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Ouvimos: Ty Segall, “Love rudiments”

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Ouvimos: Ty Segall, "Love rudiments"
  • Love rudiments, disco novo do cantor e guitarrista de garage rock Ty Segall, é definido por ele como “uma meditação sobre seu primeiro amor: a bateria”, já que o material é composto por quatro longas faixas percussivas.
  • O selo Drag City o define dessa forma: “Ty mapeia o crescimento e o declínio de um caso de amor, para explorar alguns dos espaços mais delicados que conhecemos — o local emocional privado onde apenas dois podem se encontrar”.

Se você chegou ao final de Love rudiments e se perguntou “será que eu gostei?”, fique calmo/calma. Você é apenas uma pessoa normal. Provando e comprovando sua versatilidade, com direito a uma dose bem alta de cara de pau, o músico norte-americano Ty Segall – que já gravou uma enormidade de discos e já foi do glam rock ao acid rock, passando por sons experimentais – resolveu se dedicar em seu novo álbum a temas de jazz meditativo, tocados na bateria e na percussão. E também em instrumentos como vibrafone e xilofone, além de um ou outro instrumento eletrônico.

O resultado é bastante desafiador e está longe de ser ruim, mas nem a pau é um disco de jazz formal – o approach de Ty está um pouco mais próximo das encucações jazzísticas dos nomões do rock progressivo, do heavy metal e da música experimental, com tons sombrios, andamentos mais próximos do rock (o excerto Walk home pt.1, por exemplo, é bem marcial, quase motorik). No geral, tudo mais próximo do toque de um Bill Ward, ex-baterista do Black Sabbath, do que dos tons tribais ou delicados da turma do jazz. A entrada dos vibrafones no disco faz lembrar bandas como os progressivos pouco lembrados do Patto, aliás.

Um detalhe curioso é que Love rudiments é um disco instrumental e… conceitual, já que suas quatro longas faixas, por intermédio de títulos e excertos, “falam” musicalmente sobre a ascensão e a queda de um caso amoroso. A sequência começa com First look e First conversation e chega à sêxtupla Honeymoon/Life/Confrontation/Argument/Separation/Realization, já indicando que a coisa não terminou nada bem.

Nota: 7
Gravadora: Drag City

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Ouvimos: Runner And Bobby – “Adoring a friend”

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Resenha: Runner And Bobby – “Adoring a friend”

RESENHA: Entre pós-punk, dream pop e psicodelia, o Runner And Bobby soa em Adoring a friend como um clássico indie perdido entre 1982 e hoje.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 2 de janeiro de 2026

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Essa banda com nome de desenho animado vem de Chicago, tem ar gótico + pós-punk arrumadinho, e diz amar de Cocteau Twins a Black Sabbath. O som varia entre psicodelia, pós-punk, dream pop e até power pop – um pouco de Elvis Costello e um pouco de The Cure misturados a outros elementos, pois. Mas o principal é a estética de estúdio deles. Eles preferem que você escute o som deles quase sem “intermediários”: sem muitos efeitos, criações de estúdio.

Sabe-se lá se isso foi por restrições orçamentárias ou se foi por opção estética, mas a bateria de Adoring a friend, segundo álbum deles, é quase esquelética de tão simples – em alguns momentos, o instrumento apenas conduz a música, sem sombra de peso, ou de querer se sobressair. A guitarra às vezes soa igualmente simplificada, mas quase sempre é banhada no reverb, dando uma ideia de psicodelia em meio ao som do grupo.

Vai daí que Adoring a friend passa uma imagem de disco antigo lançado por um selo indie desconhecido em 1982, mas que só cinco pessoas ouviram. Faixas como Last one, Fate you choose e a tristinha Caught, entre o dream pop e o pos-punk, têm essa cara – parecem realmente algo gravado há décadas e só hoje resgatado. All because of you é neopsicodelia oitentista da brabas, som emocionado como se fazia lá por 1984, mas com design punk. Bite down parece unir The Cure e The Clash na mesma melodia e na mesma batida.

  • Ouvimos: Big Long Sun – Love songs and spiritual recollections

Já que falamos em neopsicodelia, muita coisa do disco do Runner And Bobby soa como os anos 1960 revisitados por bandas meditabundas dos anos 1980 – mas sempre transparecendo certa alegria na melancolia. Tem isso em baladas doces e poderosas como Island of 1998 e Tough look, assim como Colors parece uma leitura docinha dos Pixies e do Weezer. Músicas como Swarm e A for always são shogaze do comecinho, de quando “shoegaze” nem chegava a ser apenas uma brincadeira. No geral, Adoring a friend é um som de época – mas tem várias épocas aqui, inclusive a de hoje.

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Ouvimos: Boia – “Boia” (EP)

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Resenha: Boia – “Boia” (EP)

RESENHA: O Boia estreia misturando jazz, MPB, soul e pós-punk num EP curto, inventivo e cheio de climas surpreendentes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente / Tratore
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Luli Mello (vocal), Murilo Kushi (baixo), Leo Bergamini (violão), Murilo Costa Rosa (guitarra), Tato Quirino (sopros) e João Decco (bateria) são os integrantes do Boia, uma variadíssima banda de Campinas (SP) que acaba de estrear em disco. Boia, o EP do sexteto, é quase um maxi-single: três faixas que apresentam o / a ouvinte ao universo do grupo. Um disco para ouvir rápido, mas com imersão – e aproveitando a curta duração pra repetir alguns momentos.

  • Ouvimos: Antropoceno – No ritmo da Terra

Boia, faixa-título e “faixa-banda” do grupo, tem muito de jazz, de MPB da Odeon nos anos 1970, e de musica instrumental nacional dos anos 1980, tudo junto – a letra, por sua vez, é uma poesia que une mares, universos e buscas. Olhe teu lado lembra Joyce e Moacir Santos, ao mesmo tempo que tem algo de soul na cadência. Versos como “gente da cidade / que deságua no interior / pra ver o tempo / se desdobrando em cores” sugerem algo da toada moderna sessentista. Uma vibe entre Antonio Adolfo & Tibério Gaspar e Arthur Verocai.

Qualquer dia une conceitos que parecem imiscíveis: batida marcial e jazz nacional, Edu Lobo e cadência pós-punk – abrindo com violão e flauta, prosseguindo com um certo ar de reggae e emendando em música teatral, quase um cabaré de estilos. Ótima surpresa.

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Ouvimos: Rhododendron – “Ascent effort”

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Resenha: Rhododendron – “Ascent effort”

RESENHA: No disco Ascent effort, o Rhododendron mistura math rock, jazz e metal em faixas longas, tensas e caóticas, entre peso e contemplação.

Texto: Ricardo Schott

Nota:
Gravadora:
Lançamento:

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Banda com nome de flor misteriosa, o Rhododendron já falou sobre influências de jazz em seu som, e geralmente é inserido na denominação “math rock” – o que significa que fãs do Angine de Poitrine podem ouvir o som deles sem muitos sustos.

Esse trio do Oregon na real tem até mais interesse para quem curte música pesada do que para fãs de sons experimentais: tem jazz ali, tem math rock ali, tem drone music (em especial), mas o filtro é metal. Nos vocais e na guitarra, Ezra Chong insere a medida de desespero e aflição que a música deles precisa – Gage Walker (baixo) e Noah Mortola (bateria) fazem o som andar e quebram ritmos a ponto de dar a impressão de cinco músicas dentro de uma só.

Esse desespero, primo do pós-hardcore, do jazz e também do Napalm Death, é a cara de Ascent effort, segundo álbum do trio, composto por cinco longas músicas, várias partes, vocais berrados sem aviso prévio e climas ríspidos – que volta e meia são substituídos por passagens altamente melódicas e belas, quase um sonho musical, até voltar todo o peso.

Firmament, na abertura, é pesada e metálica, mas até a bateria de Mortola parece jazzística em vários momentos. Like spitting out copper traz modificações rítmicas, sustos musicais e uma vibe meio deprê ao longe. Stow, de nove minutos, imprime só um pouco de contemplação ao som (peraí, tudo em Ascent effort pode ser contemplativo – depende do seu tipo de contemplação – mas estamos falando de algo mais sublime).

  • Ouvimos: Mayhem – Liturgy of death

Family photo, por sua vez, abre sombria e com ritmos pouco usuais – tem algo tanto de Soundgarden quanto de jazz-rock – e vao alternando partes ferozes e contemplativas, como num caminho tenso que leva a lugares mais tranquilos, e assim sucessivamente. Os treze minutos de Within cripping light encerram o álbum caminhando até a luz ofuscante do nome da faixa. Uma música que resume a vibe do Rhododendron, que é a das sombras nas florestas, do mistério nas montanhas, e das imagens que deixam o macabro como um segredo a ser descoberto na segunda ou terceira olhada.

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