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Urgente!: Tudo que já dá pra saber sobre o suposto próximo disco de Lana Del Rey

O disco “novo” de Lana Del Rey – que a princípio se chama Stove, depois de mudar de nome algumas vezes – ganha mais um capítulo, em forma de single e clipe. White feather hawk tail deer hunter (“caçador de veados com cauda de falcão de penas brancas”) tem um nome que parece mais coisa de novelinha vertical, e indica que o clima tá tenso, meio rural gótico, mas bastante dramático e romântico, com Lana feliz da vida por estar vivendo com um homem alto, forte, espadaúdo, mais velho e com hábitos de sujeito rústico e viril (o guia turístico de pântanos Jeremy Dufrene, com quem se casou em 2024).
Por sinal Jeremy é um dos autores da faixa, ao lado da irmã de Lana, Chuck Grant, e do cunhado Jason Pickens – tudo em família, pois. E a letra tem lá seus momentos de sacanagem ao lado do romantismo: “ops, você acha que não tem problema? / postar a cana-de-açúcar dele (eita) / nossa, talvez devesse ter guardado para um amigo / melhor continuar colhendo margaridas para o Instagram”. Na produção, volta a parceria com Jack Antonoff – ou seja: estão garantidos sons com um baita peso emocional e que vão crescendo no ouvido. Antes, já haviam sido lançados os singles Henry, come on (11 de abril de 2025) e Bluebird (18 de abril de 2025).
O fato é que se alguém ainda achava que Lana iria voltar para um pop mais direto, pode (ao que consta) esquecer. Quanto à jornada de lançamento de White feather, ela já vinha atiçando os fãs desde 7 de fevereiro, dizendo que essa era sua favorita do álbum e que o clipe estava pronto. Pode ser que Stove esteja bem adiantado – aliás, ela disse recentemente que o disco sai “em breve”, porque o vinil leva cerca de três meses para ser fabricado. Fala-se em 21 de maio de 2026, mas tudo pode mudar.
Quanto às mudanças de nome, Stove começou como Lasso, com lançamento previsto para setembro de 2024. Depois virou The right person will stay, mirando maio de 2025. Aí atrasou de novo, mudou de nome outra vez e ressurgiu como Stove – e a data passou a “ser” janeiro de 2026 (não saiu nada, como é público e notório). A sonoridade aventada pro disco foi igualmente mudando: em 31 de janeiro de 2024, durante um discurso no NMPA Songwriter Awards, Lana encheu a bola de Antonoff e disse que os dois iriam “se aventurar no country”. Em 21 de agosto do mesmo ano, ela disse à Vogue que não se afastaria drasticamente de seus álbuns anteriores, mas que seria “uma produção country clássica, americana ou gótica sulista”.
Uma curiosidade: Lana volta sinistraça no single e no clipe novos (se não viu, veja lá embaixo, com direito a imagens de festinha entre amigos numa casa rústica, quinquilharias na garagem, câmera tremida, cameos do marido e cenas dela enfiando a cabeça num forno de fogão). E fica bem difícil não achar que ela andou ouvindo bastante Ethel Cain, que vem fazendo sucesso com seus discos amedrontadores e concertos fantasmagóricos. A curiosidade é que há uma velha treta entre as duas, por causa de um envolvimento de Ethel com um ex de Lana (o cantor e compositor Jack Donoghue). E mais que isso: há uma diss track de Lana zoando Ethel.
Lana cantou nos shows uma música supostamente chamada All about Ethel e em agosto do ano passado, ela postou um vídeo dirigindo enquanto a música toca ao fundo, começando com o trecho “Ethel Cain odiou minha postagem no Instagram / acha fofo recriar minha pose de Chicago” – tudo por causa de uns posts semelhantes feitos por ambas envolvendo Jack. Na tal música, Lana ainda chama Ethel de “a garota mais famosa do Waffle House” (o New York Times chamou Ethel assim num perfil dela publicado em 2022, porque ela fez as fotos e a entrevista num restaurante da rede no Alabama – já Lana decidiu um ano depois aparecer numa Waffle House em Florence, no mesmo estado, que supostamente ela frequentava, e bancar a garçonete por um dia).
Enfim, essa história do supostamente futuro disco de Lana tá é enrolada, e muito. E o clipe de White feather hawk tail deer hunter tá aí.
Texto: Ricardo Schott – Foto: trecho do clipe
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Nos palcos do Rio: Nina Maia, Will Calhoun, Tacy, Guga Bruno, Disstantes

No dia 22 de março, a paulista Nina Maia leva o repertório de seu álbum Inteira para o Lollapalooza Brasil. E antes disso, nesta quarta (11), ela faz um raro show no Rio, às 20h30, no Manouche, casa de shows na Zona Sul carioca. Quem ficou fã dela a partir do primeiro disco, pode esperar um show muito baseado em uma estreia – aliás, o repertório vai ser o mesmo que ela vai apresentar no Lolla, como num sideshow em terras cariocas para quem não puder ir ao festival.
E vale informar que não é só o Rio que vai poder assistir ao show de Nina antes do Lollapalooza: na quinta (12), ela se apresenta no A Autêntica, em Belo Horizonte. Depois de passar pelo Autódromo de Interlagos, ela vai a Porto Alegre (dia 16 de abril, no Espaço 373) e volta a SP (dia 30 de abril, na Casa Natura Musical).
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O Living Colour, que fez shows no Brasil há alguns dias, continua entre nós – e na figura de um dos maiores artífices de seu som, o batera Will Calhoun, que desde o fim dos anos 1980, segue explorando caminhos entre o rock, o jazz e ritmos de várias partes do mundo. Neste domingo (15), às 18h, Calhoun aparece em um encontro especial que por acaso vai rolar… também no Manouche (aliás, vale ficar de olho na programação da casa).
No palco, ele divide a noite com o pandeirista Marcos Suzano, referência absoluta da percussão brasileira, além do DJ Marcelinho da Lua, responsável por beats, samples e colagens sonoras, e do músico Guilherme Gê, que trabalha com bass moog, teclados e texturas eletrônicas.
A proposta da apresentação é aberta: improvisar, experimentar e deixar que a música aconteça no momento. Jazz, rock, eletrônica e ritmos brasileiros entram nessa conversa sem roteiro rígido, numa dessas situações em que músicos de trajetórias bem diferentes se encontram para ver até onde a mistura pode chegar.
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“Na quinta que vem (12/3) vamos comemorar a 30ª edição do Rockarioca Convida no La Esquina, olha que legal. Estamos fazendo o evento desde julho de 2023!”, avisa Pedro Serra, o criador do coletivo que reúne bandas do Rio (e integrante do Estranhos Românticos). E a festa é com dois artistas acostumados ao formato voz e violão, mas que dessa vez eletrizam sua música e convidam bandas para dividir o palco.
A cantora e compositora Tacy, radicada em Niterói e conhecida pela voz rouca e presença intensa, sobe ao palco às 20h30 acompanhada de convidados: Luli Nepomuceno (Flores de Plástico), Bruno Leiroza (Mokambo) e Mila Castro. E se você não está ligando o nome à pessoa, foi Tacy que interpretou a personagem principal de Cássia Eller – O musical.
Na sequência, às 21h30, é a vez de Guga Bruno voltar aos palcos com banda completa. O cantor e guitarrista, dono de sete álbuns e várias trilhas premiadas, aparece ao lado dos Inoxidáveis – Melvin Ribeiro, Marcelão de Sá e Fred Castro – revisitando parte de seu repertório, que circula entre MPB e rock setentista. E se você pensou “espera aí, conheço esse nome”… Provavelmente você era fã do Lasciva Lula, ex-banda de Guga, que marcou época no indie carioca nos anos 2000.
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E a banda Disstantes, um dos nomes mais fodas (desculpe o palavrão, mas que é verdade, é) do meio indie carioca, lança o clipe de sua música CDD x SG nesta sexta (13) com uma festa no CC Lado B, na Praça XV, no centro do Rio. A faixa faz parte do álbum Cybertrópico (resenhado pela gente aqui) e ganha sua primeira exibição pública em um evento que mistura show, projeção e pista de dança.
Dirigido por Wilbor Domina, o vídeo aposta numa estética urbana e traz o influenciador Ofichina como um motoboy em clima distópico. Além do show da banda, a noite terá DJ set de Marcelinho da Lua (opa, como você já viu ali em cima, no domingo ele estará com o Will Calhoun) e discotecagem de Wilbor ao lado do coletivo Big Baby Produções. E a ideia é transformar o lançamento em um encontro de cenas e gerações da música alternativa carioca.
SERVIÇOS:
NINA MAIA. Manouche. Rua Jardim Botânico, 983 (Subsolo da Casa Camolese), Jardim Botânico, Rio. Quarta (11) às 20h30 (abertura da casa às 19h30). Ingressos aqui.
WILL CALHOUN. Manouche. Rua Jardim Botânico, 983 (Subsolo da Casa Camolese), Jardim Botânico, Rio. Domingo (15), às 18h. Ingressos aqui.
ROCKARIOCA CONVIDA TACY E GUGA BRUNO. La Esquina. Avenida Mem de Sá 61, Lapa). Quinta (12). Horários: 19h30 (casa abre), 20h30 (Tacy), 21h30 (Guga Bruno), 23h (festa da casa). Ingressos aqui.
SEXTA 13 NO GRAU + DISSTANTES. CC Lado B. Rua Primeiro de Março 14, Praça XV, Centro, Rio de Janeiro. Sexta (13), às 20h30. Ingressos aqui.
Foto Nina Maia: Elisa Mendes / Divulgação
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Buffalo Tom, referência do indie noventista, anuncia shows no Brasil pra ano que vem

Quem cresceu ouvindo rock alternativo nos anos 1990 provavelmente esbarrou cedo ou tarde no Buffalo Tom. O trio de Boston sempre ocupou um lugar curioso no universo indie: não era exatamente barulhento como o grunge mais pesado, nem tão acessível quanto boa parte do college rock da época. O som deles ficava no meio do caminho: guitarras emotivas, melodias fortes e letras que pareciam falar diretamente com quem estava ouvindo. Esse equilíbrio acabou transformando a banda numa referência discreta, mas muito respeitada, para quem acompanha o indie desde então.
Agora, décadas depois, o Buffalo Tom finalmente vem ao Brasil. O grupo toca em Curitiba no dia 25 de fevereiro de 2027, no Jokers, e dois dias depois, em 27/02, passa por São Paulo para um show no Cine Joia. A turnê é organizada pela guerreira Maraty, e os ingressos começam a ser vendidos nesta sexta-feira (13), às 10h, pela Fastix.
Formado em 1986, o Buffalo Tom é um daqueles casos raros de banda que atravessou décadas praticamente sem mudar nada na formação. Bill Janovitz (voz e guitarra), Chris Colbourn (baixo e voz) e Tom Maginnis (bateria) seguem tocando juntos desde o começo, o que ajuda a explicar a identidade sonora tão consistente do grupo. Mesmo quando a moda do rock alternativo mudou várias vezes, eles continuaram produzindo discos com a mesma pegada melódica e sentimental que marcou seus primeiros trabalhos.
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A história da banda começa na cena universitária de Massachusetts, num momento em que o rock independente americano começava a ganhar outra cara. Nos primeiros passos, o Buffalo Tom teve uma ajuda importante de J Mascis, líder do Dinosaur Jr., que produziu os dois primeiros álbuns do trio e ajudou a moldar aquele som inicial mais cru e ruidoso. Com o tempo, as guitarras continuaram intensas, mas as músicas ficaram cada vez mais centradas em melodias e refrões marcantes.
Essa virada aparece de forma clara em Let me come over (1992), disco frequentemente citado como o ponto alto da carreira do grupo. Foi ali que surgiu Taillights fade, faixa que acabou virando uma espécie de cartão de visitas emocional da banda. Nos anos seguintes, o Buffalo Tom consolidou uma base fiel de fãs com discos como Big red letter day (1993), Sleepy eyed (1995) e Quiet and peace (2018), além de aparições em rádio, MTV e até televisão.
Ao contrário de muitas bandas de sua geração, o trio nunca virou apenas uma lembrança de época. Em 2024, eles lançaram Jump rope, décimo álbum de estúdio, mostrando que ainda há espaço para novas músicas dentro de uma trajetória que sempre privilegiou canções bem construídas. O destaque desse disco foi a faixa Helmet.
A chegada do Buffalo Tom ao Brasil tem peso especial. Para quem acompanhou a banda nos anos 1990, é a chance de ver de perto um grupo que ajudou a moldar a sensibilidade do indie rock. Para quem descobriu o trio depois, pelos discos ou playlists que continuam circulando, é uma oportunidade rara de encontrar ao vivo uma das bandas mais queridas – e, ao mesmo tempo, mais discretas – daquela geração.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Mark Cameron / Divulgação
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A Place To Bury Strangers transforma vagão de metrô em show de noise rock

Tem uma coletânea de material raro do A Place To Bury Strangers prontinha pra sair: Rare and deadly, com lançamento previsto para 3 de abril pelo selo Dedstrange, compreende demos, lados B, experimentos abandonados, fragmentos esquecidos, gravações noturnas, fitas estouradas e sessões inacabadas. Tudo tirado direto do arquivo do vocalista e guitarrista do grupo, Oliver Ackerman. O disco já foi anunciado com a ruidosa Everyone’s the same, e dessa vez, vem Acid rain, música que a banda iniciou durante a primeira era Trump – e que vê a luz do dia agora.
“A crueldade parecia não apenas normalizada, mas usada como arma. Ver pessoas no poder coagindo abertamente outras ao silêncio, à submissão e à violência era horrível, e ainda é. O que mais me chocou foi a naturalidade com que tudo acontecia, a facilidade com que as pessoas viravam a cabeça enquanto outras eram esmagadas”, conta Oliver, falando de uma época bem igual à de hoje, já que o presidente alaranjado está de volta.
Já o clipe de Acid rain, dirigido por Gerson Vargas, é uma loucura à parte: tem quase sete minutos e começa em clima tranquilo, acompanhando a banda por uma viagem de metrô em Nova York – só que não é uma viagem qualquer, a banda vai fazer um show rápido e bem ruidoso num dos vagões tocando a nova música. O grupo faz questão de afirmar que nada ali foi refeito e que tudo rolou daquela forma mesmo: uma torrente de feedback, a banda tocando, o metrô rolando nos trilhos. No final, dá para rir com o aviso “não queremos ouvir isso, use headphones”, feito pela companhia de metrô de NYC.
“Os cânticos do início foram gravados durante os protestos de George Floyd em Manhattan e no Brooklyn, vozes reais, ruas reais, medo real misturado com esperança. Por um momento, pareceu que talvez as pessoas finalmente acordassem e rejeitassem essa máquina racista. Mas aqui estamos nós, ainda assistindo a centros de detenção, escravidão moderna e inúmeras outras atrocidades continuarem sob nomes diferentes. Acid rain é raiva, luto e descrença colidindo ao mesmo tempo, o som de assistir à história se repetir enquanto sabemos exatamente o quão errado isso é”, completa Oliver.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Heather Bickford / Divulgação


































