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Crítica

Ouvimos: Bruno Mars – “The romantic”

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The romantic aposta no soul vintage à la Marvin Gaye e Jackson 5. Soa déjà-vu? E muito - mas Bruno Mars convence até repetindo fórmulas.

RESENHA: The romantic aposta no soul vintage à la Marvin Gaye e Jackson 5. Soa déjà-vu? E muito – mas Bruno Mars convence até repetindo fórmulas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Atlantic
Lançamento: 27 de fevereiro de 2026

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Difícil não ser convencido / convencida por Bruno Mars em poucos minutos – aliás The romantic, seu disco novo, é basicamente um elevator pitching em forma de disco. Apesar de muita gente ter focado no lado “latino” do disco (evidenciado pela imagem da capa e pelos looks do vídeo de Risk it all) o principal do quarto (quarto??? só isso??) disco de estúdio de Bruno é que ele sabe o quanto sua música vale na América Latina e, em especial, no Brasil.

Não, Bruninho não tentou fazer samba nem bossa nova. The romantic é um álbum de pop vintage, que se bobear pode causar ate mais identificação em quem tem uns 50 e poucos anos e lembra da trilha internacional da novela Bandeira dois (1971, Som Livre). Uma pepita cheia de hits (hoje clássicos) do soul, cabendo Marvin Gaye, Rare Earth, Jackson Five, Diana Ross, Stevie Wonder, Eivets Rednow (a faceta “instrumental” de Stevie, com seu nome ao contrário), The Supremes.

  • Ouvimos: Master Peace – Stupid kids (EP)

Por acaso, Bandeira 2 tinha também (olha só essa!) o som cubano dos Hermanos Castro com Cerca de ti. Bruno simplesmente pegou isso tudo, meteu num liquidificador, pulverizou um whey protein musical para dar uma cara moderninha-vintage, bebeu, e serviu para os fãs em The romantic. Por mais que a sensação do começo ao fim seja de um imenso “já ouvi isso antes” (“e ouvi até mesmo em discos do próprio Bruno”, você poderia completar), Risk it all, unindo Stevie Wonder, algo de Bad Bunny (ok, ok) e um toque melódico que parece vir de My way, hit de Frank Sinatra, convence. Aliás convence tanto que você pode até gostar do disco mesmo já tendo ouvido tudo que há nele em vários outros discos.

Não é só isso. Cha cha cha, música que soa até menos caricata do que parece, tem mais de Barry White e Stevie Wonder do que do som cubano. I just might é totalmente Michael Jackson + Jackson 5, com direito a um roubinho não lá muito discreto de Move your feet, sucesso de Junior Senior. Why you wanna fight? bate direto no som e no balanço de Marvin Gaye e Isaac Hayes, com vocais lindos e muito bem cuidados. Na real, o clima soul-latino-rocker de Something serious indica que uma playlist com hits de Santana e Tim Maia (!) andou circulando entre a equipe de Bruno.

O maior pecado que Bruno poderia cometer em The romantic seria, diante de tanta vontade de apelar e chupar, soar desonesto e artificial – bom, artificial mesmo, tem Nothing left, uma baladinha que parece juntar soul antigo, Don’t let me down (Beatles) e algum hit de Robbie Williams numa mescla pra lá de nada-a-ver. É esquecida rapidamente diante de Dance with me, balada blues que encerra o disco. Sério: nem precisa de boa vontade pra reconhecer que Bruno Mars é bom até em repetir fórmulas. The romantic, enfim, é o caso raro de “já ouvi isso antes” que você provavelmente não vai se incomodar em ouvir de novo.

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Crítica

Ouvimos: Suki Waterhouse – “Loveland”

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Resenha: Suki Waterhouse – “Loveland”

RESENHA: Em Loveland, Suki Waterhouse mistura indie pop, folk e britpop em canções sobre paixão, autoconfiança e desilusões amorosas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Island / UMG
Lançamento: 10 de julho de 2026

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Suki Waterhouse começou a carreira como modelo. É uma cantora bonita e chama a atenção não apenas pela voz e pela criatividade – nem a mais antiobjetificante leitura da obra dela iria deixar de prestar atenção nesses detalhes. O lance é que ela usa todos esses “detalhes” justamente a favor de uma visão diferente do seu trabalho.

Traduzindo: Suki está mais para uma musa indie, ou uma musa boêmia, do que para uma it girl poderosa. Discos, clipes, músicas e letras vão se seguindo, e essa imagem da mulher fashion, nostálgica, atraente, mas que vê o sofrimento como surpresa desagradável do Kinder Ovo amoroso, fica mais cristalizada. Veio muita gente antes dela que já era isso: Nina Persson (Cardigans), Amy Winehouse… Mas Suki parece já ter chegado dando nome às coisas, e sabendo onde se metia (e como se metia).

  • Ouvimos: Mary In The Junkyard – Role model hermit

Vai daí que Loveland, o novo disco, é basicamente um disco sobre apaixonamento e confusão – vá lá que é um disco em que Suki confessa que, sim, é bastante autoconfiante (como em Any men, em que ela diz que “posso ter qualquer homem / tenho um toque especial, não preciso fazer muito”), e diz que não tem a menor necessidade de continuar num relacionamento que só causa tristeza (Happy with it).

Weirdo traz um outro lado, com Suki dizendo que está louca para ser uma boa esposa e passar as camisas do marido (!) – aí já deve ser o limite de muita gente (na vida real, ela é casada de maneira bem discreta com o ator Robert Pattinson, e a letra menciona sets de filmagem).

Já musicalmente, Loveland tem aquele mesmo esquema conhecido de Suki, de levar o / a ouvinte para uma ilha de escapismo musical, abrindo com a fanfarra synth da lânguida Back in love – quase um trip hop de ares sessentistas. E prosseguindo com a veia indie pop e nostálgica de Any man, Seasons e Happy with it, a onda britpop da boêmia Notting Hill, além do rock gélido, quase pós-punk, de Teardrops.

O lado que oscila entre o folk, o r&b e um clima esfumaçado, quase trip hop, surge em When I get drunk (I want you boy) e Weirdo. E um clima basicamente indie rocker toma conta de hits potenciais como Tiny raisin, Puppy dog eyes, Loveland e Jukebox, faixas que devem tanto a The Killers quanto a Phil Spector. Ficou bacana e Loveland é um dos produtos pop mais bem acabados de 2026.

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Crítica

Ouvimos: Ursamenor – “Quero ir pra casa” (EP)

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Resenha: Ursamenor – “Quero ir pra casa” (EP)

RESENHA: Trio mineiro Ursamenor une noise pop, shoegaze e punk em um EP sobre cura, cotidiano urbano e mudanças, com guitarras densas e melodias marcantes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Estúdio Central / YB Music
Lançamento: 15 de julho de 2026

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Trio feminino de indie rock, o Ursamenor vem de Belo Horizonte (MG) e no EP Quero ir pra casa, fala basicamente de cura, de aprendizados com os próprios sentimentos. As letras funcionam como uma terapia entre a autora e seu caderno – e ao mesmo tempo, trazem muito espanto com as mudanças que ninguém conseguiu controlar direito, além de momentos de adeus a coisas ruins do passado. O noise rock dedilhado de Eu sei muito bem, com melodia pop, mas clima ruidoso, fala de uma época em que as coisas “tinham outro sabor, outra cor”.

  • Ouvimos: Trash No Star – Existir é resistir (EP)

São letras que falam bastante do dia a dia nas grandes cidades, de trabalhos sufocantes e de prédios que parecem engolir todo mundo. Falam disso até quando não falam diretamente, como em Desvio e Meia volta. Já o som de Camila Silva, Mariana Coura e Iara Dias vai numa onda mais próxima, quase sempre, do noise pop oitentista, de bandas como Velocity Girl – só que com densidade de quem ouviu shoegaze, e clima “aberto” de quem ouviu Paramore.

Músicas como Da janela têm maior proximidade com o punk, e o clima mais denso fica com músicas como Desvio, com guitarras em formato de nuvem. Meia volta é quase um power pop com apreço ao ruído. Já Sombra, canção de quase sete minutos que fecha o EP, tem a solenidade quase britpop de uma música do Fontaines DC, mas com foco na densidade sonora.

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Ouvimos: Among Legends – “Lose my grip”

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Resenha: Among Legends – “Lose my grip”

RESENHA: Among Legends, banda de punk melódico de Toronto, mistura emo, hardcore e pop punk em faixas rápidas, pesadas e cheias de refrãos marcantes no ótimo álbum Lose my grip.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Little Rocket Records
Lançamento: 10 de julho de 2026

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Nos anos 2000, Ontario, no Canadá, parecia funcionar de modo diferente do resto do país no que dizia respeito ao punk. A variação mais pop do estilo chegava às FMs (e à MTV) com Avril Lavigne, enquanto a província se destacava por uma atitude bem do it yourself, e por bandas que pareciam misturar tudo: emo, vocais trabalhados a la Bad Religion, sons 60’s a la Ramones e músicas próprias para serem ouvidas a bordo de um skate.

O trio Among Legends, de Toronto (maior cidade da província de Ontario), vem como herança desse universo musical. Lose my grip, segundo álbum, é ágil, pesado e bonito – vocais bem feitos e melodias grudentas são acháveis em todas as doze faixas. H/A/C/K, a faixa de abertura, insere um peso e uma dinâmica que fazem lembrar bandas como Rancid. Sound the alarm tem certo clima de oi! music, e faixas como Open wide e Go on exploram a onda do hardcore melódico.

Mitchell Buchanan (baixo, voz), Tyler Boles (guitarra) e Sara Fellin (bateria e voz) têm peso, mas o principal é a melodia. E ela é sempre bem explorada em canções como o emo-rapcore Back again, as venturosas Hollow, The last time, Floating here for years (punk com várias partes e clima 60’s nos vocais e na melodia, mesmo com o beat intermitente e ágil) e What’s it gonna be.

Band dudes fuck off, com Laura DeRocchis nos vocais, traz as escrotidões nossas de cada dia, só que dentro de uma banda. A bela Familiar fictions, por sua vez, fala sobre aqueles momentos em que a maior dificuldade é dar nomes aos sentimentos e acontecimentos.

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