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Cultura Pop

Replacements e o show de duas horas e 43 músicas (!)

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Replacements e o show de duas horas e 43 músicas (!)

Você talvez já tenha lido nosso relatório enorme explicando como e porque Pleased to meet me, disco de 1987 dos Replacements, é um álbum importantíssimo para a história do rock. Se não leu, tá aqui. Mas de qualquer jeito, vale informar: ô bandinha complicada.

Os Replacements, liderados por um gênio da composição chamado Paul Westerberg, eram uma banda que adorava frustrar as expectativas de qualquer pessoa que lidasse com eles. Afrontavam produtores, colegas e donos de gravadoras. Costumavam chegar bêbados a compromissos importantes e causar constrangimentos sérios. E até mesmo o público sofria lá suas espinafradas, como rolou num show deles no prestigioso CBGB’s, em Nova York, em 9 de dezembro de 1984.

A banda (Paul na guitarra e voz, Tommy Stinson no baixo, Bob Stinson na guitarra solo e Chris Mars na bateria) estava tocando na casa com pseudônimo: Gary and The Boners. Isso porque cinco dias depois fariam um show numa casa maior em NY. Só que houve um detalhe básico que aumentou o drama. O grupo, contando três álbuns independentes, estava sendo assistindo naquela noite por executivos de várias gravadoras. Tudo isso por causa de um burburinho promovido pelo jornal Village Voice em relação a eles, que fazia com que o grupo fosse considerado a “próxima grande coisa” do rock.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Cult rockers: Mainstream rebels: clássicos de Replacements, Suicide e Alex Chilton numa coletânea fodástica

Possivelmente por causa das ilustres presenças na plateia, o quarteto naquela noite estava (como diria sua avó) impossível. Peter Jesperson, empresário da banda, se preparou. Se deixasse Westerberg e seus amigos saberem o que os esperava na plateia, “eles aproveitariam para fazer algo realmente ridículo”. Então não deu outra: os Replacements, subiram bêbados feito quatro gambás e avacalharam o show. Que aliás durou duas horas e foi composto em sua maioria por trechos (!) cortados de várias músicas, inclusive várias deles.

O livro Trouble boys: The true story of The Replacements conta que, ao todo, a banda tocou 43 canções num período de tempo em que, num show comum, não caberia metade disso. Só para se ter uma ideia, no show de Bruce Springsteen em São Paulo, em 18 de setembro de 2013, o chefão do rock apresentou 29 canções em 3 horas e 15 minutos. Em tese, é possível: se os Replacements emendassem uma música na outra e não parassem nem para fazer xixi, teriam uma média de 2 minutos e meio para cada canção.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Replacements: disco ao vivo gravado em 1986 chega às lojas

A banda já vinha mostrando trechinhos de canções (incluindo a natalina You’re a mean one, Mr Grinch), quando de repente um sabichão da plateia: “Toquem o ‘pussy set’!”. Era uma referência a um famoso set de canções açucaradas ou clássicos do country e do rock antigo, que eles tocavam apenas para afrontar plateias punks. Ok, por que não? A banda abriu tocando uma canção própria, Color me impressed. Cortou no meio e passou para Jolene, da Dolly Parton. E para Misty mountain hop, do Led Zeppelin. Tudo cortado e amontoado.

Teve mais loucura: I will follow, do U2, virava “kids don’t follow”. Hey good looking, de Hank Williams, apareceu com a letra de Temptation eyes, dos Grass Roots. Westerberg avisou ao microfone que “essa é nossa última, última porra de show”. Uma garota da plateia alucina pedindo Heartbeat (It´s a lovebeat), da The DeFranco Family, o tempo todo (a banda não tocou essa). Avisados no fim do show que Gene Simmons, do Kiss, tinha acabado de chegar no recinto, os rapazes atacaram com uma cover de Black diamond, do Kiss, em poucos minutos. “Como eles souberam que eu estava aqui?, perguntou-se o músico (Jesperson estava na mesa de som e avisou Westerberg pelos monitores).

>>> Veja também no POP FANTASMA: No sex: Alex Chilton canta sobre Aids, em 1986

O grupo espantou todos os executivos de gravadora que estavam lá. Mas arrumou um fã ilustre: ninguém menos que Alex Chilton, ex-Big Star, que era ídolo deles. Isso porque Chilton estava vivendo em Nova York por aquela época e acabou abrindo (!) o show dos Replacements. Westerberg até esqueceu temporariamente sua pose blasé costumeira para tietar Chilton. Aliás, o músico avisou a Jesperson sobre sua intenção de “fazer algo no estúdio” com os Replacements. Acabou, como você deve saber, homenageado por eles com Alex Chilton, a canção.

Aliás, tem um disco pirata duplo dos Replacements com esse show, merecidamente intitulado Live and drunk, com 38 alegadas 43 músicas tocadas naquela noite. Não tem inteiro no YouTube, só trechos. Muita gente vê semelhanças entre o que os Replacements fizeram nesse show e a salada bizarra de músicas dos shows do Nirvana no Brasil em 1993, embora o contexto do show do Nirvana tenha sido bem diferente.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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