Quando a série de TV do Batman foi para o ar em janeiro de 1966 pela ABC, gerou um impacto enorme no (digamos) fluxo diário das pessoas e na cultura pop. O estilo do homem-morcego, ainda que não fosse decididamente algo cômico, era sutilmente engraçado e tinha lá seu charme. Era algo meio intelectualizado, meio caricatural, que no Brasil era bastante acentuado pela dublagem.

O dinamismo dos episódios estava garantido pela relação com os personagens secundários, pelas lutas com os bandidos e pela relação com o menino-prodígio Robin (cujas primeiras aventuras foram criadas para que ele servisse como uma espécie de Watson, o ajudante-escada de Sherlock Holmes). O mundo pop não ficou alheio a isso e o Tema de Batman, composto pelo arranjador e produtor americano Neal Hefti, foi parar até mesmo no repertório do Who, dos Kinks e de Jan & Dean.

E no mesmo ano, lá estavam ninguém menos que Andy Warhol, o maior esteta pop do mundo, e Nico, então uma atriz e modelo que começava a se apresentar com o Velvet Underground, ambos posando de Batman e Robin na revista Esquire. Detalhe interessante: Warhol fez questão de que ele fosse o menino-prodígio e ela fosse o homem-morcego. O texto da matéria foi escrito pela dupla de roteiristas David Newman e Robert Benton.

A mania de Andy Warhol com Batman

A mania de Andy Warhol com Batman

Batman, no entanto, já fazia parte do trabalho de Warhol pouco antes da série ir ao ar. Em 1964, o esteta pop fez um filme bem curioso chamado Batman Dracula. O filme foi feito apenas para ser exibido em mostras de Warhol. Até porque a ideia dele, de prestar uma homenagem à série de quadrinhos do Batman, não seria (er) muito bem compreendida justamente pela DC Comics, que iria querer uma grana astronômica pelo uso do nome e da imagem do personagem.

No filme, o diretor de cinema underground Jack Smith acumulava os dois papéis-título. Nomes como Gerard Malanga, Billy Name, Beverly Grant e o próprio Andy Warhol estavam no elenco. Batman Dracula (dizem por aí), durava cerca de uma hora, era mudo e em preto e branco.

Eu escrevi “dizem por aí” porque só quem sabe disso são os pesquisadores de Warhol. Batman Dracula é um dos filmes considerados “perdidos” do cineasta, e só poucas imagens dele foram encontradas. Algumas delas foram usadas justamente num documentário sobre Jack Smith, Jack Smith and the Destruction of Atlantis, feito em 2006, e várias das poucas encontradas por aí foram unidas num vídeo que está no YouTube. Pega aí.

Via Lost Media Wiki

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