Conhecida pelo frio, pelas montanhas e pelas paisagens bucólicas, a região de Visconde de Mauá (RJ) é o lar dos Trutas. Pedro Gracindo (voz e guitarra), Leandro Souto Maior (guitarra), Fabiano Soares (baixo e vocais) e Keila Gomes (bateria) acabam de lançar o primeiro disco, Gosto daqui, em que se dedicam ao rock rural e falam do dia a dia do local, além dos valores de quem vive longe dos grandes centros.

“A maior parte das letras fala de uma vida mais simples, longe da cidade grande”, conta Pedro, que além de compositor é ator e desenvolve trabalhos de teatro em Mauá (ele é filho de Gracindo Jr e neto de Paulo Gracindo, só pra registro). “Além de ser um lugar conhecido pela natureza, Visconde de Mauá também é um lugar místico. Muita gente veio para cá com esse pensamento, lá nos anos 1970. O rock n roll sempre esteve por aqui, só estamos fazendo a nossa parte”.

O som do grupo não é especificamente acústico ou folk, diga-se de passagem. “Nosso som é bastante marcado pelas guitarras, mas usamos muito o slide, aquele cilindro de metal que é usado para tirar um som das cordas deslizando sobre elas, o que cria um ambiente de placidez bucólica, de paz de espírito”, afirma.

O fato de Mauá ser uma cidade pequena e com uma vida cultural muito rica, facilitou o encontro dos quatro – que fizeram ano passado uma residência todos os domingos na Casa Beatles Visconde de Mauá, o restaurante que Leandro mantém com a mulher, Mari Dantas. “Aqui os encontros se potencializam. Um dia o Leandro ouviu uma música que eu tinha feito para um espetáculo de teatro das crianças aqui na região, e ficou muito entusiasmado. Achamos que daí podia nascer alguma coisa”, conta Pedro.

Leandro, que também é guitarrista do Fuzzcas (e já escreveu pro POP FANTASMA), deu a ideia do nome Os Trutas, por sinal. “Aqui em Visconde de Mauá a truta é praticamente onipresente. Todo restaurante tem um prato com truta, tem vários trutários na região, porque é um peixe que se adapta bem às águas geladas dos rios daqui. Todo mundo acha o nome divertido, e isso já é um bom começo para chamar a atenção. Então precisávamos de uma bateria e um baixo, para começar. O Leandro já vinha levando um som com a Keila. Na semana seguinte já estávamos tocando. A gente mal se conhecia. O Fabiano entrou na banda com tudo, todo mundo na fissura de tocar”, explica.

E o som que você escuta em Gosto daqui, só para manter o clima bucólico, foi registrado num estúdio montado num sítio. “A gente não queria ir para cidade pra gravar um disco. Além disso, é sempre complicado pra qualquer banda independente conseguir pagar esses custos de estúdio e tudo o mais. Resolvemos que o ideal seria gravar num lugar isolado, onde pudéssemos passar um tempo focados só no disco. Um casal de amigos cedeu generosamente um sítio na Serra do Palmital, aqui no interior de Minas Gerais, e fomos pra lá. O Marcelo Bezerra comprou nossa loucura e se juntou a nós pra produzir esse disco. Fizemos ao vivo em dois dias. Com pausas para cozinhar, tomar banho e contemplar as pequenas coisas da roça. Acho que foi a melhor coisa que fizemos”, afirma o vocalista.

O grupo já andou fazendo algumas aparições na TV – participou até do programa Tempero de família, no GNT. No dia 13 de fevereiro, eles tocam em Niterói, na Sala Nelson Pereira dos Santos, em São Domingos. Boa chance para conhecer o som deles ao vivo.