Cultura Pop
DeFalla solta Kingzobullshitbackinfulleffect92 no Circo Voador em 1992

Qual foi o disco que mudou a história do rock brasileiro? Errou quem citou qualquer coisa dos Mutantes, do Secos & Molhados, dos Novos Baianos. O disco que deu uma virada geral no rock nacional foi Kingzobullshitbackinfulleffect92, do DeFalla, lançado em 1992.

Vale citar que esse disco nem é da fase em que a banda gravava pela multinacional RCA (hoje Sony). Kingzobullshitbackinfulleffect92 saiu pela independente mineira Cogumelo, especializada em heavy metal. Na época, a Cogumelo era a “primeira gravadora do Sepultura”. E tinha a vantagem de existir em Belo Horizonte, lugar mítico quando se tratava de som pesado feito no Brasil. O quinto disco da banda era bem mais zoeiro e experimental do que os anteriores. E mais repleto ainda de vinhetas malucas. E de passagens que colocavam a banda gaúcha mais próxima de um Red Hot Chili Peppers bem mais podre que o original.
Ouvindo esse disco, dá para imaginar de onde vieram Raimundos, Planet Hemp (que citou Caminha Q aqui é de Osasco em Hemp family), Funk Fuckers (o disco do DeFalla é cheio de putaria e sacanagem do começo ao fim, incluídas aí vinhetas como Slaughthouse #3, aberta por gemidos sampleados). E também toda a onda de misturas de hardcore, punk e hip hop que tomou conta do underground – e de parte do mainstream – na década seguinte. Se você nunca ouviu esse disco, resolvemos seu problema agora.
Mais detalhes para aumentar o clima de “nossa, quanto pioneirismo”. Kingzobullshitbackinfulleffect92 tem aquele que talvez seja o primeiro reggaeton produzido no Brasil, a curta Bitch. E uma espécie de encontro entre maracatu, hardcore, metal e a batida de Óculos, dos Paralamas do Sucesso, em Culo fuck (In full effect).
O quinto disco do DeFalla teve repercussão enorme. A banda por pouco não foi contratada pela Sony – algo que demoraria até 2000 para acontecer. E o grupo acabou no palco do Hollywood Rock 93. Edu K, vocalista do grupo, subiu no palco pelado e a banda tocou um samba-funk-metal para o público “roqueiro” do festival. Que desembocou numa mescla de Give it away, dos Red Hot Chili Peppers, com Sweet leaf, do Black Sabbath. Isso passou na Globo.
Essa longa introdução é só para avisar que Vital Cavalcante, verdadeira lenda do rock carioca (liderou bandas como Jimi James e Jason e está hoje no Cidade Chumbo), subiu no YouTube o inesquecível show do DeFalla no Circo Voador em 1992. O grupo estava lançando o famigerado Kingzobullshitbackinfulleffect92. E tocava num festival aberto por Poindexter (outra banda do Vital), Pin-Ups, Children Sex e Beach Lizards.
Animados, os fãs subiram várias vezes no palco. Entre eles, Marcelo D2 e Skunk, que formariam pouco depois uma banda chamada Planet Hemp. O momento em que D2 sobe ao palco, você vê abaixo. Na hora, a banda mesclou Give it away, Sweet leaf e o sucesso do hip hop Pop goes the weasel, do 3rd Bass.
Poindexter, banda de Vital, aparece aí abrindo para o DeFalla.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.








































