Peter Blake e sua então mulher Jann Haworth tiveram uma ideia genial – desenvolvida a partir de conversas com Paul McCartney – para a capa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Essa ideia, você sabe, está nas lojas de discos desde 1967: uma fotomontagem com 56 figuras variadas do universo pop, da história, da política, da literatura, do cinema, etc.

As figuras foram escolhidas a partir de listas montadas por três dos Beatles (George Martin afirmou que Ringo Starr enrolou até o fim e não mandou nada). Já John Lennon, que pouco antes do disco tinha feito aquela declaração de que via os Beatles como mais famosos que Jesus Cristo, mandou o bom senso pra ponte que partiu e escolheu justamente Jesus e Adolf Hitler (!) para figurarem na capa do LP.

O encontro do homem de Nazaré com um filho da puta da estirpe de Hitler teria feito bastante mal à banda, claro. A escolha de Lennon por Jesus foi revelada pelo próprio Paul McCartney no livro Conversations with McCartney, de Paul DuNoyer.

E a ideia foi colocar na capa do disco a tal controvérsia dos Beatles serem ou não mais famosos que Cristo – que levou religiosos a queimarem os discos da banda, e DJs a se recusarem a tocar músicas dos Beatles. Ao que parece tanto a banda quanto a gravadora decidiram nem levar o assunto adiante e nem sequer chegou a ser produzido um recorte de papelão com Cristo.

Com Hitler – também uma ideia de “menino travesso” de John, de acordo com o próprio músico – a coisa foi um pouco diferente. A equipe de Blake chegou a fazer um recorte de papelão do ditador nazista, e ele chegou a ser posicionado na instalação que gerou a capa. Só que acabou não aparecendo na foto final.

“Hitler estava de fato coberto atrás da banda. Ele está lá. Você simplesmente não pode vê-lo”, afirmou. Paul chegou a se lembrar da história afirmando que “na capa do disco ele queria Jesus Cristo e Hitler. Eu ri muito. A gente estava colocando pessoas famosas na capa e ele disse ‘Hitler! Ele é famoso’, mas eu disse: ‘é, John, mas a gente quer colocar nossos heróis na capa, e ele não é nosso herói. O Winston Churchill é seu herói, John’, Ele era bem fã do Winston, e ele estava só zoando”.

Sentindo que aquela capa poderia dar merda, a EMI resolveu correr atrás de todas as personalidades vivas ou mortas retratadas na capa – quem estava lá é porque teoricamente deu o ok. E mandou a banda cortar fora um outro recorte de papelão que já estava produzido: o de Mahatma Gandhi.

“Precisamos do mercado indiano. Se mostrarmos Gandhi em pé com Sonny Liston e Diana Dors, eles nunca nos perdoariam na Índia”, ordenou o presidente da gravadora, Sir Joseph Lockwood.

Via History