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Albert Hammond Jr (Strokes): “Nosso disco ‘Angles’ foi uma bagunça”

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Albert Hammond Jr (Strokes) solta oito faixas novas de seu próximo disco solo

RESUMO: Albert Hammond Jr revela que Angles foi gravado três vezes pelo The Strokes e diz que a primeira versão, mais crua e gravada ao vivo, era superior ao álbum lançado em 2011.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Todo mundo sabe que Angles, lançado em 22 de março de 2011, nunca foi exatamente o disco mais consensual do The Strokes. Agora, Albert Hammond Jr resolveu explicar por quê. Em participação no podcast de Rick Rubin, o guitarrista contou (via NME) que o quarto álbum da banda teve uma gestação tão caótica que acabou sendo gravado três vezes. E a primeira versão, segundo ele, era justamente a melhor.

A ideia inicial era registrar um disco cru, direto e cheio de energia, ao lado do produtor Gus Oberg. “Soava mais como os Rolling Stones. Era muito legal. Todo mundo na mesma sala, no estúdio de ensaio, tocando ao vivo, com um som sujo. Mas acho que tivemos medo de lançar aquilo”, contou ele.

Só que essa versão nunca viu a luz do dia. O grupo resolveu recomeçar, tentando deixar tudo mais refinado. Hoje, Hammond Jr acredita que esse foi justamente o erro. “Depois eu fiquei pensando: ‘Poxa, queria que tivesse sido daquele jeito’. Acho que tentamos polir demais uma coisa que não precisava”, disse.

Parece suficiente pra você? Pois pros Strokes não foi: a banda ainda refez Angles outras duas vezes. Uma delas aconteceu no Avatar Studios, em Nova York, ao lado de um produtor cuja parceria não durou muito. “Gastamos muito dinheiro. Ficávamos lá das onze da manhã às nove da noite. Parecia um expediente de trabalho”, disse.

Dessa fase inteira, apenas Life is simple in the moonlight acabou sobrevivendo no disco, produzida por Joe Chiccarelli. Todo o restante voltou para a prancheta. Outro ingrediente importante para o caos foi a ausência de Julian Casablancas. Enquanto os outros quatro integrantes gravavam as bases, o vocalista estava em turnê promovendo seu álbum solo Phrazes for the young (2009) e registrou seus vocais separadamente depois.

“Éramos só nós quatro. As músicas já existiam, mas estávamos trabalhando como banda sem ele. Foi a primeira vez que a voz dele não estava presente quando alguém desafiava nossas ideias dentro da sala”, disse.

Segundo Hammond Jr, houve até um momento que resume bem o clima das sessões. Casablancas apareceu no estúdio, gravou cerca de dez minutos de voz, ouviu um comentário do produtor e simplesmente foi embora. Os vocais acabaram sendo finalizados mais tarde no estúdio do próprio guitarrista.

Na avaliação dele, o disco também sofreu por carregar expectativas impossíveis. Depois de cinco anos sem lançar um álbum, todo mundo esperava o grande retorno do The Strokes — e isso acabou pesando demais.

“Como o grande retorno de uma banda que tinha aquela empolgação quando tinha 21 anos, era inevitável que o disco parecesse sem força, porque ele está completamente espalhado em todas as direções”, contou. Nem tudo, porém, entrou na lista de arrependimentos. Hammond Jr citou Games como uma faixa de que ainda gosta bastante pela produção. “Do ponto de vista da produção, ela é muito legal”.

Albert enxerga o momento atual da banda de forma completamente diferente. Ele chamou Reality awaits, lançado na semana passada e produzido por (adivinhe quem?) Rick Rubin, de seu disco favorito do The Strokes.

“Não consigo explicar como esse álbum é bonito. Eu escuto até o fim e tenho vontade de voltar imediatamente para a primeira faixa. Ele cresce a cada audição e fica absurdamente envolvente”, disse. Aliás, nós resenhamos Reality awaits aqui.

De fato, Angles nunca foi mesmo o disco que os Strokes quiseram fazer – e não é só Albert que tem dores de cabeça por causa desse álbum. Em 2011, o guitarrista Nick Valensi também falou abertamente sobre sua insatisfação com o processo de gravação de Angles.

“Foi horrível, simplesmente horrível. Trabalhar de forma fragmentada, sem o vocalista presente”, contou. “Uns 75% deste álbum parecem ter sido feitos juntos, mas o restante ficou solto, como se alguns de nós estivessem recolhendo os pedaços e tentando terminar um quebra-cabeças”.

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Joy Brandt: ritmos cubanos e pernambucanos em “Cuba capibaribe”

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Joy Brandt - Foto: Mani Carneiro / Divulgação

RESUMO: Em Cuba Capibaribe, a pernambucana Joy Brandt mistura salsa, merengue, cumbia e ritmos nordestinos. O single antecipa seu primeiro álbum, previsto para 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Mani Carneiro / Divulgação

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E se o rio Capibaribe, que corta o Recife, desembocasse em Cuba? A cantora e compositora pernambucana Joy Brandt (ou JØY Brandt, como estiliza) imaginou esse encontro em Cuba Capibaribe, novo single que mistura salsa, cumbia, merengue e ritmos cabo-verdianos com referências da música nordestina. A faixa antecipa o primeiro álbum autoral da artista, previsto para 2027, e ganhou um clipe dirigido por Mani Carneiro.

“É salsa-merengue, mas com zabumba, cavaquinho e guitarra. E carrega no nosso imaginário as paisagens cubanas banhadas pelo rio Capibaribe”, explica a cantora. A gravação tem produção de Barro e Guilherme Assis, que também tocam baixo, violão, guitarra e cavaquinho. Gilu Amaral assume as percussões, ajudando a dar à música sua levada dançante.

JØY divide sua vida entre o Brasil e o Canadá e vem lançando músicas autorais desde 2022. Seu trabalho parte de ritmos como maracatu, frevo, forró e baião, mas também abre espaço para influências afro-latinas e sonoridades mais próximas do pop.

Em 2025, a cantora venceu o Prêmio da Música de Pernambuco, na categoria Melhor Single de MPB, com A calma acalma. O clipe da faixa também foi selecionado pelo programa Caça joias, do Canal Futura/Globoplay, em agosto de 2026. No mesmo ano da premiação pernambucana, ela recebeu o Prêmio Profissionais da Música como Melhor Artista MPB – Nordeste.

Nos palcos, JØY já abriu shows dos Gilsons e de Jota.Pê em turnês pelo Canadá, passando por cidades como Toronto, Vancouver e Montreal. Também participou do Carnaval de Recife e Olinda em 2026.

Cuba Capibaribe faz parte da sequência de lançamentos que a cantora vem preparando antes de seu primeiro álbum, marcado para o ano que vem.

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Felicidade brilha no ar: Everything But The Girl anuncia novo disco

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Everything But The Girl - Foto: Edward Bishop / Divulgação

RESUMO: Everything But The Girl anuncia Blue reservoir para fevereiro de 2027 e lança Young and dumb, balada acústica com influência de bossa nova e folk.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Edward Bishop / Divulgação

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Se a sua maior lembrança da história do Everything But The Girl eram aquelas fotos em que Tracey Thorn e Ben Watt pareciam estar meio chateados um com o outro – ou cada um imerso em seu inferno particular – os dois voltaram na maior felicidade na nova foto de divulgação, que anuncia o single Young and dumb e o álbum que tá vindo, Blue reservoir (prometido pelo selo Buzzin’ Fly/Virgin para 19 de fevereiro de 2027).

Bom, Tracey tá bem feliz – Watt olha para ela com uma expressão do tipo “você, hein?”, mas parece bem alegre com o novo disco. Fato é que a ótima Young and dumb parece anunciar um discaço. Na música, Tracey canta versos como “sim, estou mais velha e mais sábia / sei mais do que sabia antes / mas eu abriria mão de toda a sabedoria para ser jovem e boba de novo” em memória daquela antiga versão de você mesmo / mesma que podia cometer um monte de otarices, mas era mais autoconfiante e saía fazendo o que dava na telha.

O EBTG tem história, e muita: de 1982 para cá, são mais conhecidos por uma fórmula de sophisti-pop que todo mundo imitou (no Brasil, são muitos os filhotes do casal). Dá para perceber a sensualidade do som deles de longe, mas o principal é que Tracey e Watt estão acostumados a transformar sentimentos em versos, e a trabalhar numa linha divisória entre a música reflexiva e o pop dançante. Isso tudo aí combinado não tem como não render canções inesquecíveis.

O Everything But The Girl passou um bom tempo longe dos estúdios depois de Temperamental (1999) – um ótimo disco, por sinal. Tracey Thorn e Ben Watt seguiram cuidando de suas carreiras solo até que, em 2023, resolveram retomar a parceria com Fuse, álbum que recuperava a ligação da dupla com a música eletrônica e as pistas de dança. No ano passado, veio outra novidade: os primeiros shows em 25 anos, numa série de apresentações com ingressos esgotados no MOTH Club, uma pequena casa londrina. Foi justamente essa experiência que acabou dando origem a Blue reservoir, novo álbum da dupla.

“Havia uma intensidade e simplicidade nos shows do MOTH que nos remeteu ao início da nossa carreira. Direto, enraizado no violão e na voz, com alguns toques extras. Fazia muito tempo que não estávamos nesse universo, e a sensação era de algo novo e autêntico”, conta Tracey.

Ben, por sua vez, resolveu comprar um violão espanhol de cordas de nylon e redescobriu uma maneira de compor que havia deixado um pouco de lado. “É o som de grande parte da música com a qual me identifiquei quando era mais jovem, e eu nunca tinha tido um. Tornou-se um verdadeiro trampolim emocional para mim. Encontrei uma voz que achava ter perdido”, explica.

Young and dumb, vale dizer, é uma balada acústica com levada de bossa nova – e o banquinho-e-violão é uma das influências que aparecem no disco, ao lado do folk inglês e de ritmos latinos. Boa parte de Blue reservoir foi gravada ao vivo no RAK Studios, em Londres, com Rex Horan no baixo, Evan Jenkins na bateria e o londrino filho de brasileiros Fabio de Oliveira na percussão.

Há até uma ligação familiar com o passado da dupla: Fabio é filho de Bosco de Oliveira, músico que teve influência importante na sonoridade de Eden, álbum de estreia do EBTG, lançado em 1984. Outra participação familiar é a de Blake Watt, filho de Tracey e Ben e integrante da banda indie-folk Family Stereo, que toca em duas faixas. Depois das sessões em estúdio, Ben acrescentou alguns detalhes às gravações em casa.

O clipe de Young and dumb também recupera o MOTH Club. Com roteiro criado pela própria dupla e direção de Edward Bishop, o vídeo foi filmado em plano-sequência, com algumas surpresas pelo caminho. A música, por sua vez, fala da passagem do tempo sem grandes dramas, numa abordagem que combina bastante com dois músicos que já passaram dos 60 anos e parecem interessados em reencontrar algumas coisas que deixaram para trás.

Abaixo, você confere Young and dumb, a capa de Blue reservoir e a lista de faixas.

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Capa de Blue reservoir, álbum do Everything But The Girl

LISTA DE MÚSICAS:
01. Forward
02. Scala
03. Young and dumb
04. Do what you can
05. Christmas gone
06. Courage mon brave
07. The round and round
08. Fork in the road
09. Good hope
10. The great unknown

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Guided By Voices anuncia 44º disco e ainda rende boas fofocas

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Ouvimos: Guided By Voices, "Welshpool frillies"

RESUMO: Guided By Voices anuncia Speculation and gossip, seu 44º álbum, para janeiro de 2027. Robert Pollard aposta em gravações remotas, pós-punk e surrealismo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Sarah Zade Pollard / Divulgação

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O Guided By Voices pode lançar dois, três discos por ano e, mesmo assim, sempre encontra um jeito de surpreender com sua mistura de power pop, pós-punk e referências a The Who e Kinks. Agora, a banda anuncia seu 44º álbum de estúdio, Speculation and gossip, que chega em 22 de janeiro pelo selo Rockathon Records. Robert Pollard conta que o surrealismo e o dadaísmo tiveram bastante influência nas letras e revela outra novidade: desta vez, o Guided By Voices funcionou praticamente como um projeto à distância, com cada integrante gravando sua parte separadamente.

“Voltamos a fazer tudo remotamente, com cada integrante criando sua própria abordagem para o som, fidelidade e instrumentação, em vez de tocarmos todos juntos”, diz Pollard. “Eu queria uma separação mais audível dos instrumentos e, no geral, buscava mais diversidade nas estruturas das músicas, estilos musicais e conteúdo lírico. Também queria que fosse muito mais leve, menos pesado no tom geral do que Crawlspace of the pantheon (disco mais recente deles, resenhado aqui). Neste, eu apenas dei a eles referências de gênero. Pós-punk, pop, prog, psicodelia ou combinações”.

O tal lance do surrealismo não vem por acaso – Pollard é colagista e recentemente fez uma exposição bem grande de suas obras. “Eu trabalho com colagens todos os dias. É um vício. Há lançamentos especiais em produção para 2027, mas ainda não posso revelá-los”, conta (via Rolling Stone). O cantor também tem desenvolvido uma uma obsessão pelo filme Era uma vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino. “Assisti várias vezes”, diz ele. “Quase decorei os diálogos como se fossem do Rocky Horror Picture Show“.

Por trás do nome Speculation and gossip (“especulação e fofoca”) deve haver algum tipo de ajutoparódia – afinal, o GBV, mesmo não sendo uma banda mainstream, tem lá seus momentos de fofoca. Recentemente uma entrevista do guitarrista Bobby Bare Jr a um podcast deu início a especulações de que o grupo havia acabado – na verdade, a transmissão da conversa do músico estava tão ruim que tudo acabou picotado a ponto de virar “estamos acabando. Você nunca vai ver um show. Terminou. Nunca mais vamos tocar” (ele quis apenas dizer que a banda continuava gravando, embora não houvesse planos de novos shows).

Um outro causo da história do Guided By Voices diz respeito à ocasião em que o baterista Kevin Fennell resolveu colocar sua bateria à venda no eBay por US$ 55 mil. A justificativa era o valor histórico do instrumento, usado em gravações clássicas da banda. Pollard ficou puto, enviou um comunicado dizendo que Fennell nem sequer estava mais na banda, e vazou um troca de e-mails bem amarga entre os dois (com direito a Pollard chamando o músico de amador e dizendo coisas como “não se iluda, Kevin, achando que as pessoas se importavam com quem estava atrás daquela bateria”).

Seja como for, Speculation and gossip já rendeu até Designed for use, o poderoso primeiro single do disco. O humilde Pollard declarou que a faixa é uma “declaração sobre minha própria versatilidade e resistência em compor músicas e gravar discos nos últimos 45 anos. Ou poderia se aplicar a qualquer experiência humana. É um hino”. Vale dizer que a música é boa demais, de verdade. Confira abaixo o single, a capa do disco e a lista de faixas.

Capa do disco Speculation and gossip, do Guided By Voices

LISTA DE FAIXAS:
01. My cartoon
02. Satan and the new temptations
03. Kicking circles
04. Path of the razor
05. Designed for use
06. Repenthouse
07. Light through the window
08. That’s the kind of guy I am
09. 63 cry babies
10. Answer asparagus
11. Mr Skull
12. Otherworldly bathroom fixtures
13. Stupid question
14. All things decided
15. Town of my day
16. Solar systems

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