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Cinema

O dia a dia das groupies num documentário de 1970

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O dia a dia maluco das groupies num documentário de 1970

Uma das meninas entrevistadas para Groupies, documentário de 1970 dirigido por Ron Dorfman e Peter Nevard, tenta resumir qual era a graça da situação. “Conhecer os rapazes mais bonitos, fumar a melhor erva e estar com as pessoas mais louconas. É só diversão”. Outra dá um lado mais dramático da história. “Estar com os rockstars me faz sentir superior, embora eu não tenha um pau”. Alguém subiu a íntegra desse filme (bem confuso e mal dirigido, mas bastante revelador) para o YouTube, com legendas automáticas.

Servindo hoje como o retrato de um tempo em que a música “para jovens” era basicamente o rock, Groupies é bem sincero ao mostrar o que movia meninas (adolescentes, na maioria dos casos) que corriam atrás de roqueiros nos anos 1960 e 1970. Uma cena à parte no universo roqueiro, groupies como Pamela des Barres, Cynthia Plaster Caster e Andrea Whips dão seus depoimentos. Algumas não veem problemas em se deixarem filmar usando (ou sob o efeito de) drogas. Cynthia fala abertamente sobre os moldes de gesso que fazia dos pênis de roqueiros – não era exatamente uma novidade, já que o assunto pintara num dos primeiros números da Rolling Stone.

O dia a dia maluco das groupies num documentário de 1970

Nomes como Spooky Tooth, Joe Cocker e Ten Years After também dão depoimentos sobre o assunto e aparecem tocando. O filme tem várias cenas captadas em pontos conhecidos de shows nos Estados Unidos, e tem cenas de uma festinha íntima com groupies peladas, que poderia estar no bizarro Cocksucker blues, filme-verdade sobre a turnê 1972 dos Rolling Stones. Num momento dramático do filme, uma groupie adolescente chamada Iris, que segue o Ten Years After, é destratada ao telefone pelo pai, que ameaça matá-la.

O pouco acesso a artistas topo de linha determinou algumas das escolhas dos diretores. Um dos entrevistados é ninguém menos que Terry Reid, o-cara-que-não-topou-ser-vocalista-do Led Zeppelin – e que vinha cuidando de uma boa, mas inconstante carreira solo. Numa das cenas com Reid, é revelado que em Los Angeles havia uma pouco citada cena de groupies masculinos.

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Um desses garotos, Chas, vai ao camarim do cantor implorar sua atenção. O fã está totalmente drogado e mal consegue ficar de pé. Reid foge batido da cena enquanto seu baterista Keith Webb tenta contemporizar. Não é uma cena das mais bacanas de assistir, com Chas se oferecendo para transar com Reid, Webb dizendo que “na Inglaterra não se faz dessas coisas” e groupies rindo do garoto.  No final, alguns minutos de diálogo entre a supergroupie Cynthia Plaster Caster e o bigodudo Roy Michaels, baixista do Cat Mother And The All Night Newsboys, banda que na época estava no segundo disco e não chegou a estourar de verdade.

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Mulheres do punk no Reino Unido, em documentário

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Mulheres do punk no Reino Unido, em documentário

Se você só tiver tempo de ver UM filme sobre música em algum momento do dia de hoje, veja este. She’s a punk rocker UK é um filme ultra-hiper-independente, dirigido durante vários anos por Zillah Minx, a vocalista do grupo gótico-anarco-punk Rubella Ballet, e que conta a história do punk feito por mulheres no Reino Unido. Entre as fontes, tem gente muito conhecida, como Poly Styrene (X-Ray Spex) e Eve Libertine (Crass).

No filme, dá pra ver também os depoimentos de nomes como Caroline Coon, que durante um tempinho foi empresária do Clash e trabalhou com a banda num especial período de confusão – quando a banda ainda era um incompreendido nome da CBS britânica que não conseguia estourar nos Estados Unidos de jeito nenhum (opa, fizemos um podcast sobre isso).

Um depoimento interessante é o de Mary, uma punk veterana que trabalhou por uns tempos como segurança de Poly Styrene, cantora do X-Ray Spex. Tanto ela quanto Poly lembram que o  público dos shows era meio violento em alguns lugares – com “fãs” jogando cerveja e cuspindo na plateia para demonstrar que estavam gostando da apresentação (era comum). Logo no começo do documentário, entrevistadas como Rachel Minx (também do Rubella Ballet) contam que nem tinham uma ideia exata de que elas eram punks quando começaram a adotar o visual típico do estilo – roupas rasgadas, maquiagem, reaproveitamento de peças usadas. Em vários casos, a ideia era se vestir diferente porque todas começaram a produzir suas próprias roupas – e a moda se refletia na música, nas letras e no comportamento.

A própria Zillah é uma figura importante e pouco citada do estilo musical, e viveu o estilo de vida punk antes mesmo dos Sex Pistols começarem a fazer sucesso. O filme dela  foi feito inicialmente com uma câmera emprestada e precisou passar por vários processos de edição durante vários anos. Apoiando o Patreon do projeto, aliás, você consegue ter acesso às integras de todas as entrevistas.

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Ela disse nesse papo aqui que foi aprendendo a fazer tudo sozinha, sem nenhum financiamento, com a ideia de responder algumas perguntas sobre a presença feminina no punk britânico. “Ser punk era perigoso, então por que tantas mulheres se tornaram punks? Foi apenas sobre vestir-se escandalosamente? Essas mulheres punk foram tratadas como membros iguais da subcultura e como foram tratadas pelo resto da sociedade? Como ser uma mulher punk afetou suas vidas? A mulher punk influenciou diretamente as atitudes da sociedade em relação às mulheres de hoje?”, disse.

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Cinema

Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

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Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

Som alucinante, filme de Guga de Oliveira (irmão de Boni, ex-todo poderoso da Rede Globo), lançado nos cinemas em 1971, apareceu pela primeira vez na íntegra no YouTube há poucos dias. O filme traz um apanhado de shows do programa Som Livre Exportação, musical exibido pela Rede Globo entre 1970 e 1971. A produção foi feita no espírito do filme do festival de Woodstock, de Michael Wadleigh, com shows misturados a entrevistas com artistas, músicos, a equipe técnica tanto do festival quanto do filme, e com pessoas da plateia.

Logo no começo, o radialista paulistano Walter Silva (o popular Pica-Pau) resolve perguntar a uma mulher da plateia o que ela espera encontrar no show. Como resposta, recebe risos e um “ah, sei lá, dizem que tá bacana, né?”. Bom, de fato, o formato de festival não competitivo – ou de pacote de shows – ainda não era das coisas mais conhecidas aqui no Brasil.

Tudo ali era meio novidade, tanto o fato de tantos nomes estarem reunidos num mesmo evento, quanto o fato de vários nomes “alternativos”, de uma hora para outra, terem virado grandes atrações de um programa da Globo: Ivan Lins (em ascensão e fazendo seu primeiro show em São Paulo), Gonzaguinha, Mutantes, A Bolha, Ademir Lemos e até um deslocadíssimo grupo americano chamado Human Race – que apresentou uma cover de Paranoid, do Grand Funk. Para contrabalancear e garantir mais audiência ao programa, Elis Regina, Wilson Simonal e Roberto Carlos participaram da temporada de 1971 da atração (que mesmo assim continuou sem audiência, mas com sucesso de crítica). O show levado ao ar nessa temporada serviu de fonte para o documentário.

O que mais chama a atenção em Som alucinante, na real, não é nem mesmo a música. Bom, e isso ainda que o filme apresente uma entrevista bem interessante com um iniciante Gonzaguinha (que faz um excelente discurso sobre “não pensar no mercado e ser você mesmo”), uma Rita Lee aparentemente em órbita falando sobre “é bom ganhar dinheiro com o que se faz, né?”, Mutantes tocando José e Ando meio desligado, A Bolha tocando o gospel-lisérgico Matermatéria, Elis Regina dividindo-se entre os papéis de cantora e mestra de cerimônia. E também várias entrevistas com Milton Nascimento que não vão adiante, de tão constrangido que o cantor estava.

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O mais maluco no filme é que a plateia desmaia, e o tempo todo (!). Os fãs começam a empurrar uns aos outros e num determinado momento, a solução da produção é convidar os que estavam em maior situação de vulnerabilidade para subir no palco. Numa cena, um policial carrega uma garota desmaiada e ele próprio quase toma um estabaco.

Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

Companhias indesejáveis na plateia do Som Livre Exportação

Em outro momento, os fãs são puxados ao palco por policiais e pessoas da produção com uma tal intensidade, que aquilo fica parecendo uma tragédia bíblica. Ou um evento que estava mais para Altamont do que para Woodstock, porque era evidente que aquilo estava ficando perigoso. Especialmente porque militares circulavam na plateia e aparecem, em determinados momentos, atrás do palco, o que já explica todo aquele estresse.

Ah, sim a parte do “nós estamos todos reunidos nessa grande festa”, dos Mutantes (que aparece no documentário Loki?, sobre Arnaldo Baptista) foi tirada de Som alucinante. E pelo menos um crítico do Jornal do Brasil, Alberto Shatovsky, detestou a linguagem “moderna” do filme.

A sequência de Roberto Carlos no filme.

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E se você não reconheceu o sujeito de bigodes e cabelo black que aparece em alguns momentos no filme, é o Ademir Lemos, do Rap da rapa (lembra?). Era um dos apresentadores do Som Livre Exportação.

Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

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O Homem Que Caiu na Terra, feito para TV em 1987

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O Homem Que Caiu na Terra, feito para TV em 1987

Considerado um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos, O homem que caiu na Terra saiu em 1976 e tinha David Bowie interpretando o papel-título – o do alienígena Thomas Jerome Newton, que veio pra essas terras pegar água para levar a seu planeta natal, que está passando por uma seca medonha. O filme tem no subtexto a própria vida desregrada que Bowie levava na época: o personagem torna-se dependente de álcool e televisão, tem um relacionamento amoroso (com Mary Lou, interpretada por Candy Clark, de American graffiti) arruinado por causa dos problemas pessoais e dos vícios, e encara o luxo, a incapacidade e a decadência de perto. Enfim, se você não viu, dê um jeito de ver hoje mesmo.

O que muita gente hem sequer desconfia é que entre o filme com Bowie e a série com o mesmo nome levada ao ar pelo canal Showtime, ainda existe uma versão de O homem que caiu na Terra feita pra televisão. E ela tá até no YouTube.

O homem que caiu na Terra de 1987 foi produzido pela MGM e também seria, ao que consta, o piloto de uma série que nunca foi feita. O filme também foi baseado no livro de Valter Tevis. Ao contrário do filme de Bowie, o personagem principal se chama John Dory e ele, ao chegar, envolve-se com uma mulher que tem um filho adolescente que vive de pequenos roubos e golpes. O grande objetivo do extraterrestre é arrumar dinheiro para construir uma nave espacial e voltar para o seu planeta, daí ele aceita o que aparecer de trabalho.

O elenco inclui atores como Lewis Smith (John Dory), Beverly D’Angelo (Eva Smith, a namorada terráquea do personagem principal) e Robert Picardo (um agente governamental, Richard Morse). A pergunta de um milhão de dólares é: vale assistir? Ué, vale – mas tendo em mente que tentaram fazer um filme de Sessão da Tarde com um épico da ficção científica.

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