Urgente
Maurilio mistura ijexá e memórias da rotina em novo single

Maurilio lança Tristeza na beira do mar, primeira música divulgada de Flecha do avesso, seu álbum de estreia solo, que sai pelo selo Frase Records. A faixa foi composta em parceria com Rael Valinhas e Livia Nery e resume um pouco da mistura de referências que o músico vem acumulando desde os tempos em que tocava em bandas de rock e blues.
Filho de nordestinos e criado no interior de São Paulo, Maurilio também passou parte da vida no Amapá e no Rio Grande do Sul. Essa circulação aparece bastante na música dele, que junta elementos de samba-rock, ijexá, coco e MPB sem ficar presa a um estilo específico.
“Sou filho de um trombonista do exército. Fui criado no Sudeste, mas morei no extremo norte do país e também no extremo sul. Comecei a me interessar por música ouvindo os CDs que tinha em casa, então os primeiros artistas de que gostei foram Blitz, Legião Urbana e Phil Collins. Vendo a MTV, passei a gostar de Kiss e virei um ‘rocker’. Uma mistureba danada”, conta o artista.
Maurilio diz que cresceu ouvindo de tudo e que isso acabou influenciando diretamente sua forma de compor. “Ouço absolutamente de tudo e me deixo influenciar por tudo. Posso estar ouvindo um disco do Deep Purple e em seguida ir ouvir samba enredo ou um disco de forró, sem nenhuma dificuldade. Gosto de consumir e de gostar das coisas. E amo adentrar novos universos dos quais sempre fui estrangeiro”, confessa Maurilio.
Em Tristeza na beira do mar, a percussão ocupa o centro do arranjo, substituindo a bateria tradicional. A música nasceu a partir de um candombe mostrado por Rael Valinhas e acabou tomando um rumo mais próximo do ijexá e de referências da música baiana. A letra fala da tentativa de encontrar algum respiro no meio da rotina pesada, sem transformar isso numa fantasia escapista.
O álbum Flecha do avesso tem produção de Guilherme Ceron. Livia Nery é diretora criativa do disco e, em Tristeza, ela canta e toca sintetizador, além de ser coautora da faixa.
Foto: Ricardo Ara / Divulgação
Urgente
Brothers No More transforma fim de relacionamento em pós-punk gelado no single “Days of Summer”

RESUMO: O Brothers No More estreia uma nova fase com Days of summer, single de pós-punk inspirado por The Cure, Joy Division e The Smiths, que aborda o desgaste dos relacionamentos com clima sombrio e atmosférico.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Cinco músicos italianos vindos de trajetórias diferentes resolveram cruzar referências em 2022 e acabaram chegando a um ponto em comum: nasceu ali o Brothers No More, uma banda ligada ao pós-punk e a clima de forte carga emocional nas letras – com referências como The Cure, Joy Division, The Smiths, The National, Fontaines D.C. e Sonic Youth. Na formação, Gerry Guarino (vocais), D. Guarino (guitarra), Paolo Langella (baixo), Giovanni Gonnella (bateria) e Francesco Rizzo (guitarra e teclados).
Depois do EP de estreia epônimo, lançado em 2024, o quinteto abre uma nova fase com o single Days of summer, produzido por Amerigo Verardi e lançado pelo selo NOS Records. A faixa antecipa um novo EP de seis músicas, previsto para outubro. A nova música tem toques simples e atmosféricos na guitarra, e clima gelado – e a letra, quase toda narrada, fala sobre mudanças e desgastes dentro de relacionamentos.
A ideia é não buscar culpados e inocentes na situação. Na real, talvez nem dê pra entender que parte do casal diz o quê na letra, que aliás começa com os dois notando que ambos gostam de The Smiths (por aí dá pra entender o clima de perdição emocional que vai tomando conta da música, aliás).
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
Terminal Guadalupe reflete sobre avanço da extrema direita em novo álbum

RESUMO: No álbum Ensaio sobre a urgência, a Terminal Guadalupe mistura rock alternativo, folk-punk e rock latino para refletir sobre o avanço da extrema direita e a crise política no Brasil e na América Latina. Conheça os singles.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Maicon Garcia / Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
A Terminal Guadalupe nunca foi uma banda de fazer rock olhando para o próprio umbigo. E Ensaio sobre a urgência, sexto álbum do grupo curitibano, será seu trabalho mais diretamente conectado ao momento político. O disco chega às plataformas em 13 de agosto, às vésperas do início da campanha eleitoral, trazendo um olhar sobre o avanço da extrema direita e seus reflexos no Brasil e no mundo.
Os singles já lançados deixam claro o caminho. O bebê de Mussolini fala da ascensão da extrema direita digital, enquanto Cristão, esposo, pai e patriota reconstrói o dia em que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior matou a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes, em agosto de 2025, em Belo Horizonte. O título reproduz exatamente a forma como o autor do crime se apresentava nas redes sociais.
- Baixista de Liniker e Maria Gadú, Ana Karina Sebastião lança primeiro single solo com feat de Rincon Sapiência
Antes da chegada do álbum ainda sai mais um single, mas o lançamento mais recente foi Mundo sin dueño. Cantada em espanhol, a música amplia o foco para a América Latina e funciona como um manifesto de solidariedade e resistência diante do avanço de governos ultraconservadores na região. Musicalmente, aproxima o rock latino da energia de bandas como Pixies, enquanto o restante do disco também passeia por referências de folk-punk e rock alternativo que remetem a nomes como Violent Femmes e Billy Bragg.
O conceito e a produção de Ensaio sobre a urgência ficaram nas mãos de Dary Jr. (voz) e Allan Yokohama (guitarra, teclados e vocais). A formação se completa com Gabe Salmazo (baixo, escaleta e vocais) e Luciano Vassão (bateria), enquanto Matheus Bittencourt, do estúdio Casa do Fundo, assinou a mixagem e a masterização. Gravado de forma remota e doméstica, o álbum transforma essa limitação em parte da proposta: um disco feito com poucos filtros, tentando responder ao presente enquanto ele ainda acontece.
E olha os singles já lançados aí.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
Direto de Atenas, Commuter amplia o caos no novo single “Guilt beats hate”

RESUMO: O Commuter retorna com Guilt beats hate, single que mistura noise punk e pós-punk em um som cru e caótico, antecipando o segundo álbum da banda grega formada em Atenas.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
A vida não melhora muito com o tempo — você só aprende a aguentar mais pancada. É com essa filosofia pouco otimista que o Commuter apresenta Guilt beats hate, primeiro single inédito da banda de Atenas desde o álbum de estreia Guilt eraser (2024). Também é a primeira gravação do grupo com o guitarrista Kostas Bariamis, novo integrante da formação.
A faixa mantém o barulho organizado que o quarteto vem cultivando desde o início: noise punk, pós-punk e guitarras que parecem prestes a sair dos trilhos a qualquer momento. Gravada ao vivo no estúdio, sem muita preocupação em esconder as imperfeições, Guilt beats hate tenta capturar exatamente o que o Commuter faz no palco: um som alto, caótico e direto. A música já antecipa o segundo álbum da banda, ainda sem título ou data de lançamento.
O single foi gravado, mixado e produzido por Alex Bolpasis, no Suono Studio, em Atenas, e masterizado por Greg Obis, do Chicago Mastering Service. O clipe, dirigido por Christos Lianopoulos, segue a mesma estética crua da faixa.
O Commuter surgiu em Atenas em 2019 como projeto solo do vocalista e guitarrista Dionysis Koutavas, tornando-se uma banda em 2021. Desde então, o grupo vem misturando influências do pós-punk canadense, da nova geração britânica e do noise rock mais abrasivo. Em 2025, fez sua primeira turnê europeia e dividiu palco com nomes como Dry Cleaning, Protomartyr, A Place to Bury Strangers, DITZ, Heavy Lungs e bandas gregas como The Steams e Deaf Radio.
Antes do álbum Guilt eraser, lançado de forma independente em 2024, o Commuter havia estreado com um EP homônimo em 2023, lançado em cassete pela Bitter Tea Records. Se Guilt beats hate servir de amostra, o próximo disco deve seguir ampliando o caos. Só que agora com uma banda ainda mais afiada.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.








































