Uma lembrança da época em que o grunge (ou o pré-grunge, ou o pós-grunge, ou estilos afins) era traduzido em vários países e ia ganhando cara própria. Na Suécia, houve pelo menos uma banda de funk-metal que deu uma arranhadinha no mainstream. Os Electric Boys começaram a carreira há trinta anos, ganharam produção de Bob Rock (Metallica) no disco de estreia, Funk-o-metal carpet ride (1990) e tinham o maior ar de banda hippie quando começaram.

Conny Bloom, o vocalista e guitarrista (cujo nome verdadeiro é Ulf Conny Blomqvist), disse em algumas entrevistas que não estava nem aí para os anos 1980 e 1990. “Os anos 80 foram horríveis, os 90 foram reciclagem”, contou o fã de discos como Pin-Ups (David Bowie), Smash hits (Jimi Hendrix) e Nasty gal (Betty Davis, cantora reclusa que acaba de ganhar um documentário).

O grupo assinou com gravadoras grandes como Mercury e Atlantic para lançar os primeiros discos. Conseguiu até gravar em Abbey Road o segundo álbum, Groovus maximus (1992). Conny disse que a cara “psicodélica” do grupo deu uma amedrontada nas gravadoras da época. “Nós éramos um grupo difícil de lidar. Nós lhes dissemos que íamos ter sitars, sons de pássaros, fitas rodadas ao contrário e eles engoliram a isca. Tivemos sorte porque o nosso cara do A&R, Peo Berghagen, tinha uma mente muito aberta e até nos mostrou algumas coisas muito psicodélicas”, contou o músico, que costumava aporrinhar a gravadora com exigências como incenso de Nag Champa no estúdio.

O Electric Boys, na real, dava uma namorada BEM de perto com o glam metal, que tinha sido um dos estilos predominantes do rock nos anos 1980. Mas fazia questão de investir numa cara mais groovy e psicodélica. Em 2004, dois ex-integrantes fundadores – o próprio Bloom e o baixista Andy Christell – largaram o grupo por um tempo para se juntar a uma formação dos Hanoi Rocks. Os dois gravaram com a banda o disco Another hostile takeover. Bloom é o de dreads e óculos escuros.

Usamos os verbos no passado para nos referirmos aos Electric Boys, mas a banda, depois de várias idas e vindas – e da carreira solo de Conny – existe até hoje. O grupo voltou com formação nova em 2009 e lançou recentemente um single, Suffer. Tem um disco vindo aí, ainda sem nome, que está sendo feito por crowdfunding.

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