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Tom Morello quer “um lugar especial no inferno” para artistas que não se manifestam politicamente

“Existe uma camada extra de inferno para as pessoas que, em momentos de grande injustiça, se autocensuram e permanecem em silêncio quando deveriam ter se manifestado, por medo de algum troll da internet”, manda na lata ninguém menos que Tom Morello, que lançou recentemente o single Adjourn it, junto com Serj Tankian (System Of A Down) e seu filho Roman.
A música é definida por ele como “um clamor por justiça em tempos injustos, inspirada pela perseguição de imigrantes em todo o país e pela resistência heroica à crescente onda do fascismo; já está na hora de vibrar pela liberdade, justiça e igualdade”. E logo na abertura, a faixa tem frases como “nunca acreditem nas mentiras racistas deles”.
A declaração do guitarrista apareceu numa entrevista dele à revista Metal Hammer, em que ele disse uma coisa que todo mundo já sabe, mas pouca gente comenta: “Quando as pessoas dizem que os músicos não devem se envolver em política, significa que elas discordam das suas posições políticas”, afirmou.
“No momento em que você escreve uma música que concorda com a política deles, de repente todos te apoiam”, disse. “Então, primeiro, é muita hipocrisia, mas segundo, eu também penso: por que você deveria abrir mão do seu direito à liberdade de expressão no trabalho que você faz? Só porque isso ofende alguém?”.
“Acho que o contrário é que é verdade”, responde. “Você prejudica a si mesmo e ao seu tempo ao censurar quem você é no seu mundo. E não apenas como músico, mas também no seu trabalho como jornalista musical, gerente de turnê ou motorista de ônibus. Você não deve deixar para trás quem você é e no que acredita”.
Recentemente, Morello confirmou nomes como Foo Fighters, Joan Baez e Bruce Springsteen para seu evento Power to the People. O festival, anunciado como “um dia de amor, paz, justiça e música”, está agendado para 3 de outubro de 2026, no Merriweather Post Pavilion em Columbia, Maryland.
Outros nomes já confirmados incluem Dave Matthews, Jack Black (com uma banda que inclui Roman, filho de Tom, na guitara, além de Revel Ian, filho de Scott Ian, do Anthrax, no baixo), Dropkick Murphys, Cypress Hill e Killer Mike – além de Taylor Momsen, vocalista do Pretty Reckless, Serge Tankian (System of a Down), Grandson, The Neighborhood Kids, Shephard Fairey (em set como DJ), Daryl “DMC” McDaniels, Brittany Howard (Alabama Shakes), The Linda Lindas e Matt Cameron, ex-baterista do Pearl Jam. O próprio Morello também sobe ao palco.
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Boa parte dos artistas envolvidos no evento já se posicionou publicamente contra o presidente norte-americano Donald Trump. Mesmo assim, Morello afirma que o Power to the People não tem alinhamento partidário. Segundo ele, a proposta é destacar “o poder que pessoas comuns têm quando se unem – através da música, da arte, da comunidade e da ação – para ajudar a moldar o país e o planeta no dia da eleição e também depois dele”. O guitarrista também descreveu o festival como “uma celebração de ativismo, criatividade e esperança”. Os ingressos do festival já foram todos vendidos.
E Adjourn it vai estar no próximo álbum solo sem título de Morello, que vai sair pela gravadora independente Mom + Pop. A data de lançamento ainda não foi definida.
Foto: Divulgação
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Godspeed You! Black Emperor: lenda do post rock vem ao Brasil em novembro

Se você andou lendo por aí que a banda x é muito “misteriosa”, pode apostar que há grupos bem mais misteriosos que esse ai – e um deles tá vindo ao Brasil. O selo e produtora Balaclava Records anuncia a vinda inédita ao país da banda canadense Godspeed You! Black Emperor, um dos nomes mais influentes no post rock.
O Godspeed existe desde 1994 e, na real, combina mistério com atenção e presença – como a banda se apresenta ao vivo, existem fotos dos integrantes por aí, inclusive do criador do grupo, Efrim Menuck. Só que a banda vai na linha do anti-culto à personalidade: só divulgaram duas fotos de divulgação até hoje e concedeu poucas entrevistas, todas por escrito e respondidas coletivamente pela banda. Vai procurar redes sociais deles? A banda não tem nenhuma, e também nunca lançou clipes. O Godspeed You! também funciona como um coletivo, com vários músicos trabalhando ao mesmo tempo – na prática não é “apenas” uma banda comum.
Após um hiato de sete anos que começou em 2003, o Godspeed retornou aos palcos em dezembro de 2010 (como curador do festival britânico All Tomorrow’s Parties), e o período pós-reunião da banda já dura mais de uma década. Em outubro de 2024 saiu o nono álbum do grupo, e o quinto após o retorno, NO TITLE AS OF 13 FEBRUARY 2024 28,340 DEAD (resenhamos aqui).
O título do álbum refere-se ao número relatado de mortes de palestinos por ataques israelenses entre 7 de outubro de 2023 e 13 de fevereiro de 2024 durante a invasão israelense de Gaza – números fornecidos pelo Ministério da Saúde de Gaza.
Nos shows, os longos temas do grupo são acompanhados por projetores de 16mm exibindo colagens de loops e rolos de filmes analógicos sobrepostos, transformando tudo em uma experência, digamos, imersiva (palavra gasta, mas que define bem o que costuma rolar).
O show do Godspeed You! Black Emperor rola em 23 de novembro de 2026, uma segunda-feira, na Audio, em SP. Mais infos abaixo.
SERVIÇO:
Balaclava Records apresenta: Godspeed You! Black Emperor em São Paulo
Data: 23 de Novembro de 2026, segunda-feira
Local: Audio
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 694 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-100
Horários: Portas 20h / Show 21h30
Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal
Ingressos aqui
Ponto de venda físico (sem taxa de conveniência): Takkø Café
R. Maj. Sertório, 553 – Vila Buarque – São Paulo/SP
Horários: Terça à Sexta, das 8h às 17h / Sáb, dom e feriados, das 9h às 18h.
Foto: Divulgação
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Goromax: stoner paraibano cantado em português, com dois singles

Ainda é só o começo pro Goromax. A banda paraibana surgiu ano passado com a ideia de fazer stoner rock unido a referências de metal e hard rock (uma receita associável diretamente ao começo do estilo, com bandas como Masters Of Reality e Kyuss). A ideia é soar pesado, mas ao mesmo tempo em que rola uma busca pela experimentação, com guitarras e baixos afinados da forma mais grave possível.
Kobal Ferrer (vocalista e guitarrista), Uyl Aires (baixo e backing vocal) e Thamires Ellis (bateria) também exploram climas bem graves nas letras, que falam de temas como “ansiedade, valores humanos, degradação social, colapso emocional”, sempre do lado da introspecção. E nada de letras em inglês: o lance do trio é compor em português mesmo.
Por enquanto, Kobal, Uyl e Thamires têm só dois singles. O mais recente, Vai além, tem clima metálico e e épico, e abre com uma introdução bem ligada a Children of the grave, do Black Sabbath – embora se estabilize num andamento bem mais lento. Ataque, que abriu os trabalhos do grupo, tem metal, groove e punk misturados, e clima trevoso na letra e na melodia. Além dos singles, tem um EP do trio vindo aí: em maio, a banda avisou no Instagram que o disco já estava sendo finalizado.
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Barragem encerra hiato e lança “Pinole”, inspirada por jornada indie nos EUA

Depois de quase dois anos em pausa, a banda paulista Barragem voltou com a inédita Pinole. O single nasceu a partir da experiência da banda numa turnê independente pela Califórnia, realizada em 2024 de maneira improvisada e autofinanciada.
Na época, Isabella Velleda, Guilherme Jorge e MX Rosa passaram por cidades das regiões de San Francisco e Los Angeles, dividindo shows com bandas locais e se aproximando de iniciativas ligadas a acesso à cultura e combate à desigualdade. A viagem acabou influenciando diretamente o rumo da banda depois da volta ao Brasil.
“O momento da música independente é de isolacionismo e tribalismo. Parece que cada banda está cada vez mais fechada em si mesma, com menos troca e menos construção conjunta. Mas voltamos da turnê com os olhos num futuro onde a comunidade e o suporte mútuo voltarão a ser o foco”, explica Guilherme Jorge.
Musicalmente, Pinole mistura country com vibe punk-pop e estradeira – há até cordas e metais. MX Rosa diz que a faixa foi ganhando influências diferentes ao longo do processo de composição e gravação. “A afinação da guitarra foi inspirada no banjo americano, a bateria incorpora diferentes elementos de percussão, e ao longo de um ano e meio entre a composição e a gravação, tem mais influências do que dá pra lembrar”.
O clipe da música também usa imagens registradas pela própria banda durante a viagem aos Estados Unidos, com edição de Vitor Formagio. “Meu interesse pelo Green Day me levou a visitar e criar amizades na Bay Area, região de onde eles vieram. Depois disso, a ideia de a Barragem tocar por lá não pareceu tão distante”, relembra Isabella.
“Nos hospedamos com músicos locais e recebemos muita ajuda para realizar os shows. Foi esse senso forte de comunidade e engajamento que nos levou a compor a música e entrar em pausa, para entender o que realmente queríamos como banda. Agora, sentimos que já era hora de voltar”, completa.
Pinole foi gravada no Urgent Studios, em São Paulo, com produção de Luke Mello. A faixa também tem participações de Ana Laura Zanetti no violino, Matheus Monteiro na viola e Robert Magalhães no trompete. “Essa foi nossa primeira vez compondo e arranjando para outros músicos. Foi um desafio, mas com certeza um passo à frente na nossa evolução como banda. E os músicos parceiros fizeram um ótimo trabalho”, ressalta MX.





































