Connect with us

Cultura Pop

A fase pós-punk de Madonna: descubra agora!

Published

on

Quinze passos entre Madonna e o pós-punk

Madonna, você deve saber, não começou sua carreira em 1983, quando saiu seu primeiro álbum. Ela vem de pelo menos cinco anos antes. Teve várias tentativas fracassadas, períodos de fome, possibilidades de se estabelecer como modelo e atriz, etc.

Entre os anos 1970 e o começo dos 1980, apesar de ela ter trabalhado por uns tempos com um grande valor da disco music (Patrick Hernandez, de Born to be alive), o som dela tinha mais a ver com pós-punk e new wave do que com qualquer outro estilo musical. Sem o synthpop da época, nada do que você conhece de Madonna hoje poderia ter sido feito. Confira aí os links entre a rainha do pop e o que foi além dos três acordes. Uma época bem distante do sucesso, e, em especial, da expectativa e da dinheirama envolvida no show da cantora em Copacabana.

  • Só lembrando que temos um episódio sobre Madonna no nosso podcast  Pop Fantasma Documento
  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

DIZ A VERDADE. Em 1978, há 40 anos, Madonna fez sua primeira música. Tell the truth foi composta por influência de Dan Gilroy, seu primeiro namorado. Tinha poucos acordes (quatro, no máximo) e foi feita pouco depois de Madonna mudar-se para uma sinagoga abandonada no Queens, em Nova York – por sinal a região dos Ramones – junto com Gilroy. Até então, a futura rainha do pop havia trabalhado como modelo vivo e também tinh feito um job como dançarina da sensação eurodisco Patrick Hernandez.

NAS BAQUETAS. Em 1979, Madonna estreou como baterista do Breakfast Club, banda que dividia com o namorado Dan, o irmão dele, Ed (ambos nas guitarras – o primeiro também no vocal) e Angie Smith (baixo). Não deu muito certo porque Madonna – que na época tinha Debbie Harry, do Blondie, como modelo – queria cantar, não ficar lá atrás.

O Breakfast, a propósito, sobreviveu à saída de Madonna: lançou um disco em 1987, epônimo. Durou até 1990, mas em 2016 o grupo pôs nas lojas um EP, Percolate, contendo gravações do segundo (e nunca lançado) disco. Dan Gilroy virou ator, e tem um xará mais famoso ainda, roteirista, que é casado com a atriz Rene Russo. Abaixo você confere gravações de 1979 do grupo e um vídeo com várias imagens de Madonna na época do grupo, com Little boy (do repertório do Breakfast club) no BG.

COMO É BOM SER (QUASE) PUNK. Uma banda que Madonna gostava bastante no começo da carreira era The Slits. O grupo punk feminino britânico, que unia punk, dub e reggae, volta e meia aparecia por Nova York e – diz a biografia Madonna 60, de Lucy O’Brien – era estudado atentamente por Madonna. E a banda não apenas já estava sacando a observação da cantora como não gostava nada disso.

“Morro de raiva de Madonna nunca ter usado uma camiseta com The Slits escrito em lantejoulas brilhantes e chamativas. Ela nos deve tudo. Roubou da (guitarrista) Viv Albertine todas as ideias de moda no início da carreira dela”, contou a vocalista das Slits, Ari Up. Viv costumava usar pedaços de pano amarrados no cabelo e lingerie por cima da roupa, como Madonna lá por 1984.

NEM TANTO. Seja como for, a cabeleireira L’Nor Wolin, responsável pelo cabelo de Madonna no clipe de Borderline, lembra de ter ouvido dela que “não quero que meu visual seja punk, quero que seja urbano”. Isso porque L’Nor, procurada por ela para trabalhar no vídeo, era responsável por vários penteados punk inovadores da época. Por sinal, a cabeleireira se recorda de Madonna dando altas patadas no set do clipe, quando via que o catering não havia selecionado comida vegetariana para ela. “Ela gritava: ‘não vou comer essa merda, vá buscar algo vegetariano pra mim!’”, lembra no livro de Lucy O’Brien.

ALIÁS E A PROPÓSITO, entre 1979 e 1980, Madonna também fez sua estreia como atriz, num filme que – você deve saber – ela renega até hoje, A certain sacrifice. Realizado em super 8 e dando uma geral no universo das relações sadomasoquistas (com direito a um estranhíssimo sacrifício satânico no final, daí o nome), o filme foi feito na base do “faça você mesmo” punk: foi rodado por 20 mil dólares, boa parte do elenco trampou por amor e a cantora ganhou o suficiente para conseguir pagar o aluguel do mês. Madonna tentou comprar os direitos do filme, impedir a produção de ser vista, brigou feio com o diretor (Stephen Jon Lewicki), mas não deu certo: A certain sacrifice foi lançado em VHS, laserdisc e DVD, e foi visto por vários fãs ardorosos de Madonna.

MAIS UMA BANDA.  Teve também a “outra banda” de Madonna pré-sucesso. O Emmy & The Emmys veio de um apelido dela de adolescência, e era basicamente uma parceria entre Madonna e um ex-namorado, Stephen Bray, que ela conhecia desde quando morava no Michigan. O som era uma onda meio ska, e dessa época sobraram só gravações feitas em 1980. Em 1981, Madonna gravou uma demo, dirigida por sua primeira empresária, Camille Barbone, no Gotham Studios, em Nova York. A ideia era que a cantora virasse uma espécie de Pat Benatar. Não deu certo, claro.

DANCETERIA. Em 1982, Madonna arruma um emprego como garçonete na boate Danceteria, em Nova York. No ano seguinte, foi até clicada no local por Eric Kroll em várias poses – você já viu isso aqui no Pop Fantasma. O local era um novo conceito de casa noturna, com quatro andares, vários DJs, inúmeros ambientes, exibições de vídeos (as “danceterias” espalhadas pelo Brasil nos anos 80 tiraram seu nome de lá). No palco e na pista, nomes como Depeche Mode, Duran Duran, B-52’s, Butthole Surfers, Nick Cave.

ALIÁS E A PROPÓSITO, os integrantes do A Certain Ratio, banda lançada pelo selo indie britânico Factory – definida pelo dono da gravadora, Tony Wilson, como tendo “toda a energia do Joy Division, mas com roupas melhores” – podem contar essa pros netos: tiveram um show aberto por Madonna lá no Danceteria. O tal show rolou em 16 de dezembro de 1982 e era “precedido por uma participação especial de Madonna como convidada”, como diz o convite do evento.

Hoje, claro, esse convite é inacreditável. “Este deve ser um dos  mais antigos artefatos de concertos da Madonna de todos os tempo, ou talvez o mais antigo. Madonna apareceu à meia-noite e A Certain Ratio a 1h. Isso era típico dos clubes de Nova York na época – mesmo em uma noite de quinta-feira. Para os convidados houve também um buffet (às 22h)”, afirma o site Record Mecca. Por sinal, o ACR lembra que essa noite com Madonna foi tudo, menos alegre e descontraída. “Madonna entrou e a primeira coisa que ela fez foi nos repreender. Ela disse: ‘Todo o seu equipamento terá de ser movido’. Levamos uma hora e meia para configurar. Nós estávamos tipo: ‘Isso não vai a lugar nenhum’. Acabou em uma discussão massiva”, lembrou o baterista Donald Johnson à Attack Magazine, rindo. “Eu gosto dela desde então, porque ela enfrentou todos esses caras”.

EX PRESENTE. Lembra do Stephen Bray, ex-namorado de Madonna? Ele continuaria presente na carreira solo dela: é co-autor de músicas como EverybodyInto the groove e Express yourself. Por acaso, em 1987, ele também foi parar na formação do Breakfast Club que gravou o único disco da banda. Hoje ele tem um estúdio, um selo e fez coisas para a Broadway,

TEM FILME. Madonna and The Breakfast Club (2019) é um documentário dramatizado sobre os primeiros anos da vida da cantora, quando ela era integrante do Breakfast Club e dava shows em bibocas. Dirigido por Guy Guido, o filme, que chegou a ser exibido aqui no Brasil num projeto comemorativo do Cinemark, fez circuito de festivais, revelou uma atriz extremamente parecida com Madonna (Jamie Auld, que morreria em 2022, aos 26) e traz entrevistas com ex-amigos como Dan Gilroy, Norris Burroghs e Martin Schrieber.

Evidentemente, o filme não apenas é “não-oficial”, como a própria Madonna não topou dar depoimento nenhum – mas a atuação de Jamie foi elogiada. Está disponível no Prime Video, mas não para o Brasil. Também está no YouTube até tirarem de lá.

Cultura Pop

No nosso podcast, os primeiros anos do Soft Cell

Published

on

No nosso podcast, os primeiros anos do Soft Cell

O Soft Cell tá vindo aí pela primeira vez. A dupla de Marc Almond e Dave Ball se apresenta no Brasil em maio, e vai trazer – claro – seu principal hit, Tainted love. Uma música que marcou os anos 1980 e vem marcando todas as décadas desde então, e que deu ao Soft Cell um conceito todo próprio – mesmo não sendo (você deve saber) uma canção autoral. Era um dos destaques de seu álbum de estreia, Non stop erotic cabaret (1981), um dos grandes discos da história do synth pop.

No nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, voltamos lá no comecinho do Soft Cell, mostramos a relação da dupla com uma das cidades mais fervilhantes da Inglaterra (Leeds) e damos uma olhada no que é que está impresso no DNA musical dos dois – uma receita que une David Bowie, T Rex, filmes de terror, Kenneth Anger, sadomasoquismo e vários outros elementos.

Século 21 no podcast: Red Cell e Noporn.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Continue Reading

Cultura Pop

Relembrando: Mick Ronson, “Play don’t worry”

Published

on

Guitarrista de David Bowie na fase Spiders From Mars, Mick Ronson foi uma promessa injustamente não cumprida como artista solo. Inicialmente teve cobertura da Mainman (mesma empresa que cuidava de Bowie nessa fase), contrato com a RCA, interesse da mesma imprensa que cobria o dia a dia dos popstars do glam rock, certa migração de fãs do cantor de Starman.

Até porque Ronson estreou com treze shows no Reino Unido em março de 1974, quando Bowie estava fora dos palcos. E o guitarrista volta e meia era chamado de “substituto” de seu patrão. Ironicamente o próprio Bowie ficaria com ciúmes de sua “cria”, começando a armar sua volta aos palcos a partir daí. Esbarraria no fato de que a turnê solo do guitarrista havia comido uma boa parte da grana que seria investida em sua própria carreira, mas isso é outra história.

No começo, Ronson era um músico desprotegido a ponto de, mesmo sendo mais velho que Bowie e sua mulher Angie, ser cuidado pelo casal como se fosse um irmão mais novo. Com Bowie, chamou a atenção das plateias e foi um quase parceiro. Merecia ter ganhado crédito de co-autor em faixas de discos como The man who sold the world, de 1970, cuja gravação havia sido marcada pelo desapego do maior interessado, que era o próprio Bowie. Como compensação, fica o fato de que é impossível lembrar de músicas como Life on Mars? e Starman sem lembrar das guitarras de Ronson.

Surgiu a chance de tornar-se artista solo, quando Bowie havia resolvido ficar longe dos palcos. O repertório da estreia de Ronson, Slaughter on 10h avenue (1974), unia as duas faces do músico, um cara que tocava guitarra como se o instrumento viesse do espaço sideral, e também regia orquestras, além de tocar piano.

Era o disco da hard roqueira Only after dark, do blues glam I’m the one (de Annette Peacock, musicista pioneira dos sons eletrônicos que também gravava pela RCA naquele período). E da grandiloquência da faixa título (uma canção dos anos 1930 revisitada), do romantismo de Love me tender (aquela mesma, imortalizada por Elvis Presley). Mick, por sua vez, era o guitarrista experiente que tinha talento dramático a ponto de fazer um anúncio-curta metragem para divulgar Slaughter – a foto da capa, que trazia o guitarrista chorando, era um trecho do tal filme.

Muita coisa contribuiria para afastar a Mainman de Ronson e entre elas, estava o fato da relação entre Bowie e o empresário Tony Defries estar saindo do controle e ter chegado a um ponto bem complicado em 1974.Por acaso, foi em janeiro de 1975 que saiu Play don’t worry, o segundo disco do guitarrista.

Era mais um disco realizado sob as barbas de Pin-ups, disco de covers de Bowie (1973). O primeiro de Ronson havia sido gravado com a mesma banda do cantor na época, assim que o serviço no disco do patrão terminara. Já em Play, Mick reaproveitava uma backing track realizada para Pin ups, e nunca lançada: a da versão de White light/white heat, do Velvet Underground, mais viva e pesada que a original, e uma das melhores faixas do disco de um compositor e guitarrista que, ao se tornar um intérprete e fazedor de covers, quase sempre acertava.

Play don’t worry tinha a mesma aparência ora melancólica, ora feliz do disco anterior. Era o disco da balada glam Angel nº9, releitura do grupo country-rock Pure Prairie League (de cuja gravação original Mick havia participado fazendo arranjos), e do agito de Girl can’t help it, clássico do repertório de Little Richard, relido em clima protopunk. Outro rock countryficado do Pure Prairie League, Woman, encerrava o álbum. Por outro lado, Empty bed, versão de Io me ne andrei, do pop-roqueiro italiano Claudio Baglioni, era um baladão romântico, pronto para entrar em trilha de novela no Brasil (infelizmente não entrou).

Ronson aparecia como autor apenas em duas faixas, talvez escolhidas a dedo para mostrar que nem tudo ali eram flores. Play don’t worry, feita ao lado do amigo produtor e compositor Bob Sargeant, falava sobre os altos e baixos da vida, e era a provável admissão de que a vida de potencial rockstar havia trazido mais problemas do que soluções. Hazy days, faixa-solo, trazia aquelas discussões sobre a obsolescência programada do pop, típicas da própria música de Bowie (“o que você vai fazer agora, quando você achar que estou no passado?”, diz a letra).

Parecia recado para alguém. Talvez para o próprio Ronson, que não se sentia nem um pouco confortável ou feliz como artista solo. “Sabia que as pessoas perceberiam meu desconforto na plateia e eu não queria isso”, chegou a afirmar o músico, que também considerava a vida de popstar solo algo parecido como ter dúvidas e ter que responder suas próprias dúvidas, sem contar com a parceria de ninguém.

Mick respondeu suas próprias dúvidas quando resolveu, ainda com Play don’t worry em curso, juntar-se ao Mott The Hoople, banda do amigo Ian Hunter. O Mott estava com os dias contados e restou a Mick voltar à vida de músico contratado. Gravou com muita gente, mas ficou conhecido pelas colaborações com Ian, com quem chegou a gravar um disco em dupla – Yui orta, de 1990. Infelizmente tornou-se menos reconhecido do que deveria, e a decepção com as expectativas do pop tornou-se um vazio nunca devidamente preenchido.

Mick morreu em 29 de abril de 1993, já resgatado para as novas gerações. Pouco antes, havia produzido Your arsenal, de Morrissey, e tinha se juntado a David Bowie, a Ian Hunter e aos remanescentes do Queen no concerto de tributo a Freddie Mercury. A notícia de sua partida ressoa até hoje como os últimos ruídos de guitarra de Play don’t worry, a canção. São sons que desaparecem aos poucos, como numa transmissão de TV cheia de interferências que vai sumindo. Nossa sorte é que o recado estava dado: “Não pense muito neles/comece a sonhar novamente com o amanhã”.

Continue Reading

Cultura Pop

Os discos do poeta John Sinclair

Published

on

Os discos do poeta John Sinclair

O nome de John Sinclair, morto nesta terça (2) aos 82 anos. não é tão estranho assim para o fã de rock clássico. Afinal, ele foi empresário do MC5 na época do disco Kick out the jams (1969), foi homenageado por John Lennon numa música justamente chamada John Sinclair (de 1972) e até mesmo aquele discurso que o ativista Abbie Hoffman tentou fazer durante o show do Who no Festival de Woodstock (1969) aconteceria para conscientizar as pessoas em relação à situação de John. Que estava encarcerado por tráfico após vender maconha a um policial disfarçado.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

John havia sido condenado a dez anos de prisão, uma arbitrariedade. Mas foi solto em 1971 quatro deias depois de Lennon organizar um comício por sua liberdade, ao lado de Bob Seger, Stevie Wonder, Bobby Seale (do Partido dos Panteras Negras) e outros. Assim que saiu da prisão, Sinclair mergulhou de cabeça no ativismo pró-maconha e na produção de livros e escritos de poesia. Só que como seu estilo de texto tem tudo a ver com a cadência do jazz, pela maneira como é escrito e declamado, normal que ele não tenha ficado restrito aos livros, jornais e revistas. Tanto que dos anos 1990 para cá, ele vinha acumulando uma discografia bem grande.

Em 1994, por exemplo, saiu Full moon night, primeiro disco no qual Sinclair aparecia acompanhado pela agremiação variável de músicos que ganhou o nome de The Blues Scholars. O disco trazia textos como Homage to John Coltrane, Spiritual e Like Sonny, e saiu direto em CD por um selo chamado Total Energy, responsável por lançamentos retrospectivos de pré-punk – álbuns escarafunchando os baús de grupos como The Deviants, The New Race e o próprio MC5 saíram por esta etiqueta. Em 1996 saiu Full circle, mais um CD de Sinclair e sua banda, com participação de ninguém menos que o ex-MC5 Wayke Kramer, morto recentemente.

Um outro álbum bastante significativo de Sinclair saiu em 2008, com o nome de sua banda modificado para His Motor City Blues Scholars. É o ao vivo Detroit life, trazendo 15 faixas entre o jazz e o blues, com John declamando (às vezes bem alto, com voz gutural) textos de inspiração beat como The screamers, April in Paris, Let’s call this e Walking on a tightrope. As músicas são grandes, e boa parte dos números é quase instrumental, cabendo intervenções de John lá pelos dois minutos de faixa, em alguns casos.

A discografia de Sinclair inclui também vários discos apenas com seu nome (o mais recente é Beatnik youth, de 2017) além de álbuns impressionante feitos com a banda de jazz experimental e ruidoso Hollow Bones – como Honoring the local gods, de 2011. Já o percussivo PeyoteMind, de 2002, foi gravado ao lado da banda de psicojazzfolk Monster Island, e traz recordações de uma viagem feita em 1963 sob o efeito do psicoativo peiote.

Esse material vem encontrando relativamente poucos ouvintes nas plataformas – no Spotify, John tem apenas 207 (207!) ouvintes mensais. Não são discos muito divulgados –  enfim, poesia e jazz não formam exatamente uma combinação de sucesso. E saíram por selos independentes de alcance restrito. Mas boa parte do que Sinclair gravou está lá, e está ao alcance de futuros fãs – mesmo com a barreira da língua, tem a declamação de John e a maneira como ele faz tudo parecer uma espécie de jazz maldito e tribal. Além do seu ativismo anti-capitalismo, pró-maconha e pró-liberdade de expressão, perceptível em vários versos.

E só pra complementar, um material multimídia recente e importantíssimo saiu justamente da última aparição ao vivo de Sinclair. Em Paris, no dia 16 de fevereiro, ele leu o longo poema 21 days in jail, gravado por uma pessoa da plateia. A letra já havia sido musicada e gravada por ele com os Blues Scholars, mas aqui aparece sendo lida pelo autor.

Foto: Wikipedia.

Continue Reading
Advertisement

Trending