Cultura Pop
Al Jourgensen: um doidão no estúdio

Que Al Jourgensen, criador do Ministry, poderia rivalizar certa hora dessas com Keith Richards em matéria de doideira e drogadicção, pouca gente duvida. Mas num determinado trecho da biografia Ministry: The lost gospels according to Al Jourgensen, escrita por ele em parceria com o jornalista Jan Wiederhorn, os limites da sanidade são mandados para a casa do cacete.
Num capítulo intitulado “Escolha seu veneno – Os efeitos de substâncias perigosas numa mente instável”, Al resolve fazer uma discografia selecionada dos discos que gravou na vida, incluindo álbuns importantes do Ministry e dos Revolting Cocks. So que em vez de ele falar das músicas e de como foi a gravação, o músico detalha TODAS AS DROGAS QUE ELE TOMOU EM CADA DISCO. Deve ser o único caso no mundo de “narcodiscobiografia”.
“WITH SYMPATHY” (Ministry, 1983). O que Al usava durante a fase tecnopop do Ministry? “Nada”, ele escreve. “Eu era totalmente careta quando fiz esse disco e talvez isso seja parte do problema. Eu estava na Inglaterra, e nós estávamos gravando ao lado do Paul McCartney. A única boa memória que eu tenho dessa época é que estávamos tocando Asteroids com um beatle no recinto”.
“BIG SEXY LAND” (Revolting Cocks, 1985). “Gravei esse disco em Bruxelas porque eu estava vivendo lá. Primeiramente, fizemos o trabalho todo à base de cerveja e speed. E tinha aquele troço chamado Wiz, que era sulfato de anfetamina. Dava para achar isso em toda a Europa, mas não dava para encontrar na América. E tinha crystal meth, e essa merda me fazia tremer como se eu tivesse Mal de Parkinson. Odeio esse troço. Fizemos Big sexy land logo depois que fizemos Twitch. Fomos de Londres a Bruxelas”.
“TWITCH” (Ministry, 1986). O segundo disco do Ministry, com Al já convertido à podreira sonora. E às substâncias perigosas. “Foi escrito e gravado sob influência de Wiz, que era muito forte na Inglaterra. Por isso o disco se chama Twitch (contração muscular)“.
“THE LAND OF RAPE AND HONEY” (Ministry, 1988). “Nessa época já estávamos vendo a cor da grana, daí eu estava usando um monte de cocaína, heroína e psicodélicos. Não conhecia Timothy Leary ainda, então estava usando aquela coisa básica de papel que você acha pelas ruas. Mas eu ainda era como uma atleta de fim de semana. Quando fizemos o disco seguinte, é que fudeu. Já era um viciado do cacete”.
“THE MIND IS A TERRIBLE THING TO TASTE” (Ministry, 1989). “Estava usando um monte de heroína e coca. E conseguimos uma libra de MDA de uma garota. Estava num saco grande e você pegava um pouco do pó, colocava no dedo e esfregava na gengiva. A próxima coisa que você sabia é que você estava fucking insane“.
“BEERS, STEERS + QUEERS” (Revolting Cocks, 1990). “Eu estava sempre preparado para um rehab de celebridades. Estava usando um lote massivo de heroína, coca, ácido, speed e tudo o que aparecesse. Usamos tudo o que você pode imaginar nesse disco”.
“PSALM 69: THE WAY TO SUCCEED AND THE WAY TO SUCK EGGS” (Ministry, 1992). O melhor disco da primeira fase do Ministry. “Mike Scaccia (guitarrista) e eu viramos viciadíssimos em cocaína e heroína. Tínhamos altos e baixos. E eram grandes quantidades de drogas. Viramos viciados profissionais. Nem sei como conseguimos terminar o disco. Se os riffs de Mike não fossem tão bons, não teríamos conseguido”.
Bom, o rolé de Al com as drogas foram mudando com o tempo. O músico fala a palavra “heroína” pela última vez ao se referir a Dark side of the spoon, disco do Ministry de 1999. Em 2003, gravou até um disco supostamente careta, Animositisomina. Daí para a frente foi só bebum e em 2013 saiu até um disco chamado From beer to eternity, gravado sob a influência de “cerveja, e lotes dela”. Enfim, não tente isso em casa.
E vale citar que Al Jourgensen recentemente declarou ter parado com todas as drogas, legais ou ilegais.
Foto lá de cima: Edifortini (Wikimedia Commons)
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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