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Em “Sono leve”, O Cientista Perdido decide que a culpa não mora mais aqui

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O Cientista Perdido e JoJo - Foto: Nana Fogaggio (@nanafogag) / Divulgação

Existe um momento em que falar da dor deixa de ser catártico e começa a ficar cansativo. O Cientista Perdido parece ter chegado exatamente aí. Depois de explorar a ausência em Cair e o desejo em Te sonho de verdade. Rodrigo Saminêz, o Cientista, encerra a leva de singles do álbum de estreia com Sono leve, uma música que troca a autópsia emocional pela pista de dança. E faz isso sem fingir que o caminho até aqui foi simples.

A faixa mantém o synth pop percussivo que vem definindo o projeto, mas agora deixa entrar batidas latinas e grooves mais quentes que contrastam com o gelo dos teclados. Também é a primeira vez que O Cientista Perdido divide o protagonismo de uma música. A convidada é JoJo, cantora, compositora e multiartista travesti e negra do Gama (DF). A química entre os dois faz sentido justamente porque nenhum deles parece interessado em vender superação como produto. O assunto aqui é outro: tirar a culpa das costas.

Sono leve foi um basta! Foi quando percebi que esse disco não podia terminar olhando só pra dor. Cansa quem canta e quem ouve. Em algum momento, precisava existir uma celebração do alívio que vem quando a gente entende que nem tudo aquilo que colocaram sobre nós nos pertence. Igreja, infância, família, escola… passei os anos mais definidores da vida de qualquer pessoa me alimentando de ódios e distanciamentos que não eram meus”, diz Rodrigo.

“Agora, me sinto à vontade pra gritar em coro esse refrão em plenos pulmões pra devolver o constrangimento: mesmo que não o aceitem, mesmo que repitam os mesmos erros, o peso e a culpa já não são mais meus. Esse é meu manifesto de alívio e me sinto muito feliz de celebrar à altura o momento que pára de doer também”, completa. “Mas minha hora é sagrada / Você vai ter o que falta em você”, cantam os dois no refrão, devolvendo a culpa para quem sempre fez questão de distribuí-la.

A participação de JoJo amplia essa ideia. Além da carreira solo, ela integra o coletivo BAITA!, criado por Saminêz em 2025 para tentar resolver um problema bem conhecido da música independente: a expectativa de que um único artista faça absolutamente tudo, do conceito ao post de divulgação.

E essa faixa fecha o ciclo de singles que apresentou o universo do primeiro álbum d’O Cientista Perdido, previsto para agosto. O disco parte de experiências queer ligadas a desejo, religião, família, infância, pertencimento e memória. Depois de passar duas músicas encarando fantasmas, O Cientista Perdido parece ter tomado uma decisão simples: eles não merecem mais convite para continuar morando ali.

Foto: Nana Fogaggio (@nanafogag) / Divulgação

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Com o Empty Melon, Summer Kodama mergulha no lado sombrio da eletrônica

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RESUMO: No projeto Empty Melon, Summer Kodama explora eletrônica experimental, art pop e clima cinematográfico em Don’t look away, faixa sobre honestidade e autoexpressão.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Daniel Verdecchia / Divulgação

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Summer Kodama, baixista e produtora da banda Ada Lea, segue apresentando o seu projeto solo Empty Melon. Depois de estrear com Hoping to find, ela acaba de lançar Don’t look away, um single que mergulha em um universo mais sombrio, combinando eletrônica experimental, art pop e paisagens sonoras de clima cinematográfico – num resultado sonoro que fica bem próximo de Laurie Anderson, em muitos momentos.

A música nasceu de uma madrugada solitária. “Tudo começou quando eu estava dirigindo sozinha às duas da manhã e improvisando no baixo”, conta Summer. A partir dali, a faixa foi ganhando forma como uma reflexão sobre honestidade, tanto nas relações com os outros quanto consigo mesma.

“Existe algo catártico em expressar seus sentimentos e necessidades de maneira direta”, diz a artista. “Isso ajuda você a se alinhar com sua versão mais autêntica. Honestidade é a parte mais importante da autoexpressão”.

Se Hoping to find explorava um território mais etéreo, entre o sonho e a vigília, Don’t look away segue pelo caminho oposto. Summer define as duas músicas como “irmãs polares”: uma iluminada pela luz do dia, a outra construída no silêncio da noite. As duas foram compostas no mesmo mês, em maio de 2024, mas revelam lados bastante diferentes de um mesmo processo criativo.

Na produção, Summer trabalhou ao lado de Leo Bagel, tecladista da Post NC. Segundo ela, a parceria abriu espaço para mais experimentação e ajudou a equilibrar as ideias que surgiam durante a composição. O resultado é uma faixa que dispensa refrãos imediatos. A aposta é na construção de atmosfera, acompanhando o crescimento de um projeto que parece disposto a explorar diferentes caminhos sem perder a identidade.

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Som friiiio: Kate Schutt canta sobre nevascas no Ártico em “Drumfire of the hurricane”

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Kate Schutt - Foto: Natalie Deryn Johnson / Divulgação

RESUMO: Inspirada pelo relato de Christiane Ritter sobre uma tempestade no Ártico, Kate Schutt compõe Drumfire of the hurricane durante uma expedição a Svalbard.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Natalie Deryn Johnson / Divulgação

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Já pensou passar uma temporada solitária e friorenta numa cabana no Ártico, e ainda enfrentar uma tempestade de inverno, sem ninguém pra ajudar? Bom, a escritora austríaca Christiane Ritter passou por isso e contou a experiência em 1934 no livro Drumfire of the hurricane. E a cantora, compositora e produtora americana Kate Schutt inspirou-se nessa história para seu novo single, o meditativo Drumfire of the hurricane (mesmo nome do livro, enfim),

A música parte justamente do momento em que Christiane percebe que a tempestade já tá rolando e ela vai precisar sair dessa sozinha – e ela ainda teve tempo de descrever a tempestade como “o furioso toque de tambor do furacão”. “A frase de Ritter é perfeita, diz Schutt. “A escrita dela é muito visceral e captura a sensação de estar dominada pelo medo e pelo terror de uma grande tempestade de inverno. Espero que minha música acrescente outra dimensão à história incrível e marcante de Ritter”.

A composição nasceu em 2024, durante uma viagem a Svalbard, no Ártico, que fazia parte do programa Arctic Circle. Kate já conhecia o livro de Ritter e levou essa referência para a expedição. A faixa começou a ser escrita a bordo do navio MV Ortelius, durante um dos dias de mar mais agitado da viagem. “Fiquei isolada na minha cabine e comecei a juntar pedaços de ideias para letras e melodias”, conta. Dias depois, ela apresentou uma primeira versão para artistas da residência, guias e tripulantes. O saxofonista e escritor dinamarquês Benjamin Koppel participou da apresentação no sax alto.

A faixa inicialmente seria apenas voz e violão, mas ganhou banda completa durante a produção, por sugestão do coprodutor Jay Newland. “Mudei de ideia quando Jay sugeriu que uma banda completa poderia ajudar a criar a atmosfera do frio, do gelo e da tempestade. E ele estava totalmente certo”.

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Lóca une passado, presente e futuro em “Composto de tempo”

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Lóca - Foto: Lucas Micheluzzi / Divulgação

RESUMO: Em Composto de tempo, Lóca explora memória, passado e futuro com mudanças de andamento e compasso, misturando indie rock, jazz, música erudita e MPB.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Lucas Micheluzzi / Divulgação

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“O que é o passado senão a memória do passado?”. É a partir dessa pergunta que Lóca, projeto solo do músico catarinense Lucas Micheluzzi, constrói a música Composto de tempo, seu single mais recente. A nova faixa mexe com a ideia de passado, presente e futuro – e faz isso também na própria música, que muda de andamento, compasso e clima o tempo todo.

A inspiração veio de uma frase atribuída ao mestre sufi Omar Ali-Shah, segundo a qual seria possível modificar o passado e o futuro. Lóca levou a ideia para um terreno mais próximo da psicanálise e do autoconhecimento, assuntos que aparecem com frequência em seu trabalho. E a ideia não é explicar o conceito, é fazer quem ouve sentir essa instabilidade. Quando parece que a música encontrou um caminho, ela muda de direção e quebra a expectativa.

“Assim que parece que vai iniciar um novo ciclo, igual ao outro, uma nova surpresa aparece no caminho do ouvinte, tirando-o do lugar esperado”, explica Lóca, que precisou lidar com compassos ímpares enquanto cantava. A intenção não era transformar a música numa aula de matemática musical, ele completa. “Quero tornar o arranjo como se fosse um discurso recitado com a cadência que cada sentença necessita para ser entendida”, diz. No som, essa mistura de ideias aparece numa combinação de indie rock, jazz, música erudita e MPB.

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