Quase teve uma continuação do clássico de terror O bebê de Rosemary (1968). Digo quase, porque em 1976 saiu Look what’s happened to Rosemary’s baby, que acabou ganhando o apelido amigável de O bebê de Rosemary 2, mas o resultado era uma ducha de água fria nas esperanças do espectador mais paciente.

O diretor não era Roman Polanski, mas sim o editor do filme original, Sam O’Steen. Mia Farrow não interpretou o papel principal, e sim Patty Duke, uma ex-atriz infantil que havia interpretado Hellen Keller no cinema. Para tornar tudo um pouco mais dramático, o filme não foi para os cinemas. Foi feito para o mercado de filmes televisivos e exibido em 29 de outubro de 1976 pela ABC. Aliás, se você está muito curioso (a) para ver a enorme confusão (ou não, você decide) que essa turma aprontou, o filme está inteiro no YouTube.

Rolou também uma série baseada no filme, exibida em duas partes pela NBC em 2014, com Zoe Saldana no papel principal. Essa série é considerada uma atualização, agradou muita gente, mas não era uma parte 2. Quem queria uma segunda parte da história da moça que concebe o filho do coisa-ruim e esperava que ela viesse do cinema, tomou uma bola nas costas. O autor do livro que deu origem ao filme, o americano Ira Levin (1929-2007) soltou em 1997 O filho de Rosemary.

A continuação de O Bebê de Rosemary (ué, teve?)

O novo livro criava o que havia acontecido com Rosemary e seu filho Andy após o fim do filme. Para começar o coven do qual seus vizinhos faziam parte havia jogado uma maldição nela, porque descobriram que Rosemary pretendia fugir com o filho. Ela acorda em novembro de 1999, após ficar desde em 1973 em coma, num asilo.

Andy havia sido criado pelos vizinhos esquisitões de Rosemary, Minnie e Roman Castevet, e era naquela época o lider de uma instituição de caridade. Ele diz à mãe que se libertou da má influência dos pais adotivos, mas ela desconfia de algo errado. O resto, só lendo o livro. Que por sinal saiu no Brasil e, no decorrer da história, ainda faz algumas brincadeiras mortais com o fato de O bebê de Rosemary se passar no mesmo prédio onde John Lennon e Yoko Ono moraram (o Edifício Dakota).

A continuação de O Bebê de Rosemary (ué, teve?)

Olha aí Ira todo pimpão em 8 de setembro de 1997 divulgando o livro na New York Magazine. Levin decidiu sentar a bunda na cadeira e escrever O filho de Rosemary após ser abordado por um produtor da Paramount, Alan Ladd Jr, que lhe prometeu um cheque poderoso e nada de interferências na obra. Ainda assim, não saiu filme nenhum inspirado no livro.

Levin diz ter topado fazer a continuação após achar notas antigas suas, e perceber que poderia fazer um livro que resvalasse na crítica social. Isso porque ele diz ter ficado insatisfeito com a maneira como a obra original foi recebida. “Achei que Rosemary fosse fazer com que as pessoas ficassem mais céticas em relação a mitos. Mas ele levou a O exorcista, a toda uma rede de cultura pop que criou uma geração que leva o satanismo a sério”, comentou.