O disco novo da banda paulistana Republica sai sexta (22) e se chama Brutal and beautiful. Quem for no domingo (24) ao Rock In Rio e assistir ao show da banda no Palco Sunset, antes do Sepultura, vai poder conferir dez das onze canções do álbum sendo apresentadas no festival – além do material novíssimo, tem músicas que os fãs já conhecem, como The maze, Beautiful lie, Intimacy of your soul (que acaba de ganhar clipe) e Stand your ground (que estava na trilha da novela Rock Story, da Globo). Eu bati um papo com o vocalista Leo Bieling e ele me adiantou não só como vai ser o show (é o terceiro da banda no festival), como também falou a respeito da mini-turnê que a banda vai fazer em dezembro pela Europa, abrindo três shows para ninguém menos que Alice Cooper. E sobre como foi trabalhar com Matt Wallace, que comandou as gravações do álbum novo (o material dessa entrevista é o bruto de uma matéria sobre eles que fiz pro O Dia).

Como foi que vocês conseguiram abrir esses shows pro Alice Cooper? Nosso empresário conhece o empresário dele, o Shep Gordon, que cuida da carreira dele desde o inícío até hoje. Ele mandou uma cópia do disco novo pro Shep, em branco, sem nada escrito, e só falou: “Ouve isso aqui”. Esses caras ficam curiosos com essas coisas, porque eetão acostumados a receber pacotes de apresentação e muitas vezes nem dão bola. Gostou do som, perguntou o que era e falaram que era “o Republica, do Brasil”. Ele até falou que achou que a gente fosse de lá mesmo dos Estados Unidos, ou da Europa. O Shep só falou que precisava mandar para o Alice, para ver se interessava a ele apresentar isso ao público dele. O Alice também gostou e conseguimos encaixar três datas. Se tivesse rolado antes a gente talvez tivesse tido mais shows, mas só de abrir o show de uma lenda viva está ótimo para nós.

Já que impressionou o Alice e o empresário dele, dá pra dizer que tem um disco bem forte vindo aí, né? Sim, o disco levou a gente numa posição legal no line up, antes do Sepultura. Seremos a penúltima banda a tocar no Palco Sunset às 18h, com o público todo já na casa. O disco novo se chama Brutal and beautiful porque tem esse contraste, de ter um lado mais pesado, mais denso, e um lado mais solto, mais suave, mais melódico. Mas em resumo ele é bem forte e denso. Não digo em relação ao gênero, mas em relação às características sonoras. Ele transita entre vários gêneros, já que o Republica não é uma banda de heavy metal nem de hard rock, nem stoner, nem grunge. Temos várias influências, desde o heavy até o pop.

E como foi trabalhar com o Matt Wallace? Cara, foi uma das experiências mais legais de vida pra gente. Fomos atrás dele pelo histórico dele, ele é muito eclético. Ele consegue fazer Deftones, Faith No More, Sheryl Crow, Maroon 5, transita bem entre vários gêneros. Não é um cara só do rock, ou do pop. Ele consegue extrair o melhor de cada banda, não tem um som dele. Ele faz a banda entregar o melhor som. E além da capacidade técnica, ele é um ser humano espetacular. E não é um cara fácil de satisfazer, não. Ele é extremamente exigente. Te faz chorar se for pro bem da música, te faz ficar muito louco se for pro bem da música, te faz ficar puto… Ou muito tranquilo. E virou um sexto membro, a gente fala com ele toda semana. Ele esteve aqui no Brasil há pouco, ficou na casa do guitarrista, fizemos um ensaio do Rock In Rio para ele dar uma olhada.

E o Rock In Rio, como vai ser? Vamos apresentar dez das onze músicas do disco novo e algumas do anterior, Point of no return. É praticamente o disco inteiro, tirando uma música só. A gente vem com uma produção grande em termos visuais. Vai ter uma convidada especial que é a Iva Giracca, da Camerata Florianópolis, que tocou com o Steve Vai no Rock In Rio em 2015. Ela vai tocar três músicas com a gente.

Mas não é um risco enorme apresentar material novo num show de festival? Você tem razão, é um risco, porque a gente trabalhou muito no outro disco e tem músicas que o público esperaria ver. Mas a gente gosta de correr riscos. É a oportunidade de apresentar o repertório quase completo, com transmissão do Multishow. É um teste de fogo, e prefiro uma plateia que vai ficar um pouco mais calada e entender o que tá vendo do que aquele público que talvez fosse cantar junto. Acho que não tem como falar o que é melhor ou pior, a gente queria apresentar o disco novo e ver como as pessoas recebem essas novas músicas.