Brega psicodélico? O LunaLibre, banda com origens em Salvador (BA), mas radicada em São Paulo, define dessa forma o som que mostra em seu primeiro EP, Hum. Músicas como Meu amor, A lama, Estômago e No caso, eu caso têm uma sonoridade que lembra tanto Roberto Carlos quanto Zé Ramalho – além de artistas como Cidadão Instigado, Mutantes, Reginaldo Rossi e Otto.

“Esse conceito de brega psicodélico surgiu fazendo! Foi o que pautou a produção! Sempre que vinha uma dúvida a gente recorria pra trabalhos que a gente gosta muito como Radiohead, Tame Impala, Pink Floyd só que todo construído em cima de muita audição de música brasileira”, conta Thiago Lucas (voz e baixo), que divide a banda com Vicente Dias (guitarra), Rafael Pacheco (guitarra) e Gustavo Guanaes (teclado). “Somos quatro integrantes que têm muita bagagem diferente. Na hora do caldeirão deu isso e a gente achou necessário um ‘rótulo’ pra criar interesse no que estamos fazendo. Tem uma proposta!”.

MAIS UM EP

Thiago e Gustavo já tocavam na cena musical de Salvador antes da banda existir. Essas raízes na capital baiana deram até mesmo no nome do grupo, LunaLibre. “Gustavo tocava na Lunata e eu na Expresso Libre. Foi uma junção preguiçosa-conveniente-interessante!”, brinca Thiago. O trabalho musical do quarteto surgiu em 2016, quando todos começaram a trabalhar na mesma produtora de áudio em São Paulo – sendo que Gustavo havia ido estudar áudio em Los Angeles antes. “Produzimos muitas músicas que foram compostas ao longo da vida e que serviam pra o que a gente tava buscando. Em 2017 batemos o martelo da pegada e batizamos o projeto de LunaLibre”, conta.

Do EP novo, há músicas que já estão prontas até mesmo antes do conceito de “brega psicodélico” (e do grupo) surgir, como Estômago, que já tem dez anos. Do baú do grupo contam mais algumas canções. Havia 14, mas o grupo se decidiu por oito faixas para dois EPs – o segundo EP sai ainda no primeiro semestre. Material para inspirar o grupo não falta, uma vez que as canções do LunaLibre saem “da vida cotidiana, do drama cotidiano”, como diz Thiago.

“Se você analisa um pouco o clipe de Estômago, por exemplo, você percebe que é sobre um dia na vida de um cara. Não há nenhum acontecimento fantástico ou uma história pra contar pros seus netos, é apenas um dia”, conta, preferindo temas como dores de cotovelo, amores perdidos e coisas do estilo. “Eu particularmente gosto porque vai ter sempre alguém que vai ouvir e falar: ‘É isso!’ Gosto também do drama que a gente passa nesses momentos de emoção aflorada. Quando olhamos pra trás, às vezes era isso mesmo, mas muitas vezes era um exagero movido pelos hormônios-coração-estômago! Mas não estamos fechados a nada, nunca! Tá no DNA, somos libres!”, brinca.

QUATRO PRODUTORES

Uma curiosidade: com quatro produtores na formação (afinal, todos trabalham com áudio), como foi juntar os pensamentos e visões de todo mundo na hora de fazer o EP? “Como o conceito surgiu antes da formação da banda em si a gente foi trabalhando em cima do que a gente tinha na sequência. A maioria do trabalho braçal foi basicamente eu e Gustavo, Rafa e Vicente chegaram pra somar já na metade pro fim do processo de produção. Mas é muito bom ter gente pra debater que caminho tomar numa produção. Quando se faz esse trabalho sozinho, as vezes cê acaba entrando nuns loops que acabam se tornando óbvios pra você. E quando você consegue dividir isso com mais gente, a coisa vai tomando uma forma muito interessante!”, relata Thiago.

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