Cultura Pop
Quando o produtor da Gretchen cuidava dos LPs dos Trapalhões

Tinha uma época em que Os Trapalhões era um programa exibido pela Rede Tupi. E em que o quarteto formado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias era novidade, já que alguns anos antes Wanderley Cardoso, Ivon Cury e Ted Boy Marino completavam o quarteto com Renato Aragão. Essa fase intermediária dos Trapalhões na Tupi foi curta (durou de 1974 a 1977), tem bem poucas recordações espalhadas pelo YouTube e, além dos programas, rendeu dois LPs.
https://www.youtube.com/watch?v=gbgFwD2QeYU&list=PLza20uVuJmI9Ate94DvtMfrKZAU5fdTSX
https://www.youtube.com/watch?v=73I1AX3JQnY&list=PLza20uVuJmI_-2B2c4vqzlOwb1qh0kDSP
Os dois discos, Trapalhões vol. 1 e Trapalhões vol. 2, tiveram produção de um dos maiores gênios subestimados do pop nacional, Mister Sam, o cara que ajudou a lançar a Gretchen – e também lançou nomes como Nahim, Sol e Black Juniors, cujo primeiro hit Mas que linda estás marcou a cultura black nacional e trouxe Mister Sam operando uma bateria eletrônica DMX Oberheim, “igual a que o New Order usou em Blue monday“.
O blog Violão, Sardinha e Pão deu uma resgatada na história desses discos batendo um papo com o próprio Mister Sam, que recordou como foi produzir os álbuns dos Trapalhões. Para começar, Sam, recém-chegado da Argentina por aqueles tempos, tinha que acertar em cheio e vender discos. Como ele era produtor do Wanderley Cardoso, ia com ele a todos os programas de TV e tinha uma entrada com Tito Di Miglio, produtor da Tupi de São Paulo, aproveitou uma ida a Os Trapalhões para sugerir a eles que poderiam fazer aquilo mesmo que faziam no palco, num estúdio.
“O disco foi gravado ao vivo dentro do estúdio. Benito de Paula Ao Vivo também foi gravado ao vivo dentro do estúdio”, informa o produtor, que cuidou de várias gravações de nomões da Copacabana antes de começar a produzir Gretchen.
No primeiro disco, ele não conseguiu aproveitar nem Mussum (então percussionista dos Originais do Samba e contratado da RCA) e Zacarias (que na lembrança de Sam, estava contratado de outra gravadora). Sobrou para Didi e Dedé, que apareciam apenas atuando em esquetes escritos por Renato Aragão – o resto do material era completado por músicas de artistas populares da gravadora.
https://youtu.be/73I1AX3JQnY
https://youtu.be/E40CpC5IOew
No segundo LP, vários esquetes e duas músicas, com Didi e Dedé cantando mal: Dança do pssite e Trapa-trapa, ambas feitas por Sam e ninguém menos que Wanderley Cardoso. “Fazer as musicas para o Renato e o Dede cantar foi um milagre. Eles não eram cantores”, disse Mister Sam.
Veja também no POP FANTASMA:
– O mundo realista dos Trapalhões
– Trapalhões: letras traduzidas com Didi Mocó
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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