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Cultura Pop

Tem gente ainda lançando álbuns em formato 8-track hoje em dia?

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Tem gente ainda lançando álbuns em formato 8-track hoje em dia?

O canal de coisas sobre áudio antigo VWestlife recebeu uma fitinha 8-track estalando de nova. Veio da rapaziada do selo Common Time Tapes, localizado na Flórida, e especializado em fitas. Até o momento, o selo tem seis lançamentos. Alguns deles bastante criativos, como Atmos retro, do rapper JoDI, ligado ao triphop. A fitinha chega ao público com capa-surpresa, sem visual fixo. “Cada cassete tem um desenho aleatório. Ficará claro? Azul? Cor de rosa? Futurista? Retro? Quem sabe!”, contam.

A fita que chegou pra turma do canal é From yesterday’s perspective, de um misterioso projeto chamado Savannah Grand, que faz música instrumental lo-fi. O álbum foi lançado igualmente em K7 e ganhou uma tiragem limitada de cópias em 8-track. O Bandcamp dá dois avisos fundamentais para futuros fãs do grupo: 1) a fitinha de oito pistas etá esgotada; 2) “Os efeitos sonoros com rachaduras e estalos de vinil foram adicionados a algumas faixas para dar ambiência e sensação geral retrô. Os ruídos são intencionais e não resultado de uma gravação ruim”.

O formato 8-track, que chegou a ser bastante popular (até mesmo no Brasil), sumiu da agenda das gravadoras lá pela metade dos anos 1970. Muito embora o comércio de fitas de oito pistas virgens continuasse. Até porque no meio publicitário e no universo do rádio, o suporte continuou a ser popular.

Em 2000, para a surpresa de muita gente, saiu um disco ao vivo dos Melvins, Live at Slim’s, em 8 pistas.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Preservando a memória dos… antigos cartuchos de 8 pistas (!)

O álbum foi lançamento não-oficial de um selo chamado Life Is Abuse, de Oakland, responsável por colocar nas lojas álbuns de bandas insociáveis como The Kicker (cujo LP Bobsaw, de 2011, traz na capa uma releitura bizarra do lay out de Unknown pleasures, estreia do Joy Division) e Ludicra. Não faço ideia de onde os fãs dos Melvins tocaram esse álbum, mas de repente quem tinha um aparelho antigo em casa, ou herdado dos pais, curtiu a fitinha.

Alguns anos antes disso, em 1988, gravadoras como a RCA e a Columbia, por intermédio de seus “clubes de discos” (que ofereciam álbuns a preços acessíveis) soltaram uma série de 8 tracks de discos de sucesso, como Joshua tree, do U2. O maior sucesso dessa leva foi a platinada coletânea Greatest hits, do Fleetwood Mac, lançada naquele ano.

Todo esse esforço foi insuficiente para provocar um revival, ainda mais numa época em que todo mundo só queria mesmo era saber de CD. Mas ainda hoje volta e meia alguém resolve tirar um barato lançando discos no formato.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Tem gente lançando discos em cilindro, em pleno 2017

A ruidosa banda americana Oh Sees (e você até leu sobre isso no POP FANTASMA faz um tempo), por exemplo, viu rolar uma força-tarefa daquelas para que saíssem todos os seus discos numa caixa (!!!) de fitinhas de oito pistas. A galera do heroico e idealista selo 5Seven, que lançou o material, ralou feito uma trupe de condenados para poder mandar fazer cem cópias da caixa, já esgotadas.

“Nenhum fabricante faz 8-track hoje, então criamos todo o box set rastreando fitas existentes, para depois transformá-las em novos lançamentos”, diz o fundador da 5Seven Records, Maximiliano (que prefere não divulgar o sobrenome). Que, aliás, reuniu mais de uma dezena de artistas e designers para criar do zero os box sets. Juntos, eles trabalharam em tudo, desde a criação de arte para as capas das fitas, passando pelo zine de acompanhamento e pela criação de uma caixa especial para caber as fitas. Também houve a busca por cores específicas de fitas de 8 faixas e a restauração delas para uma qualidade audível”, explicou um excelente texto da The Verge.

E mais recentemente, o mundo das 8-track voltou a roçar o mainstream por intermédio de ninguém menos que Dolly Parton. A rainha do country lançou no finzinho de 2020 o disco de Natal A Holly Dolly Christmas.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Nove discos lançados em… disquete (sim, isso existe)

“Tanto a versão em cassete quanto a de 8 faixas oferecerão uma faixa bônus exclusiva não disponível nos outros formatos. Mas se você está pensando em ir ao porão para ver se o seu player de 8 faixas ainda funciona, você pode se surpreender ao descobrir que uma cópia do álbum nesse formato custará US $ 54,99”, diz o site The Omak Chronicle. Não foi só ela, por sinal, que encarou o formato recentemente, como o próprio artigo diz. Em 2009 o Cheap Trick lançou o disco The latest em 8 pistas. Em 2019, a banda country The Midland soltou um disco em tiragem limitada também no formato, Let it roll.

Provavelmente esses lançamentos são insuficientes para dizer algo como “opa, vai rolar um revival das 8 track” (até porque, na boa, não deve haver fabricantes de aparelhos por aí). Mas se você por acaso curte esse tipo de suporte, tem até uma data vindo aí pra você comemorar. O DIA DA 8-TRACK (sério) rola no dia 11 de abril. “É um grande dia para estourar sua velha fita de oito trilhas e explicar aos confusos millennials o que é”, diz o site National Today, especializado em datas comemorativas e “dias de” coisas.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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