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Cultura Pop

Guilherme Arantes: “Meu próximo disco vai ser o meu ‘The Wall'”

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Vivendo desde 2019 em Ávila, cidade de pouco menos de 58 mil habitantes na Espanha, Guilherme Arantes já se prepara para voltar ao Brasil – possivelmente em julho, mês do seu aniversário de 68 anos. Foi para lá a princípio para se reciclar no piano e aproveitou para se isolar durante a pandemia. Além da saudade do Brasil, o motivo do retorno é o lançamento de um novo disco (o nome, ele não revela) que ele define como o seu The wall – a ópera-rock do Pink Floyd, lançada em 1979.

“Vou trazer de volta o meu lado progressivo, com músicas de nove minutos, umas coisas com primeira e segunda parte”, recorda Guilherme, que edita também uma espécie de making of do disco, incluindo imagens suas num auditório de Ávila e coisas que os músicos do disco (que gravaram à distância) mandaram. O álbum teve masterização do americano Howie Weinberg. “O cara que fez o disco Nevermind, do Nirvana. Ele me ligou e falou: ‘What the fuck? Que som lindo!’”, comemora.

Ele revela que muito do seu lado de fã de bandas como Dream Theatre e Iron Maiden também vai estar no álbum – recentemente ele revelou sua paixão pelo som do grupo de The number of the beast num post, e disse que “algo o chamava para se aproximar desse estilo”. Guilherme também vem dando uma de DJ no Facebook, postando músicas que gosta de ouvir e alguns clássicos – sua seleção inclui The Byrds, George Michael e Bjork.

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O autor de músicas como Planeta água começou a carreira solo em 1976 (após alguns anos no grupo progressivo Moto Perpétuo). Mas se considera bastante próximo da geração que veio com o rock nacional dos anos 1980. Defende inclusive que a geração de artistas como Paralamas do Sucesso, Blitz e Marina Lima deveria ganhar um lugar mais respeitável na história. “O movimento dos anos 1980 foi mais importante que a Jovem Guarda”, diz Guilherme, que conversou com o POP FANTASMA por chamada de vídeo.

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POP FANTASMA: Como estão as coisas aí na Espanha?

GUILHERME ARANTES: Estou em Ávila, é como se eu estivesse no interior de São Paulo, uma cidade tipo Jaú, com a roda dos velhinhos conversando. Eu vim para cá para estudar piano, barroco, fazer exercício, estudar partituras. Acabei tendo até uma inflamação na cervical. Já estou com 68 e o organismo reclama. Fiz um tratamento à base de medicamentos fortíssimos. Estou na base de uma terapia a base de injeções e está controlado. Mas às vezes volta e dói o braço todo, uma coisa horrorosa.

Teve um período em que eu fiquei realmente de cama, com muita dor. Ficava deitado por causa do peso da cabeça. E comecei a ler muitos livros. Principalmente sobre as histórias da música popular brasileira. Me deu vontade de entender como eu estava dentro desse processo, da minha origem. Onde a gente entra, onde entra minha geração, o hiato que houve com o AI-5, o ano de 1968, a história do (Wilson) Simonal, a história do jornalismo cultural brasileiro, a fabricação da opinião no Brasil.

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Fui me entender nessas alturas, aos 40 e tantos anos de carreira. Fiz um balanço e vi que estou no bônus. E estou fazendo um disco maravilhoso, com letras bem estruturadas. As leituras fizeram bem, deu um upgrade. Mas vou voltar ao Brasil e vou me expor a esse ambiente tóxico da realidade, a como está o Brasil hoje. Se eu estivesse no Brasil não estaria fazendo grande coisa. Moro na Bahia e iria estar no estúdio, tocando piano, ia ficar dentro de casa, porque show não tem. Houve um prejuízo muito grande. Vários artistas até estão em gestação, Marisa Monte, Caetano Veloso.

Aqui a cidade está em excitação pela volta da convivência, os bares, os restaurantes, porque é a região da carne. Está chegando o verão e a Espanha se prepara para receber dez milhões de ingleses, alemães, eles vêm para a Costa do Mediterrâneo. Só que não acabou a pandemia. Eu já até me vacinei, tomei duas vacinas da Pfizer. A gente se cadastrou ali no serviço, porque meu seguro-saúde é no Brasil, a gente tá descoberto. E enfim, não posso pegar essa merda.

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O disco já tem uma data para sair?

Eu faço aniversário dia 28 de julho, então deve sair fim de julho, começo de agosto. Várias vezes a gente saiu com coisas novas em agosto, que é um mês que as pessoas nem gostam porque é meio misterioso. Mas é uma data-limite, porque no segundo semestre já começa a escalada presidencial e o Brasil fica sem assunto. Nem sei como vai ser esse 2022. Não queremos entrar em 2022 sem ter lançado o disco porque o momento-janela é agora.

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Meus colegas não conseguem emplacar nada, o Brasil tá o país do desânimo, da catatonia, uma desproteção total. A sociedade se vê desprotegida, o estado é uma peste. Brasília parece que tem urucubaca. Antes era o Rio, isso não muda. Tem períodos em que você sente um mood positivo. Foi assim na época da bossa nova, no primeiro mandato do Lula. Mas parece que existe um sistema que leva tudo para o buraco. Procuro nem falar muito porque eu tô fora, tanto que nas redes quero sempre falar de música, propor coisas para as pessoas ampliarem o espectro emocional. Tenho esse handicap negativo, de estar fora desde 2019, alguém pode falar: “Ah, cala a boca e fica aí na Espanha…”

Mas isso como se você não tivesse liberdade de expressão de falar o que quiser sobre seu país, certo?

É, mas a raiva foi legitimada, já vem essa frase pronta: “Por que você não cala a boca? Você virou as costas para o Brasil!” Bom, eu assino todos os jornais, leio a direita, leio a esquerda. A informação que chega é uma informação processada, e iniciou-se um processo de solapar a imprensa. Aqui a gente vê uma TV de El Toro, que é de direita, e tem os debates do pessoal conservador. E tem uma TV da Andaluzia que é de outra linha.

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Agora, tem o detalhe que a Espanha é um país do agronegócio, um grande fazendão. E o Brasil tá a caminho disso, de ser um grande fazendão, excludente, onde o povo vai se amontoar nos quilômetros da cidade. Vai virar só um provedor de commodities. É um projeto desempregador, desagregador de emprego.

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Isso é bem a cara do Brasil faz tempo.

E a Espanha é um fazendão também, cidadezinhas esvaziadas, um bar, um mercadinho, um monte de casas. Tudo vazio, no meio de uma plantação de trigo. E essa plantação é multinacional, industrializada, trigo transgênico. Você não tem mais natureza, povo, tudo se transforma numa produção de agro indústria. E é um país pequeno, do tamanho da Bahia. Acho que boa parte da Europa se recupera da crise, mas o Brasil me preocupa pelos próximos cinco anos.

Você tem postado músicas no Facebook e volta e meia isso vira notícia. Como começou a fazer isso?

O que tem de mais legal, positivo, é falar do mundo que a gente pertence. Todo mundo tá se metendo a ser politizado, mas eu acho que através da música a gente existiu politicamente com muita força. Outro dia eu postei o Turn turn turn, dos Byrds, o I wasn’t born to follow (também do The Byrds) que é uma música do filme Easy rider, foi basal para mim. É a marca de uma geração que através da arte construiu um mundo novo.

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A indústria cultural do século 20 conseguiu mudar o mundo de várias maneiras, fazer as pessoas viverem melhor por terem um conteúdo emocional preenchido. Sinto falta disso, porque o mundo hoje está muito utilitário. Os gêneros hoje não trazem o sentimento. Não deslegitimo o funk, o sertanejo, mas são janelas de marketing que se basearam no utilitarismo, no coletivismo hedonista. E tem um movimento que é um neo-hippismo, influenciado pelo folk: Tiago Iorc, Anavitória, Melim, Vitor Kley, Ana Vilela…

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Você cantou Trem bala, da Ana Vilela, numa live, inclusive…

Ela é um manifesto de uma geração, uma música muito bonita e muito simples. Inclusive é interessante porque ela e a Anavitória nasceram de um Centro-Oeste de agronegócio onde tem o sertanejo predominante, mas ela é um movimento de uma juventude ávida por sentimento. É um manifesto anti-utilitário, de uma juventude que sente falta de sensibilidade, daquela coisa do interior, comfort food. Uma leveza do interior, do fogãozinho de lenha. O único componente que essa juventude não inclui é o LSD, né? Era um elemento revolucionário e a gente pegou isso em cheio na nossa geração.

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Nas minhas redes, a única coisa que eu não coloco são as predominantes na cultura de massa, a cultura de balada. A música baladeira tem uma proposta que é antirreflexiva, anti-individual, anti-sentimento. As pessoas se embrutecem. Isso ocorria também no rock, no show do Kiss, um lado tribal, que você propõe um rito. Minha filha mais nova ia nos shows do Wesley Safadão na Bahia, e era uma galera achando lindo se dissolver numa multidão emburrecida.

É gostoso emburrecer, parar de pensar, sentir, mas a música de balada foi caindo em qualidade. Teve o movimento disco que trouxe Donna Summer, Giorgio Moroder… Tinha uma estética musical elaborada, uma riqueza, mas era desse comportamento de se dissolver. A nossa geração também teve isso com as danceterias. Mas nossa geração foi muito boa para a música popular, para a juventude brasileira. Eu classifico o movimento dos anos 1980 como sendo mais importante do que a Jovem Guarda. Porque nós duramos. Paralamas durou, Titãs durou, Legião Urbana durou, até o Guilherme Arantes durou. Tocamos na vida das pessoas.

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Muita coisa da Jovem Guarda era vazia de letras, e eram versões na maior parte. Tinha muita coisa idiota, na nossa geração também teve. Mas fomos uma geração que deu Marina, Lulu, Ritchie… Um repertório vasto. Você não pode comparar Jovem Guarda com Paula Toller, com Marina, Herbert Vianna. Não vendemos aquela quantidade de disco da Jovem Guarda, mas nossa geração durou.

Mas entram coisas novas no seu Facebook.

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Sim, às vezes eu coloco o Letrux, o Vanguart. Eu gosto. São pessoas que estão procurando ainda esse espaço reflexivo, viajeiro na música. E acho que tem um movimento aí. Tem a turma do dub, do soundsystem, uma celebração, um rito, mas é diferente do baladão sertanejo, que se baseia numa vaidade, numa exibição de poder. As figuras do neosertanejo são de um se achar… Se acham maravilhosos. Imagina, você é um desses cantores que tocam todos os dias da semana para 40 mil pessoas a cada dia. No fim de semana você tocou para um milhão de pessoas. Você é muito mais importante que os Beatles!

Bom, vendo pelo público nos shows…

Os Beatles nunca tocaram para essa multidão. O cara se sente, ele sobre no palco e é uma figura ridiculamente histriônica. Bem diferente de ir num show da Madonna, ou da Dua Lipa. Eu morei uns meses em Londres e vi o Prince fazendo o show Diamonds and pearls. Fui no Earl’s Court ver o Prince e alucinei. Lembro que vi onze shows da turnê em vários pontos e a última vez comprei no gargarejo. Custou 600 libras a entrada. Vi Prince alguns metros distante de mim, a pedaleira com pele de carneiro. O cara era um esteta.

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E na Espanha, o que tem?

Aqui tem a coisa do reggaeton (imita a batida) que é o ritmo mais careta que se criou, pobre e chatérrimo. Eu não sei que graça tem, as pessoas tomam toda, todo mundo lindo de morrer, muito enfeitado, e vão lá dançar essa porcaria dessa música. Odeio essa música, muito mais que o sertanejo, o axé, o arrocha… Acho até o Safadão mais divertido que o J Balvin. Você teve recentemente o Despacito, do Luis Fonsi… A estrutura da música é a mesma harmonia do Forever young (do Alphaville), aquela harmonia que tantas vezes já foi denunciada (toca no piano). No fundo é algo mais comportamental do que musical. Os Beatles, Madonna, Led Zeppelin, são comportamentais mas não só isso. Outro dia mostrei meu lado que gosta de Iron Maiden. Isso causou bastante…

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Sim, muitos sites publicaram que você faria um disco de metal, inclusive.

Outro dia toquei no show do Edu Falaschi, há um ano mais ou menos participei de um DVD dele e fui tocar Redemption, do Angra. Uma música emblemática, belíssima. Fui super bem recebido, me senti em casa. Sempre tive preconceito com metal, achava uma coisa caricarta, mas ser caricato não é problema. The Cure é caricato, mas é lindo. Red Hot Chili Peppers também, Nirvana também. O mundo precisa desse guts que o rock propõe. As pessoas dizem que o rock é pouco ativista, ele é muito vítima de maledicência, mas o The Wall, do Pink Floyd, é um disco político. Aliás esse meu disco novo é o meu The wall.

Como assim?

É um disco para causar. Um disco abordando a truculência do mundo, já que convivemos com governos unidos com religião… Estamos vivendo a era das cruzadas. O mundo está cheio de ódio, de raiva, com esse potencial de explosão. Parece que a humanidade perdeu o rumo da globalização, da social democracia, da convivência.

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Musicalmente como vai ser?

Ele é progressivo, tem música de nove minutos, que é uma suíte tipo o Yes. É o Close to the edge do Guilherme. Tem canções amorosas que são o cardápio mais usual, instrumentos barrocos, arranjos de cordas super bem feitos. Cantei como nunca cantei na vida, fiz um coaching vocal meu para cantar mais delicado, aprender a respirar melhor. Vai marcar a volta do Guilherme do Raça de heróis, do Planeta água, porque o mundo espera isso de mim. Tenho que fazer o que o minha geração fazia de melhor. Talvez eu seja crucificado por desenterrar o progressivo, mas eu ou faço isso, ou vou ficar me orientando por regras de mercado. Podem falar: “Ah, nove minutos não é radiofônico”. Mas ser radiofônico é importante?

Minha mãe morreu nesse período e fiz uma música para ela ouvir no leito de morte. Se chama Estrela mãe, é uma música para você cantar para sua mãe que está indo embora. Minha irmã colocou para ela ouvir, ela partindo, aos 94 anos. Foi a maior emoção da minha vida explicar como eu amo a minha mãe, como ela estava à frente do tempo. Uma mulher que cantava dentro de casa, as dificuldades que ela passou. Meu pai não a deixava trabalhar. Ela se tornou uma dona de casa infeliz. Ela era uma mulher do mercado, que queria trabalhar no centro de São Paulo…

Tem umas cinco músicas que quando eu ouço, eu choro, é lindo pra caralho. Comecei o ano estudando barroco, depois comecei a passear pela cidade. Começou a esfriar, começou a dar uma angústia com a chegada da pandemia, as pessoas morrendo. Me deu uma angústia muito grande, um sentimento de preocupação com a humanidade.

Guilherme lê um trecho de uma letra do próximo disco: “As crianças com receio de crescer/contaminar o céu/da cápsula de um tempo sem rancor/cada dia uma batalha desigual/em nome de uma paz e tudo que se entende por normal/é a bandeira incandescente da exclusão/exércitos rivais disputam seus desejos ancestrais/são troféus de honras e glórias sem pudor/vitórias sem perdão/remorso já ficou pra trás”.

Essa é uma música cavalar que tem segunda, terceira parte, como se fosse uma música de festival – Ponteio, Disparada, aquela coisa “oooh”, que não tem mais. Eu vou ver o que dá, de repente o mercado vai falar: “Nossa, tá se achando. Pô, canta Cheia de charme e não enche o saco!” Mas eu tenho que procurar meu caminho. Eu sou progressivo, coloco muitas bandas progressivas no Facebook. Adoro Jethro Tull, Thick as a brick. Mas nem posto só bandas antigas. Outro dia mesmo postei o Muse.

O Muse tem a ver com seu som um pouco…

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É demais, tem uma pegada, adoro o som. E adoro o Dream Theater também, tem cara de Guilherme Arantes aquilo lá. E tá na hora de eu mostrar meu lado Dream Theater. A nação metaleira adora o Guilherme Arantes. E é um público que é aguerrido, que compra briga. Acho que você tem esse espírito também no segmento LGBTQI+, no rap… As pessoas estão lá se posicionando.

Já na balada é aquela paquera coletiva. Em dupla sertaneja, você pode muitas vezes trocar o artista que ninguém repara. Sinto que o show business brasileiro se perdeu, não sei como vai ser com a volta da pandemia. O discurso do funk tem que evoluir, como foi com o de Anitta, que está fazendo outras coisas, crescendo, se organizando. É uma figura notável. E chega de artistas que morrem jovens. A babaquice da morte daquele garoto Kevin (funkeiro) é a mesma da morte do Jimi Hendrix. Jimi morreu jovenzinho, mas tinha proposto uma coisa que era um turning point do mundo. A mesma babaquice também do Kurt Cobain meter uma bala na cabeça.

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Eu me julgo um sobrevivente da minha geração. A gente passou pelos anos 1980, uma época de muita cheiração, mas chegou uma época em que era babaquice. Começou como uma coisa leve. Eu estava nessa matriz dos anos 1980 com a Gang 90, com o Julio Barroso. Eu faço parte dessa matriz do pop rock brasileiro, de tudo o que aconteceu. Os críticos de música falam que o festival de 1981 (o MPB Shell) foi o mais fraco de todos.

O festival que você participou (com a Gang 90 cantando Perdidos na selva e com Planeta água)?

Isso foi escrito, tá em todos os livros. Mas teve festival mais fraco. O que teve Cabeça, com o Walter Franco (1972), que era meu amigo, um gênio… Ele nem é citado, é como se não tivesse existido aquele festival, e quem ganhou foi a Maria Alcina, com Fio Maravilha. E foi um festival fraquíssimo. O de 1981 foi praticamente ganho pelo Planeta água (a vitória foi para Purpurina, de Jerônimo Jardim, na voz de Lucinha Lins, o que decepcionou a plateia).

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E Perdidos na selva foi detonadora de toda a década de 1980. As pessoas tinham que fazer uma revisão histórica da nossa geração. A geração de 1968 não se compara. Chico, Caetano, Gil, Milton, ficaram tombados num patrimônio histórico, como os répteis antes das glaciações. Nossa geração, que veio em 1972, pós-Libelu, é importante. A Rita Lee é anterior, ela é beneficiária de um pouco de tombamento e veio brilhar depois. A mesma coisa com Novos Baianos. Mas nossa geração teve Djavan, que é muito importante. Costumam criticá-lo por causa das letras, que são lindas.

Nós somos inocentes políticos e comportamentais, porque também não pegamos o enlouquecimento de Rita Lee, Raul Seixas. Nem drogados nós somos. Mas construímos uma história belíssima. Lulu faz parte disso, Marina também.

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Black Sabbath: Vinny Appice encontrou Bill Ward, e agora?

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No meio da turnê do disco Heaven and hell, em 1980, o baterista Bill Ward deixou o Black Sabbath. O músico estava um tanto incontrolável no que dizia respeito às drogas e à bebida e vinha tendo problemas de saúde. No seu lugar, o batera Vinny Appice entrou feito um raio, para substituir Bill às pressas.

Vinny Appice nem sequer teve tempo de estudar muito: enfiou todas as peças de seu instrumento no banco de trás de um carro e foi tocar com a banda no Aloha Stadium, no Havaí, praticamente aprendendo todas as canções no palco. E chegou a levar uns papeis com uma cola, para poder tocar músicas que não conhecia. Problema: choveu bastante e caiu água em cima da cola de Vinnie, desmanchando a tinta. O músico se virou como deu. O experiente Appice, que já tocara com John Lennon e Rick Derringer, ficou no grupo até 1982, seguiu com o vocalista Ronnie James Dio para sua banda Dio, e voltou ao Sabbath outras vezes.

O músico revela que passou certa tensão quando encontrou justamente com Bill, quando já estava na nova formação do Sabbath. “Foi durante uma pausa daquela turnê ou algo do tipo no Rainbow Bar em Hollywood, o famoso bar. Bill provavelmente bebeu um monte naquela noite”, afirmou o baterista.

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Ele se recordou que Bill estava meio “fora de controle” e chegou a temer levar umas bolachas, mas foi tudo tranquilo. “Eu estava tipo: ‘oh Deus, eu não quero entrar em nenhum tipo de confusão com Bill”, contou. “Ele é o cara mais doce do mundo. Eu amo Bill. Ele foi uma grande influência na forma como eu toco. Ele tocou ótimas coisas, muito criativo”, respondeu.

Via Ultimate Guitar e Wayback Machine.

>>> Nosso financiamento mensal: catarse.me/popfantasma

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Para quem é fã do punk rock clássico, aquele que fez história nos EUA e na Inglaterra do fim dos anos 1970, Stiv Bators é um nome conhecido e celebrado. Vocalista dos Dead Boys, Bators tornou-se conhecido pelas performances viscerais e selvagens que fazia, em muito inspirado por seu ídolo Iggy Pop.

Gimme danger little stranger

Duas histórias notáveis, inclusive, tornaram-se emblemáticas em sua adoração por Iggy Pop. Na primeira delas, Stiv disse aos quatro cantos que foi ele o responsável por entregar o pote de manteiga de amendoim com o qual o Iguana se besuntou e andou heroicamente sobre (literalmente) a platéia no Cincinatti Pop Festival de 1970, algo considerado como pura lenda por seus amigos.

A segunda foi em um jantar em Cleveland em 1977, quando os Dead Boys abriram para o ex-stooge como parte da turnê de seu primeiro álbum. Nervoso por conhecer seu ídolo, Bators ingeriu alguns Quaaludes, como era conhecido o fármaco metaqualona, que fora criado para combater a insônia, mas servia para deixar o pessoal mais, digamos, ousado. Chapadaço da substância, Bators não segurou a bronca e caiu de cara em seu prato de sopa justamente quando jantava com seu herói, em história retratada no já clássico livro Mate-me por favor.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

David Quinton Steinberg, Stiv Bators, George Cabaniss e Frank Secich gravando o álbum Disconnected em agosto de 1980 no Perspective Studios, em Sun Valley, Califórnia. Foto de Theresa Kereakes.

Jovem, barulhento e arrogante

Com o grupo, Stiv Bators lançou dois álbuns. O cultuadíssimo Young, loud and snotty (1977), uma das pedras fundamentais do punk americano, e o segundo disco do grupo, We have come for your children (1978), álbum de menor impacto que seu antecessor mas também repleto de petardos enfurecidos da banda de Cleveland, ainda hoje apontada como uma das mais selvagens da sua geração.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Stiv Bators: o “outro nome” do punk em documentário

A selvageria vista no palco não era mera encenação. Na época de Dead Boys, Stiv teve um romance com a famosa groupie Bebe Buell, que já havia namorado músicos como Todd Rundgren, Rod Steward e Steven Tyler, do Aerosmith, com quem teve a filha Liv Tyler. Buell, inclusive, relembrou a relação com Stiv em um texto para o site Please Kill Me, de Legs McNeil, autor do já citado livro de mesmo nome. Ao longo de sua curta e intensa vida, o vocalista usou e abusou das drogas e fez parte da hoje famosa turma festeira que frequentava o CBGB e a boemia do Bowery na Nova York do fim dos anos 70.

Com o fim dos Dead Boys, Bators decidiu se reinventar como um cantor de power pop, fechando um contrato com a gravadora Bomp! e se mudando para Los Angeles. Foi dessas sessões que surgiu o álbum Disconnected (1980), apontado como uma obra-prima pouco explorada desse vocalista também pouco celebrado em comparação com alguns de seus contemporâneos e amigos de cena.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Os músicos de It’s cold outside: Eddy best, Rickbremmer, Stiv Bators e Frank Secich em Los Angeles, abril de 1979. Foto de Donna Santisi.

Do punk rock ao power pop

Para compor o álbum, Bators recrutou o baixista Frank Secich, seu amigo de longa data e conterrâneo de Ohio, estado natal do vocalista, também conhecido por ter sido o baixista da banda de power pop Blue Ash, que chegou a abrir shows para Stooges, Aerosmith, Bob Seger e Ted Nugent, alcançando relativo sucesso no underground americano de meados dos anos 70.

Juntos, Bators e Secich compuseram um punhado de excelentes canções power pop, entremeadas a versões de The Electric Prunes (I had too much to dream) e The Choir (It’s cold outside, que só constou no relançamento do disco de 1987), denotando a paixão de ambos pelos grupos garage dos anos 1960. Uma curiosidade é que boa parte do álbum foi gravado em uma quadra de basquete que ficava ao lado do estúdio, já que, segundo Secich, o espaço oferecia uma sonoridade mais “viva”.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Michael Monroe (Hanoi Rocks), Stiv Bators (Dead Boys) e Lemmy (Motörhead)

Outra curiosidade é que Disconnected foi coproduzido por Stiv Bators e Thom Wilson, marcando seu primeiro trabalho na função. Mais tarde, Wilson tornaria-se conhecido por produzir discos clássicos do punk americano como o homônimo dos Adolescents, de 1981, Mommy’s little monster (1983), álbum de estreia do Social Distortion, e os três primeiros discos do Offspring, entre uma longa lista que inclui ainda Bad Religion, Dead Kennedys, Iggy Pop e T.S.O.L., pra ficar só em alguns.

Mas, de volta a Disconnected, o álbum não chegou a ter uma verdadeira turnê de divulgação, e nem atraiu grande atenção da mídia no período. Seu reconhecimento veio com as décadas, em especial de fãs dos Dead Boys e do Lords Of The New Church, banda que Bators formou com Brian James, ex-guitarrista do Damned, em 1980, quando saiu de Los Angeles direto para Londres, onde antes formou o grupo de curta vida The Wanderers, com ex-integrantes do Sham 69.

Senhores da Nova Igreja e morte em Paris

Com o supergrupo gótico, que incluía ainda o ex-baixista do mesmo Sham 69 e o ex-baterista dos The Barracudas, Stiv conheceu o sucesso que tanto buscava. Sua história foi inclusive contada em um recente documentário, do qual já falamos aqui.

A posterior dissolução dos Lords of the New Church, seus outros projetos musicais (incluindo uma curiosa banda com Johnny Thunders dos New York Dolls e Dee Dee Ramone, que terminou em briga motivada pelo vício em droga dos dois), e sua trágica morte após ser atropelado em Paris, onde residia com a namorada em 1990, são parte da mística que envolve o vocalista, morto aos 40 anos e ainda festejado como um dos mais autênticos e simbólicos de sua geração.

Reconectando Stiv Bators: entrevista com Frank Secich

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Mais de quarenta anos depois de seu lançamento, Disconnected segue como uma daquelas pérolas que os fãs do vocalista exaltam, mas que não chegaram a ultrapassar a barreira do underground, apesar do evidente potencial pop que dispunha.

Para saber mais sobre a concepção e gravação do disco, conversamos via e-mail com Frank Secich. Escute o disco e confere o papo aí embaixo:

Como você conheceu Stiv Bators, e como a ideia de tocar em seu disco solo surgiu?

Conheci Stiv em uma casa de hippies na faculdade de Youngstown, Ohio, em 1967. Nós viramos amigos rapidamente. Costumávamos ir às boates e casas de shows para adolescentes de Youngstown, como o Carouseel Teen Clubs, o Freak Out, o Champion Rollarena, o Bug Out e outros onde vimos bandas como The Human Beinz, Pied Pipers, James Gang, New Hudson Existe e The Holes In The Road. As primeiras bandas de Stiv, como Steve Bator Band e Mother Goose frequentemente abriam para minha banda Blue Ash no começo dos anos 1970.

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Depois que os Dead Boys acabaram em 1978 após gravarem seu segundo álbum, Stiv queria fazer algo diferente. Em outubro de 1978, começamos a compor canções juntos. Em novembro daquele ano, nós (Stiv, Jimmy Zero, Johnny Blitz [todos membros do Dead Boys] e eu) fizemos demos de The last year, It’s cold outside e It’s alright no estúdio After Dark, em Cleveland. Stiv então acompanhou sua namorada da época, Cynthia Ross, em uma viagem para Los Angeles, onde tocou as demos para Greg Shaw (dono da gravadora Bomp!), que ficou de queixo caído com as músicas. Alguns meses depois, Greg ofereceu um contrato para mim e Stiv.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

O single alemão de It’s cold outside da Line Records, de 1979

Vocês escreveram ótimas canções juntos. Como foi este processo?

Nós fazíamos de diferentes maneiras. Para The last year, Stiv tinha o título, o começo da melodia e o refrão. Eu o ajudei a terminá-la e compus a ponte. Nós dois escrevemos as letras. Not that way anymore e Circumstantial evidence eram basicamente canções minhas nas quais Stiv ajudou com as letras. Em I wanna forget you (just the way you are), Stiv surgiu com o título e escreveu a maior parte da letra, e eu escrevi a música e a melodia, e foi igual com Ready anytime. Nós sempre fazíamos diferente, mas Stiv era mais um compositor de letras e eu era mais alguém da melodia, apesar de ambos sabermos fazer as duas coisas. Uma das melhores canções do LP é Bad luck charm, que foi composta por David Quinton Steinberg e George Cabannis.

Tem uma história ótima por trás dessa música. Antes de gravar o álbum nós estávamos fazendo uma turnê naquele verão, e, em Nova York, Johnny Thunders se juntou conosco no palco do Heat Club. Thunders tinha um colar com o que parecia ser a pata de um alce pendurado. No camarim, David e George vieram até mim e disseram: “O que é aquilo no pescoço do Johnny?”. Eu disse: “É seu amuleto de má sorte! Vocês deviam compor uma música sobre isso”. Eles então a fizeram e é uma excelente música. Isso era um pouco do nosso processo criativo!

E como foi o processo de gravação do Disconnected? O álbum segue sendo cultuado por seus fãs e entusiastas de power pop em geral.

Nós nos divertimos muito gravando Disconnected no estúdio Perspective em Sun Valley, na Califórnia, no fim de agosto e começo de setembro de 1980. Greg Shaw da Bomp! Records nos deu liberdade para gravar o álbum e eu o amei por aquilo. O disco foi gravado em uma quadra de basquete que era adjacente ao estúdio. O piso de madeira tinha um som extremamente “vivo”, então fizemos a maior parte das canções ali. Funcionou especialmente bem para músicas como Evil boy, Make up your mind e Bad luck charm.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

A foto da contracapa de Disconnected, de 1980. Fotos de Theresa Kereakes.

Nós fizemos um monte de experimentos e gravamos bastante de forma improvisada. Às vezes funcionava bem, como quando Cynthia Ross e as fabulosas B-Girls do Canadá vieram à cidade para colocar harmonias e palmas em Swinging a go-go, e no som de explosão de Too much to dream, quando Stiv e eu derrubamos um amplificador Fender Twin Reverb (alugado, é claro) de uma escada e gravamos.

Quando estávamos gravando Ready anytime, Stiv não estava conseguindo alcançar o vocal que queria. Ele disse que tinha que ir até Hollywood para se inspirar. Nós fizemos os overdubs até ele voltar quatro horas depois muito bêbado com uma garota. Ele então foi até a cabine do microfone e começou a gravar enquanto ela “performava” nele na nossa frente. E usamos aquela gravação.

Às vezes não funcionava. Para culminar com o verdadeiro clímax do álbum, eu queria um final do tipo Abertura de 1812 (de Tchaikovsky) para I wanna forget you (Just the way you are) – grande, bombástico e que se destacasse. Era para ser uma canhonada de áudio das Guerras Napoleônicas! Nós pedimos a nosso amigo Kent Smythe que trouxesse centenas de fogos de artifício. Colocamos microfones estrategicamente posicionados em volta deles e o produtor Thom Wilson começou a rodar a fita enquanto eu e Stiv os acendemos, no que foi uma falha de cálculo da nossa parte.

Enquanto os fogos queimavam para fora, o estúdio rapidamente ficou cheio de fumaça. No meio de todas as explosões, Stiv e eu não conseguiamos enxergar ou respirar. Estávamos nos sufocando e tossindo e tivemos que literalmente nos arrastar até o lado de fora do estúdio para sobreviver enquanto David, George, Thom Wilson e Kent estavam caindo no chão de tanto rir. Nós passamos o resto da sessão tirando a fumaça do estúdio. Quando tocamos para ver, soava uma bosta, e não conseguimos usar. A famosa fotógrafa de rock Theresa Kereakes estava lá o tempo todo e registrou muito daquela insanidade para a posteridade.

Stiv falava com orgulho dos Dead Boys?

Sim, ele tinha muito orgulho de ter sido um Dead Boy, e com razão. Eles foram uma banda lendária e absolutamente fantástica ao vivo e a cores. A fusão de guitarras de Cheetah (Chrome) e Jimmy Zero era muito legal, e eles eram ótimos compositores, e Johnny Blitz era um incrível baterista que sabia conduzir o som. Stiv tinha uma presença marcante e carismática. Eles eram originais e únicos, e é por isso que seguem sendo lendários até hoje. Eu tive a felicidade de ser parte disso por um tempo (Secich realizou uma turnê com os Dead Boys por um curto período, quando substituiu o baixista Jeff Magnum).

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Frank Secich e Stiv Bators na festa de Kim Fowley para a banda Orchids, em 1979. Foto de Lisa Secich.

Nós ouvimos histórias de como Stiv era um “verdadeiro rock star” e um punk rocker selvagem. Ele era assim o tempo todo?

Stiv era um cara bem tranquilo, como Clark Kent, quando não estava no palco. Ele era sempre muito gentil com os fãs e sempre tinha tempo para dar autógrafos e posar para fotos, ou só para bater papo. No palco, ele era um performer consumado e um verdadeiro homem selvagem! Você nunca sabia o que esperar de um show para outro. Nunca havia tédio.

Vocês mantiveram contato ao longo dos anos? Como soube da morte dele?

Nós mantivemos contato durante os anos 1980 até sua morte. Ele me mandava cartões postais hilários e cartas de todos os cantos do mundo quando estava em turnê com os Lords of the New Church. Logo depois que Stiv morreu, eu recebi um telefone de um amigo em comum, Bobby Brabant. Ele disse: “Frank, eu tenho péssimas notícias”. Eu soube pelo tom em sua voz. Eu perguntei: “Como ele morreu?”. Foi um dia muito triste.

Você acha que Stiv teria seguido um caminho musical diferente se estivesse vivo?

Eu tenho certeza que ele seguiria trilhando caminhos e sendo criativo. Ele possivelmente teria feito mais filmes. Ele era um vocalista muito bom e conseguia sempre se expressar bem. Estava sempre três passos à frente do seu tempo e sabia o que fazia. Ele conseguia se reinventar em qualquer cena musical. Ele teria amado a internet e todas as suas possibilidades.

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>>>Foto do abre da matéria: a banda que gravou Disconnected com Stiv Bators em agosto de 1980. David Quinton Steinberg, George Cabaniss, Frank Secich e Stiv Bators. Foto de Theresa Kereakes.
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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Stiv Bators em 1979

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Cultura Pop

DGC Records: descubra agora!

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Criada em 1990 pelo empresário David Geffen como um selinho à parte de sua Geffen Records, a DGC Records era tida por muita gente como uma espécie de purgatório da gravadora. Funcionava num escritório menor, com poucos funcionários, e basicamente dava abrigo a bandas mais experimentais, pesadas e alternativas.

O nome DGC, você deve saber, significa David Geffen Company. Mas dentro da gravadora maior, que tinha sob contrato best sellers como o Guns N ‘Roses, funcionários mais maldosos chamavam a pequena DGC de “Dumping Ground Company” (“companhia lixão”). Também diziam que as bandas menos viáveis eram atiradas lá para não sujar o nome da gravadora.

>>> No podcast do POP FANTASMA, Nevermind + Badmotorfinger + Screaming Trees + Tina Bell

A biografia de Kurt Cobain Mais pesado que o céu, de Charles R. Cross, afirma tudo isso e completa ainda dizendo que vendagens de 50 mil cópias eram comemoradas efusivamente na DGC – uma vez que o Sonic Youth vendeu mais que o dobro disso com Goo (1990). Quando o Nirvana foi contratado pela Geffen, a expectativa era que a banda se localizasse no patamar do Sonic Youth. O final da história, você já sabe. E as expectativas de um selinho indie (e ligado a uma gravadora que começara indie mas fora absorvida pelo mainstream) foram bastante ultrapassadas.

A DGC durou ate 2003 (voltou depois em 2007 e ficou ativa até 2010). E marcou época. Confira abaixo alguns nomes ligados a ela (além do Nirvana e do Sonic Youth, que você já sabe).

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DIAS DE TROVÃO. A trilha do filme de Tony Scott, com Tom Cruise, Nicole Kidman, Robert Duvall e grande elenco saiu pela DGC em 1990. Só clássicos: You gotta love someone, com Elton John, Long live the night, com Joan Jett, e Knockin’ on heaven’s door, de Bob Dylan, com o Guns N’Roses.

JOHN DOE. O criador da banda punk X vinha ensaiando carreiras solo como cantor e até como ator, até que em 1990 foi contratado pela DGC e lançou um (bom) disco unindo country e punk, Meet John Doe. Mas não duraria muito por lá e acabaria indo para selos menores, como o Yep Rock.

THE SUNDAYS. Essa simpaticíssima banda de dream pop era contratada pela Rough Trade no Reino Unido, de onde eles vinham. Mas o disco Reading, writing and arithmetic (1990), por exemplo, saiu pela DGC nos Estados Unidos.

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LITTLE CAESAR. Banda de hard rock estilo motoclube vinda de Los Angeles, caiu nas graças do produtor Bob Rock e do executivo John Kalodner e teve passagem-relâmpago pela DGC, com dois LPs lançados no selo entre 1990 e 1991. O grupo existe até hoje, mas está na independência.

SOUTHERN CULTURE ON THE SKIDS. Essa banda de Chapel Hill, Carolina do Norte, une estilos como rockabilly, surf music e country, e existe desde 1985. Boa parte do repertório é satírico e mexe com clichês e estereótipos do universo caipira. São mais um grupo que teve passagem rapidinha pela DGC, com dois discos a partir de 1995.

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THE POSIES. Pouco antes do Nirvana, esse grupo de power pop que também é da região de Washington foi contratado pela DGC. O segundo e o terceiro disco, Dear 23 (1990) e Frosting on the beater (1991) saíram por lá. O hit Dream all day, até hoje uma das mais populares do The Posies, foi lançado pela DGC.

NELSON. Lembra deles? Os filhos do astro do pop americano Ricky Nelson também foram parar nas mãos de John Kalodner e da DGC, que por sinal esperava um grande sucesso para a dupla de rock farofa: botaram produtores e compositores para ajudar no amadurecimento musical dos meninos. O Nelson, no entanto, só aguentaria dois álbuns lá e tentaria fazer uma virada deprê no terceiro, Imaginator (1996), recusado pela gravadora.

LORI CARSON. Queridinha do cenário indie-folk do fim dos anos 1980, essa novaiorquina do Queens estreou na DGC com o disco Shelter (1990), elogiadíssimo, mas só fez esse disco lá. Entre 1992 e 1994, ele fez parte do Golden Palominos, aquela banda casa-da-sogra (com alta rotação de integrantes) liderada pelo Anton Fier.

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THE THROBS. Essa banda novaiorquina de hard rock e glam punk teve vida curta (três anos) e estadia na DGC mais curta ainda.  Lançaram o primeiro disco, The language of thieves and vagabonds (1991), não venderam nada, e seis meses depois estavam fora da gravadora. Em 2001, o baixista Danny Nordahl foi parar no Faster Pussycat e tá lá até hoje.

THE NYMPHS. Liderada pela cantora Inger Lorre, essa banda promoveu certo escândalo e alguma controvérsia (Inger era do tipo que não tinha papas na língua), e gravou uma pérola chamada The Nymphs, produzida por Bill Prince e lançada pela DGC em 1991, além de um EP em 1992. Inger, brigando com a heroína, fez xixi na mesa do cara do A&R da DGC, Tom Zuzaut. O grupo ficou sem gravadora e se separou.

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BECK. Quase tudo de Beck lançado durante seu contrato com a Geffen saiu com selo DGC, embora o selo da empresa-mãe tenha aparecido em algumas edições pelo mundo – até mesmo quando Mellow gold (1993), o primeiro disco, saiu no Brasil em LP. Disputado a tapa com outros selos, o compositor americano vinha com uma proposta lo-fi e independente – a ponto de ter mantido sob contrato que poderia lançar álbuns por selos menores mesmo enquanto contratado da DGC.

WEEZER. Não tem como esquecer deles. A banda foi contratada quando a DGC ouviu a Kitchen tape, gravada em agosto de 1992, numa cozinha (daí o nome), usando o gravador de 8 pistas do vocalista Rivers Cuomo, e que já tinha músicas como The world has turned and left me here e My name is Jonas. Os selos DGC e Geffen foram sendo alternados na discografia do Weezer até 2009, quando saiu o sétimo disco, Raditude.

TEVE MAIS. Discos como Bandwagonesque, do Teenage Fanclub (1991) ganharam edições pela DGC – nesse caso, inclusive no Brasil. Love hurts, último disco da Cher pela Geffen (1991) teve edições em alguns países com esse selo. A estreia epônima da banda britânica Elastica (1995) foi também um lançamento DGC nos Estados Unidos.

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E DEPOIS? Bom, a DGC foi reativada em 2007 como parte da grandalhona Interscope e durou mais alguns anos. Nesse retorno, a empresa pôs nas lojas o retorno do Blink-182 (com Neighborhoods, em 2011), a estreia do Them Crooked Vultures e álbuns de bandas como All Time Low. Nevermind, do Nirvana, continua sendo o disco mais vendido da gravadora.

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