O jornalista e apresentador de TV Alan Whicker (1921-2013) manteve por mais de 30 anos o jornalístico Whicker’s World e se tornou uma figura bastante popular na Inglaterra. Popular a ponto de ter sido parodiado algumas vezes na TV – o Monty Phyton apresentou certa vez no Flying Circus um episódio que se passava numa ilha tropical, Whicker Island, onde todos os habitantes se vestem e agem como Alan Whicker (óculos, cabelo com gel, etc).

O programa era uma espécie de Globo Repórter bem mais saidinho, com Whicker às vezes incorporando bastante os papéis ligados aos temas que abordava, e abordando temas bastante incomuns para os anos 1960 ou 1970, como direitos dos gays, movimento feminista, direitos dos presos, a indústria da cirurgia plástica – sempre contando com uma taxa enorme de famosos da indústria do cinema ou da TV como entrevistados.  A atração começou na BBC e passou por diversos canais, inclusive a Yorkshire Television, onde Whicker era acionista.

Em 1968, Whicker decidiu usar seu talento de investigador para procurar saber uma coisa básica: porque é que a gente tem tanto medo e o que é que move o universo dos filmes de terror. Surgiu um episódio do Whicker’s world com nome bem curioso: Não gosto que meus monstros tenham complexos de Édipo. Whicker foi atrás das origens da representação gráfica do terror, entrevistou roteiristas e diretores e bateu um papo com Christopher Lee, grande nome do cinema assustador, que via no fascínio por filmes de terror algo ligado ao “escapismo, porque é muito diferente da nossa vida normal”.

Whicker também mostrou o treino de musculação de atores que interpretavam monstros em filmes, e foi bater um papo com Screaming Lord Sutch, grande sensação do rock de horror que já gravava discos bem antes de Alice Cooper (e que, diga-se, tinha copiada boa parte da sua atitude de palco do veteraníssimo Screamin’ Jay Hawkins). Sutch aparecia irreconhecível, sem maquiagem com um gato no colo, e depois era mostrado assustado (de brincadeirinha) os fãs na plateia.

Pega aí.

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