Cultura Pop
O outro lado do indie anos 80 de Manchester: New Hormones

Tem toda uma história obscura do indie rock de Manchester nos anos 1970/1980 que está escondida na internet. O site newhormonesinfo.com conta toda a história do selo New Hormones, que foi montado pela turma da banda punk britânica Buzzcocks e por seu empresário Richard Boon em 1977, apenas para lançar o primeiro EP do grupo, “Spiral scratch”, que saiu em janeiro daquele ano – e está fazendo quarenta anos agorinha, portanto.
Naquele ano, o selo acabaria lançando apenas o EP, e um fanzine de colagens dos artistas Linder Sterling e Jon Savage, “The secret public”, que viraria raridade no meio punk britânico da época – os Buzzcocks, já contratados estavam ocupados com as turnês e Boon estava sem dinheiro e tempo.
Mas entre 1980 e 1982, o empresário conseguiria juntar um montante suficiente para lançar 21 discos e três fitas cassette, de bandas como Ludus, Dislocation Dance, Diagram Brothers (grupo cujos integrantes usavam o sobrenome “diagram” – alguns deles dividiam o tempo tocando em bandas como James e Pale Fountains) e God’s Gift. ConfIra aí embaixo álbuns dessas bandas (confira parte da discografia do selo aqui).
Naquele comecinho, da época dos Buzzcocks, para castigar ainda mais o coração de Boon, grupos como Gang Of Four, Cabaret Voltaire e The Fall mandaram demos e quiseram (muito) ter discos lançados pela gravadora. As duas primeiras bandas abriram shows para o Buzzcocks e acabaram contratadas por outros selos independentes. Para o Fall, Boon conseguiu pelo menos financiar o primeiro EP, “Bingo-Master’s Break-Out!”, de 1978 – que mesmo assim saiu pelo selo Step Forward.
A verdade é que o lance do New Hormones era do it yourself ao extremo, sem muito planejamento, ao menos na primeira fase. Quando Boon e os Buzzcocks montaram o selo, não sabiam nem como lançar um disco. “Ninguém sabia. Fomos pesquisar e vimos que precisávamos de umas 600 libras”, conta Boon, que conseguiu dinheiro para “Spiral scratch” com o pai de Pete Shelley, guitarrista do grupo, e mais dois amigos. Boon conta em texto do site que o disco – que realmente inspirou uma leva de bandas a gravarem seus próprios álbuns sem intermediários – fez sucesso inesperado a ponto de a banda, que havia prensado só mil cópias, precisar mandar fazer mais. A Virgin Megastore de Manchester pediu mais discos, a Rough Trade pediu mais, e por aí ia.
Enquanto o New Hormones precisava dar um tempo – chegaram a planejar um segundo EP dos Buzzcocks com “Orgasm addict”, “Something else” e “16”, mas a falta de grana melou tudo – outro selo e outro estilo musical dominavam a cena de Manchester, e eram a Factory Records e os climas gélidos do pós-punk. E, sim, a Factory fez (muita) sombra em cima do New Hormones. Pessoas ligadas ao selo de Boon chegavam a chamar a Factory de “fat tory” (referência ao Partido Conservador britânico). Quando o selo retomou atividades nos anos 1980, fez vários lançamentos mas teve que lidar com esse cenário.
Algumas das músicas lançadas pelo New Hormones ressurgiram no CD da série “Auteur labels” (com pérolas de selos conhecidos ou desconhecidos do indie rock) da gravadora LTM Recordings, dedicada à gravadora. Lá tem “Boredom” (Buzzcocks), “Discordo” (Diagram Brothers), “The presentation of the self in everyday life” (faixa solo de Howard Devoto), “Hugo Blanco” (Ludus) e outras.

“Acho que New Hormones tinha bandas melhores que as da Factory”, afirmou o baterista do Ludus, Graham “Dids” Dowdall. “Era um selo melhor que a Factory, sem dúvida”, diz Ian Runacres, frontman do Dislocation Dance, afirmando também que não havia muita animosidade entre os dois selos: Tony Wilson, chefão da Factory, chegou a financiar equipamento do Dislocation durante uma crise do New Hormones (Boon, por sinal, afirma que era um amigo bem próximo de Wilson).
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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4 discos
4 discos: Ace Frehley

Dizem por aí que muita gente só vai recordar de Gene Simmons e Paul Stanley, os chefões do Kiss, quando o assunto for negócios e empreendedorismo no rock – ao contrário das recordações musicais trazidas pelo nome de Ace Frehley, primeiro guitarrista do grupo, morto no dia 16 de outubro, aos 74 anos.
Maldade com os criadores de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, claro – mas quando Frehley deixou o grupo em 1982, muita coisa morreu no quarteto mascarado. Paul Daniel Frehley, nome verdadeiro do cara, podia não ser o melhor guitarrista do mundo – mas conseguia ser um dos campeões no mesmo jogo de nomes como Bill Nelson (Be Bop De Luxe), Brian May (Queen) e Mick Ronson (David Bowie). Ou seja: guitarra agressiva e melódica, solos mágicos e sonoridade quase voadora, tão própria do rock pesado quanto da era do glam rock.
Ace não foi apenas o melhor guitarrista da história do Kiss: levando em conta que o grupo de Gene e Paul sempre foi uma empresa muito bem sucedida, o “spaceman” (figura pela qual se tornou conhecido no grupo) sempre foi um funcionário bastante útil, que lutou para se sentir prestigiado em seu trabalho, e que abandonou a banda quando viu suas funções sendo cada vez mais congeladas lá dentro. Deixou pra trás um contrato milionário e levou adiante uma carreira ligada ao hard rock e a uma “onda metaleira” voltada para o começo do heavy metal, com peso obedecendo à melodia, e não o contrário.
Como fazia tempo que não rolava um 4 Discos aqui no Pop Fantasma, agora vai rolar: se for começar por quatro álbuns de Ace, comece por esses quatro.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
“KISS: ACE FREHLEY” (Casablanca, 1978). Brigas dentro do Kiss fizeram com que Gene, Paul, Ace e o baterista Peter Criss lançassem discos solo padronizados em 1978 – adaptando uma ideia que o trio folk Peter, Paul and Mary havia tido em 1971, quando saíram álbuns solo dos três cujas capas e logotipos faziam referência ao grupo. Ace lembra de ter ouvido uma oferta disfarçada de provocação numa reunião do Kiss, quando ficou definido que cada integrante lançaria um disco solo: “Eles disseram: ‘Ah, Ace, a propósito, se precisar de ajuda com o seu disco, não hesite em nos ligar ‘. No fundo, eu dizia: ‘Não preciso da ajuda deles’”, contou.
Além de dizer um “que se foda” para os patrões, Ace conseguiu fazer o melhor disco da série – um total encontro entre hard rock e glam rock, destacando a mágica de sua guitarra em ótimas faixas autorais como Ozone e What’s on your mind? (essa, uma espécie de versão punk do som do próprio Kiss) além do instrumental Fractured mirror. Foi também o único disco dos quatro a estourar um hit: a regravação de New York Groove, composta por Russ Ballard e gravada originalmente em 1971 pela banda glam britânica Hello. Acompanhando Frehley, entre outros, o futuro batera da banda do programa de David Letterman, Anton Fig, que se tornaria seu parceiro também em…
“FREHLEY’S COMET” (Atlantic/Megaforce, 1987). Seguindo a onda de bandas-com-dono-guitarrista (como Richie Blackmore’s Rainbow e Yngwie Malmsteen’s Rising Force), lá vinha Frehley com seu próprio projeto, co-produzido por ele, pelo lendário técnico de som Eddie Kramer (Jimi Hendrix, Beatles, Led Zeppelin) e Jon Zazula (saudoso fundador da Megaforce). Frehley vinha acompanhado por Fig (bateria), John Regan (baixo, backing vocal) e Tod Howarth (guitarras, backing vocal e voz solo em três faixas).
O resultado se localizou entre o metal, o hard rock e o rock das antigas: Frehley escreveu músicas com o experiente Chip Taylor (Rock soldiers), com o ex-colega de Kiss Eric Carr (Breakout) e com John Regan (o instrumental Fractured too). Howarth contribuiu com Something moved (uma das faixas cantadas pelo guitarrista). Russ Ballard, autor de New York groove, reaparece com Into the night, gravada originalmente pelo autor em 1984 em um disco solo. Típico disco pesado dos anos 1980 feito para escutar no volume máximo.
“TROUBLE WALKING” (Atlantic/Megaforce, 1989). Na prática, Trouble walking foi o segundo disco solo de Ace, já que os dois anteriores saíram com a nomenclatura Frehley’s Comet. A formação era quase a mesma do primeiro álbum da banda de Frehley – a diferença era a presença de Richie Scarlet na guitarra. O som era bem mais repleto de recordações sonoras ligadas ao Kiss do que os álbuns do Comet, em músicas como Shot full of rock, 2 young 2 die e a faixa-título – além da versão de Do ya, do The Move. Peter Criss, baterista da primeira formação do Kiss, participava fazendo backing vocals. Três integrantes do então iniciante Skid Row (Sebastian Bach, Dave Sabo, Rachel Bolan), também.
“10.000 VOLTS” (MNRK, 2024). Acabou sendo o último álbum da vida de Frehley: 10.000 volts trouxe o ex-guitarrista do Kiss atuando até como “diretor criativo” e designer da capa. Ace compôs e produziu tudo ao lado de Steve Brown (Trixter), tocou guitarra em todas as faixas – ao lado de músicos como David Julian e o próprio Brown – e convocou o velho brother Anton Fig para tocar bateria em três faixas. A tradicional faixa instrumental do final era a bela Stratosphere, e o spaceman posou ao lado de extraterrestres no clipe da ótima Walkin’ on the moon. Discão.
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