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Crítica

Ouvimos: Gabo Islaz – “Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração”

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Resenha: Gabo Islaz - “Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração"

RESENHA: Gabo Islaz estreia em carreira solo com Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração, álbum de indie rock lo-fi que transforma memórias, afetos e nostalgia em canções de forte carga poética.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Chupa Manga Recs
Lançamento: 26 de maio de 2026

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Álbum curto e bastante poético, Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração marca a estreia solo do gaúcho Gabo Islaz, em clima de caminhos percorridos e recordações de amigos e familiares queridos. Na capa, o time juvenil do IPE Juniors – time no qual seu avô era treinador – comemora um gol no começo dos anos 2000. Uma época “de transição” em que fotos de papel seriam em breve substituídas pelas imagens das câmeras Cybershot (e pelas fotos meio aguadas dos primeiros smartphones).

  • Ouvimos: Juliano Gauche – A balada do bicho de luz

Esse clima de memória histórica, de coisas que passaram pela gente sem que nos déssemos conta, é a cara do disco de Gabo – em meio a uma sonoridade de puro rock alternativo lo-fi, em que guitarras “batidas” misturam-se a synths e a vocais bastante despojados. A variedade musical do disco inclui flertes entre indie rock e bossa nova (Solzinho), baladas com clima oitentista (Me deixei), sons com clima mutante e 60’s (Abraços, emoções e Dente de leite), rock triste (as baladas Nocaute, A ternura e Mapa-múndi).

E tem também jangle pop ruidoso e psicodélico (Olá, meu amigo, inspirada no canto de torcida argentina Mi buen amigo, e Retrato pra esquecer pts 2 e 3, sendo que a “parte 3” mergulha na eletrônica lo-fi). Nas letras, as memórias ganham aspecto de cartum, ou anotação de diário – já nas imagens de Nocaute, rola uma crueza amorosa bem louca, do tipo que você não sabe se o amor deu ruim ou não (“estou pensando em você / tal qual um boxeador / que tomou no queixo e tonteou”). Mas dá pra imaginar o bom e ruim acontecendo ao mesmo tempo.

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Ouvimos: Mega Fäuna – “Softmore”

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Resenha: Mega Fäuna – “Softmore”

RESENHA: Mega Fäuna lança Softmore, álbum de dream pop e neo-psicodelia que mistura guitarras etéreas, synth pop e letras sobre feminilidade, amizade e liberdade, em um dos discos mais delicados de 2026.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Blossom Rot Records
Lançamento: 19 de março de 2026

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Se você for no mais completo desaviso, pode ser uma tarefa complexa procurar a banda australiana Mega Fäuna no Google – até porque tem um software chamado Megafauna e o disco delas se chama Softmore. Passando o susto, prepare-se para descobrir um dos discos mais delicados de 2026: dream pop com riffs e guitarras ecoando ao lado dos vocais, letras sobre feminilidade e amizade, e privilégio das texturas sobre outros detalhe da composição. Ouvindo canções como Lifelike, Kiss the sky e o synth pop minimalista Sleep deceit, você fica curioso / curiosa para entender de onde vêm todos os vocais, e para definir o que é som e o que é sombra musical.

  • Ouvimos: Alex Cameron – Late to set

Em alguns momentos, o som delas lembra Smiths, só que com Lou Reed na guitarra – ou quem sabe uma versão mais neo-psicodélica de bandas como The Primitives. As duas hipóteses surgem em faixas como Heartbeat, mas ainda há uma faceta bem sombria na música do Mega Fäuna, como no clima experimental e hipnótico de Make believe e a tristeza + esperança narradas (a cara de Lou Reed!) de The subtle knife is a knife used to cut through different realities. Uma música em que “a faca sutil” do romance de mesmo nome de Phillip Pullman serve para cortar o universo e ir para uma realidade diferente.

A faixa-título de Softmore meio que resume a viagem sonora do disco: psicodelia sinuosa, ligeiramente balançada e ligeiramente britpop, lembrando bandas como Stone Roses e The Verve. Por acaso, a banda a definiu como “uma ode a ficar acordada a noite toda, jogar a cautela para o alto, sentir-se completamente livre e abandonar as inibições”. Mas ainda tem o som meio derretido de Unheld, o pós-punk doce de BB there e muita coisa viciante nesse disco.

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Ouvimos: Sloe Noon – “Principles in the way of progress” (EP)

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Resenha: Sloe Noon – “Principles in the way of progress” (EP)

RESENHA: Sloe Noon lança Principles in the way of progress, EP de alt-rock que mistura indie, punk e pós-punk em canções confessionais sobre identidade, frustrações, família e amadurecimento.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Dalliance Recordings
Lançamento: 20 de março de 2026

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O Sloe Noon vem da Alemanha, é um projeto musical criado por uma cantora e compositora chamada Anna Olivia Böke, e faz uma espécie de alt-rock anos 1990 revisitado – aquela onda vibe confessional + guitarras pesadas + origens no soft rock que deu sentido a várias carreiras na época, e dá até hoje – mas cruzado com estilos como punk e pós-punk.

Tem ainda um componente indie anos 2000 forte no som dela, que no EP Principles in the way of progress faz de canções como Principle I algo que conversa com fases iniciais dos Arctic Monkeys. Mesmo sendo um som marcado pelo ensimesmamento e pela vontade de jogar todo o peso da vida pra longe. E mesmo que faixas como Last one home invistam num clima mais punk, com batidas ágeis, riffs econômicos e baixo guiando a melodia (opa, nessa música tem até uma virada com som de bateria Simmons, lembra disso?).

Youthless, useless, por sua vez, cruza riffs, batidas punk e vocais distorcidos em nome de uma das músicas mais sérias e confessionais do EP (“sou filha de pais divorciados, preencho as rachaduras como cola / espere que eu voe e eu garanto que vou te decepcionar / me dê rosas e eu te darei espinhos”, canta Anna). I happen to the world and it happens to me, por sua vez, traz algo entre New Order e o Foo Fighters de The colour and the shape (1997), enquanto W, fechando o EP, põe violões, vocais tristes e ambivalência emocional na justaposição de climas.

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Ouvimos: Bruno RK – “Volta volta”

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Resenha: Bruno RK – “Volta volta”

RESENHA: Bruno RK estreia solo com Volta volta, álbum que mistura shoegaze, lo-fi, psicodelia, MPB e folk em canções sobre amor, memória, trabalho e mudanças, com produção de estética bedroom.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 16 de junho de 2026

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Direto de Sorocaba (SP), Bruno RK, vocalista e guitarrista do trio de rock alternativo Véu Sublime, estreia solo com Volta volta. Um disco em que o shoegaze ganha uma aparência de rock lo-fi e psicodélico, feito quase sempre para confundir quem se atreve a dar uma definição muito exata, já que Bruno põe micropontos de MPB, folk e até jazz na parada.

As letras parecem falar de um amor que se foi e deixou, mais do que marcas, histórias pessoais na vida de alguém. O dream pop + pós punk de Certeza de nada (Acordar dos sonhos) se torna mais leve por causa do som de uma pandeirola. A faixa-título fala em voltas, divergências, consequências, e insere suíngue, sons de sintetizadores antigos e um clima de música gravada em fita K7 velha, algo bem bedroom.

Demitido traz um personagem se defrontando com a descartabilidade do mundo do trabalho: palavras iguais numa demissão, um fim do mês que nunca chega, tudo embalado num clima shoegaze e em versos como “sinto que nada vai mudar / mas se mudar que não seja pra pior”. Elegy é city pop com clima de cidade decadente, lembrando o som de nomes atuais como Mesh Kimono. E a segunda metade de Volta volta é mais desafiadora, com o jangle pop de Tanto me mudou, a valsa indie Maniacamente sumido e a psicodelia hipnótica e instrumental de Seu Chico morreu de esquizofrenia.

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