Se você hoje escuta música no celular, agradeça a um sujeito chamado Lou Ottens, que morreu aos 94 anos de idade no último sábado (6). Não, ele não participou da invenção do Spotify, mas ele foi o criador da fita K7 e fez o jogo da portabilidade na música andar vários (e decisivos) passos.

Tudo aconteceu na década de 1960, quando o holandês Lou Ottens era chefe de desenvolvimento de produtos na filial belga da Philips. O executivo estava bastante incomodado com aqueles gravadores enormes de rolo (que são até hoje considerados modelo de audiofilia avançada). Em 1963, ele lançou a fitinha na feira de eletrônicos do Berlin Radio Show, com o nome patenteado de “compact cassete” (era o nome que aparecia naquelas fitas K7 virgens da Philips).

A invenção fez sucesso a ponto de mais de cem bilhões de cassetes terem sido vendidos desde essa época. Não só isso: a Philips teve que redobrar a produção de gravadores e de bobinas para gravador. Ottens ainda fez viagens a países como o Japão para divulgar sua invenção e fazer negociações com empresas.

No fim dos anos 1970, Ottens também ajudou no desenvolvimento do CD, que foi uma parceria da Philips e da Sony. E, como diretor da Philips Audio a partir de 1972, ele ainda colaborou num projeto que não durou muito tempo no mercado: o V2000 ou Video 2000, um sistema que substituiria o vídeo cassete e que seria feito em parceria com a Grundig.

O Video 2000 era uma espécie de Video Compact Cassette, mas a fita era maior que a de VHS e tinha dois lados – e podia gravar até quatro horas de conteúdo. Não durou muito tempo – foi até 1988 e não teve sua patente liberada pela empresa, ao contrário do que aconteceu com o CD, o VHS e outras invenções.

Ottens se aposentou pouco antes do fim do Video 2000, em 1986, e deixou como presente para os funcionários da Philips um livro chamado Cem dicas para inovação de produtos de sucesso, no qual afirmava que era preciso simplificar sempre, diminuir prazos de entrega e contratar mais mulheres.

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