visão que você vai ter dos comunistas se conseguir assistir ao filme I married a communist, filme americano dirigido por Robert Stevenson e lançado em 1949, é a pior possível.

"I married a communist": horror anti-comunista da Guerra Fria em um filme de 1949

I married a communist, na verdade, acabou não se tornando conhecido com este nome. O filme sofreu rejeição quando foi para os cinemas e acabou sendo reeditado como Woman on Pier 13, em 1950. O filme segue aquele velho modelo do casamento feliz ameaçado pelo comportamento obscuro de uma das partes, que apareceu até em histórias em quadrinhos dos Alcoólicos Anônimos (sim, isso existiu e já falamos disso).

Brad Collins (Robert Ryan) é um executivo de sucesso que se casa com Nan (Laraine Day) e esconde dela que tinha um “passado comunista”, da época em que ele vivia em Nova Jersey, trabalhava como estivador, usava codinome (Frank Johnson) e vivia envolvido em discussões políticas. Numa delas, matou um cara e fugiu para a Califórnia. Lá recomeçou sua vida, casou e enriqueceu.

O problema é que o tal passado de Johnson voltou, sob a forma de uma espiã sedutora e meio vampiresca. Christine (Janis Carter) é uma fotógrafa de moda que seduz e recruta homens para o comunismo (meu Deus, que horror!), e que inicia um relacionamento com o irmão de Nan. Depois disso começa uma trama em que fica (er) claro que o comunismo é pior que a máfia, com chantagens, agentes disfarçados, capitalistas gente fina, uma rede de infiltrados dentro de empresas e cenas de luta num mocó vermelho.

O filme não rendeu lá muita coisa e acabou, falamos lá em cima, sendo reeditado em 1950 como Woman on Pier 13. O trailer que você acha do filme no YouTube já é com o nome “novo”. Dizem que saiu até em DVD.