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Crítica

Ouvimos: University – “McCartney, It’ll be OK”

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O University mistura screamo, noise e emo num disco caótico e divertido. McCartney, It'll be OK é barulho, ironia e criatividade no volume máximo.

RESENHA: O University mistura screamo e noise rock num disco caótico e divertido. McCartney, It’ll be OK é barulho, ironia e criatividade no volume máximo.

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Dizem por aí que cabe aos jornalistas conceituarem músicas, movimentos e bandas. No caso de um disco maluco como McCartney, It’ll be OK, da banda britânica University, nem me atrevo. É emo, mas não é “emocional”. É noise rock, mas é “noise” demais. É screamo e pós-hardcore, mas já tem gente chamando o som deles de “progressivo (baita viagem falar isso, aliás).

O University, além de tudo, parece ter uma mania com o Iron Maiden. McCartney tem duas faixas chamadas History of Iron Maiden, no fim do álbum. A primeira (a “parte 1”) dura dez minutos e é uma sinfonia de barulhos, com vocal desesperado, guitarras aterradoras, bateria que parece socada com as mãos, e versos como “será que você já viu minha camisa amarela tão fresca e limpa? / a sete milhas da minha casa / foi quando eu soube que você era o melhor”.

Já a segunda (intitulada History of Iron Maiden pt 0.5) é um instrumental tocado nos teclados, que parece coisa de videogame – e no qual, curiosamente, dá para perceber o molho melódico do grupo. Zak Bowker (voz, guitarra), Ewan Barton (baixo) e Joel Smith (bateria), os três do University, ainda têm um mascote chamado Eddie – na verdade um amigo da banda que esconde o rosto com uma balaclava e que aparece nas fotos de divulgação como o “quarto” integrante.

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Se você está achando o University loucura demais para seu pobre cérebro… Bom, talvez até seja mesmo. O disco começa com Massive Twenty One Pilots tattoo, que inicia com barulho de telefone, berros e uma estileira guitar rock que, no susto, se transforma numa mescla de screamo radical e pós-hardcore, com microfonias, ritmos quebrados e versos que lembram uma caricatura emo. Curwen é punk rápido, com letra crua no estilo de Kurt Cobain.

Gorilla panic é um sinfonia de microfonias que abarca slacker rock, math rock, screamo, pós-hardcore e outros estilos que se bobear, você vai precisar googlar. A letra: “quanta louça você conseguiria lavar sem detergente? / e quão limpo você conseguiria ficar sem sabão? (…) / o que é uma chaleira de peixe sem a chaleira? / quantos peixes você conseguiria fritar sem a frigideira?”.

Hustler’s metamorphosis, GTA online e Diamond song, as outras três faixas, ficam quase na mesma variação, acomodando estilos como blues e psicodelia, e apresentando momentos em que a zoeira é tão imensa que a microfonação parece que nem vai dar conta. Aparentemente, a missão do University é achar beleza no caos e botar ordem no que parece desordenado. Desempenharam a tarefa muito bem.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Transgressive Records
Lançamento: 20 de junho de 2025.

Crítica

Ouvimos: Cuir – “Monoface”

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Resenha: Cuir – “Monoface”

RESENHA: Banda de synth-punk francesa, o Cuir volta com o curto álbum Monoface e, entre teclados e climas ágeis, aponta para bandas como Angelic Upstarts e até o lado punk do Anthrax.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de junho de 2026

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O Cuir é um curioso projeto musical francês, feito por um cara chamado Doug Zilla, veterano do hardcore local – e que para sua banda nova, adotou uma espécie de balaclava rosa. O som é synthpunk, quase tão distorcido quanto sintetizado, com letras no estilo que-se-foda. Monoface é um álbum com, digamos, jeito de EP – mais ou menos como o da banda punk brasileira Basttardz, também assunto nosso hoje.

O nome “monoface” é justamente porque todo o repertório, que dura 15 minutos, cabe em apenas um lado de disco. Já o som do novo disco, mesmo com os teclados, aproxima-se às vezes da mescla de metal e hardcore, com Majeur em l’aair, na abertura, lembrando Anti-social, o hit da banda francesa de hard rock Trust que o Anthrax imortalizou. E faixas como Derniète minute e Road trip lembram bandas como Angelic Upstarts, enquanto Rock’n roll, interim, chômage cai dentro do hardcore-synth. Aliás, dá pra perceber uma conexão forte com a oi! music no som deles, embora Doug não concorde com o rótulo.

Os synths surgem como uma curtição a mais, em meio ao peso punk do grupo – que ganha ar de Stranglers + Rancid em Blastover e Brûler les barrières, e dá uma lembrada em Billy Idol em Spleen. Como vocalista, Doug é quase um rapper cantando punk, com vocais quase sempre brigões e falados. Resta saber se vinil e K7 (o disco sai nos dois formatos) de Monoface vão ter música só no lado A. Ou no B.

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Crítica

Ouvimos: Basttardz – “Tramas & traumas”

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Resenha: Basttardz – “Tramas & traumas”

RESENHA: Banda maranhense Basttardz une peso, introspecção, punk, funk e até piseiro nas curtíssimas faixas do curto álbum Tramas & traumas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Brisa Rec
Lançamento: 13 de julho de 2026

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Seguindo a onda do álbum pequeno, Tramas & traumas, terceiro disco da banda maranhense Basttardz, é curtinho (oito faixas, 15 minutos) e foca no punk e no hardcore com misturas inusitadas e letras introspectivas. O som une hardcore e estilos como funk e rap (na faixa-título e em favelas), parte para o reggae punk em O inconsciente coletivo e insere até algo de piseiro, forró e reggamuffin em músicas como Vitrine e Do culto ao lucro.

O som do grupo é pensado como um mergulho, tanto no som quanto no universo deles – que inclui temas como influencers que surgem do nada, violência, exclusão, drogas de 2026 (na ótima letra de Tarja preta, que fala de aditivos usados para trabalhar, produzir, estudar, dormir e se deixar manipular) e memórias amargas que ganham espaço como traumas, anos depois. Tem inovação no som e um clima herdado da vulnerabilidade do emo Midwest, embora na prática o Basttardz faça uma música com bem mais foco em peso e beats.

  • Ouvimos: Arlomine – Francis Frankenstein

Nas letras de Tramas & traumas, o grupo também une depressão e falta de grana. O desespero diante do capitalismo dá o tom de músicas como Desconstrução, que, inspirada em Construção, de Chico Buarque, encerra o disco olhando para quem já está quase desistindo de tudo.

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Crítica

Ouvimos: Francis Of Delirium – “Run, run pure beauty”

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Resenha: Francis Of Delirium – “Run, run pure beauty”

RESENHA: Entre shoegaze, dream pop e soft rock, Francis Of Delirium cria um álbum de melodias etéreas, ruído elegante e atmosfera cinematográfica.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Dalliance Recordings
Lançamento: 29 de maio de 2026

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Jana Bahrich, musicista radicada em Luxemburgo, responde pelo codinome Francis Of Delirium – que basicamente significa sonho, construções melódicas baseadas no mesmo delírio que surge no nome do projeto. Run, run pure beauty, o segundo álbum, tem elementos associáveis ao que normalmente é chamado de “shoegaze” e “dream pop” – no caso desse último, ele serve como um bom rótulo, por causa dos vocais mágicos e do clima quase voador das melodias.

Aliens, a música de abertura, tem o mesmo clima geralmente associável ao shoegaze, com guitarras em nuvem – mas Jana tem o cuidado de associar a seu som um mistério musical dado pelo uso de instrumentos de orquestra, que dá a algumas faixas um ar análogo ao de Ocean rain, o sombrio disco de 1984 do Echo and The Bunnymen.

  • Ouvimos: Divers – Odd dog in the capital

O disco prossegue na beleza de Out tonight e da faixa-título – esta, com cordas em vibe meio beatle, lembrando as espirais de I am the walrus. Mas a partir daí surgem lados diferentes do Francis, que investe em aclimatações soft rock, em faixas como Higher, Little black dress e Sucker punch. Tudo combinado com a disposição para o barulho, já que Open up your mouth to love, por exemplo, une tranquilidade sonora, dada pelos violões, a um clima shoegaze leve.

Por causa disso tudo aí, tem momentos em que o som do Francis chega a lembrar uma versão mais indie dos Cranberries – ou o Mazzy Star com ambições mais épicas. Essa impressão dá bastante as caras em Requiem for a dying day. Em outras occsiões, o lado pós-punk do projeto dá uma escalada, como no baixo-à-frente e no clima meio Eurythmics de Damned, ou no noise-pop anos 1990 de It’s a beautiful life. No geral, um som muito bem concebido e montado.

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