Cultura Pop
E os 50 anos de Para Iluminar a Cidade, de Jorge Mautner?

Em 1972, Jorge Mautner não parecia um cantor, pelo menos não um cantor de verdade. Tinha lá seus momentos de desafinação, e lembrava mais um poeta/filósofo que cantava e compunha, e ainda tocava um violino (que costumava dizer que havia aprendido com o mesmo professor do Bolinha, o amigo da Luluzinha). Também unia temas profundos, frases de efeito e momentos de sátira, tornando impossível saber o que viria depois de uma nova música – podia ser um cântico pop, feminista e contracultural como Super mulher, um acalanto como Chuva princesa, uma brincadeira como Quero ser locomotiva.
Para iluminar a cidade, um disco ao vivo de estreia (!), também não parecia um disco ao vivo comum – com palmas cortadas pela produção em todas as faixas. Ficava claro que até as palmas eram conceituais, já que foram incluídas apenas na faixa final, Sapo cururu, a do verso “ah, como é bonita a bandeira brasileira”. O selo que lançou o disco, Pirata, era mais uma brincadeira do que um selo – uma ideia de André Midani, chefão da Philips, para soltar discos a baixo custo, com preço “especial” já impresso na capa. Era um disco difícil de explicar: popular, mas não na medida certa; filosófico, mas carnavalesco; tinha protesto, mas sob uma base protoglam que lembrava os primeiros álbuns de Marc Bolan. Ou os momentos mais introspectivos de Iggy Pop e David Bowie.
Para iluminar a cidade não era exatamente um nome de disco. Era um festival que havia sido criado por Paulinho Lima, que produzira o show Gal a todo vapor, de Gal Costa, e estava produzindo novos artistas – além de nomes mais experientes que continuavam em clima de “lançamento”, como Jards Macalé e o próprio Mautner. O evento ganharia uma segunda versão em 1973, com shows de João Bosco, Dominguinhos e Thelma Soares. Em abril de 1972, para abrir o evento, era a vez de Luiz Melodia e Jorge Mautner, no Teatro Opinião.
A ideia de fazer um disco com Jorge, que era um artista bastante comentado no underground carioca, já existia. Paulinho vinha conversando com Midani fazia tempo, mas o projeto só vingou quando decidiu gravar o álbum ao vivo, com Mautner acompanhado de Nelson Jacobina, Sérgio Amado (violões), Alex Malheiros (baixo), Otoniel e Tide (percussão). Jorge Karan, que geralmente era acionado para gravar shows de artistas da Philips, cuidou do som.
Mautner já tinha um bom tempo de carreira. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro em 1962, tinha sido preso no ano do Golpe Militar. Havia assustado uma turma enorme com o single Radioatividade (1966). E fora “tirado da lama” (segundo o próprio Jorge) por Caetano Veloso e Gilberto Gil, num encontro em Londres durante o exílio dos baianos. O repertório do primeiro LP (lançado em julho de 1972) vinha no mesmo clima indianista e mântrico que influenciara tanto os Beatles e o tropicalismo, quanto a aurora do glam rock, unido com sambas (Super mulher), marchas (Sapo cururu, Estrela da noite) e canções folk (Anjo infernal).
A Philips decidiu dar um gás em Para iluminar a cidade isolando Quero ser locomotiva (que entrou rapidinho para o repertório de Wanderléa), Olhar bestial e Estrela da noite num EP. O LP, por sua vez, empacou por causa da ganância dos lojistas, que queriam cobrar mais que os 15 cruzeiros da capa. A rebeldia, a coragem, a persistência e a criatividade de Mautner acabaram vencendo o mercado – foram mais dois discos e alguns singles pela gravadora, e a história continua sendo contada até hoje.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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