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Trompas transforma angústias da pandemia em peso no single “Anxiety”

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A banda Trompas (Foto: Divulgação)

A pandemia já acabou, mas seus efeitos seguem aparecendo em músicas feitas naquele período, e lançadas agora. É o caso de Anxiety, novo single do Trompas, trio formado por Wally (voz e guitarra, fundador do CPM 22), Thiago Caurio (bateria) e Benhur Lima (baixo). A faixa nasceu das inquietações vividas durante os meses de isolamento e transforma sentimentos que marcaram aquele período na matéria-prima de um som pesado e arrastado.

O Trompas vem trabalhando numa área situada entre o sludge e o stoner metal, apostando em riffs lentos, clima sombrio e letras voltadas para desconfortos pessoais e coletivos. Em Anxiety, seu terceiro single, a banda olha para uma experiência comum na pandemia: a sensação de incerteza diante do mundo, já que toda a previsibilidade da vida com a qual a gente estava acostumado foi por água abaixo.

“Mesmo quando não estamos sozinhos, às vezes sentimos um certo vazio, uma tristeza, uma sensação de solidão. Escrevi essa letra durante a pandemia, quando eu tinha a impressão de que o mundo estava acabando. Aquilo gerou muita ansiedade, e acredito que muita gente tenha sentido o mesmo, porque foi uma grande loucura”, lembra Wally.

O músico recorda a lentidão dos dois anos de pandemia. “Havia uma mistura de angústia, ansiedade e incerteza, sem saber exatamente o que aconteceria dali para frente”, conta. “Foi um período que me inspirou muito a escrever. Acabei descarregando na letra várias coisas que estava sentindo naqueles dias, e tudo isso acabou se transformando na música Anxiety”.

Um detalhe interessante é a capa de Anxiety: Wally juntou antigos telefones de ramal da casa de sua família, espalhou tudo sobre um gramado e bateu a foto – que foi parar na arte do compacto. São objetos tradicionalmente ligados à urgência, à cobrança e à necessidade de comunicação, que aparecem fora de contexto, imóveis e silenciosos, e lembram de uma época em que o contato com o mundo exterior mudou totalmente.

Anxiety adianta o EP de mesmo nome, que chega às plataformas nesta sexta (19), e que fala sobre o lado mais complexo da vida: frustrações, relações desgastadas, vínculos que vão terminando e etc.

Foto: Divulgação

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E os Rolling Stones, que anunciaram um single sobre pizza?

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Rolling Stones - Foto: Kevin Mazur / Divulgação

Vai entender se isso é só uma brincadeira, mas os Rolling Stones publicaram no Instagram o aviso de que no dia 26, sai um single – que não está na lista de músicas do próximo álbum, Foreign tongues – cujo título de trabalho é Fuck ur pizza.

Na real, tudo que existe até o momento é o tal anúncio e um vídeo de ensaio da tal música, em que a banda aparece com o produtor Andrew Watt no estúdio comendo pizza, e surgem algumas conversas sobre comida. Mick Jagger, por exemplo, diz que não curte pizza, mas come se o alimento for “pequeno e crocante”. Ron Wood pergunta se tem de cogumelo.

Mais fácil imaginar os Stones lançando uma pizzaria com a marca deles do que uma música sobre a iguaria, mas se for verdade, a tal da Fuck ur pizza é uma produção que envolveu toda a turma que toca com a banda – e no tal vídeo, dá pra ver ninguém menos que a lenda viva Steve Winwood nos teclados.

Foreign tongues, que é o 25º disco de estúdio da banda, sai dia 10 de julho. O álbum traz Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood ao lado de seus principais colaboradores, incluindo Darryl Jones (baixo), Matt Clifford (teclados) e Steve Jordan (bateria). Também inclui uma participação especial do batera Charlie Watts, feita durante uma de suas últimas sessões de gravação (ele morreu em 2021). E ainda há participaçõoes de Steve Winwood, Paul McCartney, Robert Smith (The Cure) e Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers).

O disco só não vai ser lançado imediatamente com shows. Keith Richards diz que não existe plano de turnê para 2026 e que, neste momento, a prioridade é colocar o novo disco no mundo antes de pensar nos próximos movimentos. Talvez ano que vem. Mick Jagger, por sua vez, está ansioso para voltar aos palcos “o quanto antes”. Mas… “Não acho que será este ano. Espero que seja o mais breve possível”, disse.

Foto: Kevin Mazur / Divulgação

  • Mais sobre Foreign tongues aqui.
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Camping de produção musical gera primeiro lançamento do coletivo M_AI

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Camping de produção musical gera primeiro lançamento do coletivo M_AI (Foto: Marcos Bacon / Divulgação)

Uma experiência coletiva de criação musical deu origem a Por aí, primeiro lançamento ligado ao Camping de Produção Musical promovido pelo clube Música Que Não Toca Por Aí. O encontro, idealizado por Monique Dardenne, reuniu cinco produtores com trajetórias diferentes: L_cio, Nelson D, Nina Maia, Yann Dardenne e Julio Torres. Além da produção, todos atuam também como instrumentistas, compositores ou DJs.

A proposta era simples: criar uma música de forma colaborativa, sem uma liderança definida dentro do estúdio. O processo aconteceu ao longo de quatro encontros presenciais, complementados por trocas de ideias à distância. Parte dos participantes sequer se conhecia antes do projeto, já que vieram de cenas musicais distintas.

Por aí inaugura também o M_AI, coletivo que pretende reunir artistas em edições desses campings criativos. A ideia é repetir o formato com novos participantes, ampliando as conexões entre músicos e produtores.

Na faixa, a voz e a letra de Nina Maia conduzem uma composição baseada em repetição e atmosfera. As melodias foram construídas coletivamente e seguem um caminho próximo ao de um mantra, sem grandes mudanças de direção ao longo da música.

“Viver um processo de co-produção a muitas mãos é algo que sempre tive interesse. Estar ao lado de Nelson, Laércio e Yann criando a partir das nossas intuições, sob a direção afetiva e libertadora da Monique, foi realmente um presente. Por aí me move e me enche de orgulho – pelo resultado, mas principalmente pelo processo!”, conta Nina.

Monique Dardenne conta que o projeto nasceu da vontade de valorizar os processos criativos e incentivar a convivência entre artistas. Por aí, lançado pela Seloki Records com distribuição da Virgin Music Brasil, é o primeiro resultado dessa proposta. “É um laboratório vivo, com curadoria ativa, encontros pequenos e intensos, conversas profundas, experiências presenciais e conexões que geram impacto real para muito além do networking”, conta ela.

Além de música, tem papo, já que dentro do M_AI nasce também o videocast Música que Não Toca por Aí,  ocupando o bar Matiz, no centro de São Paulo, nesta primeira temporada. Gravado em um ambiente especial e composto por 7 episódios, o programa revela quem “são as pessoas da música e não apenas o que elas fazem”.

Em cada episódio, Monique vai entrevistar artistas e agentes fundamentais do mercado em um “papo profundo e divertido, guiado por histórias do coração contadas por 5 vinis da coleção pessoal do convidado, bastidores, aprendizados técnicos e momentos raros que permeiam a conversa e música de fundo”.

Foto: Marcos Bacon / Divulgação

 

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Sua playlist tem músicas criadas por IA? A Deezer quer mostrar

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Sua playlist tem músicas criadas por IA? A Deezer quer mostrar (Imagem: Alexander Shatov / Unsplash)

A inteligência artificial já está compondo, gravando e lançando músicas em escala industrial. E, pelo visto, muita gente nem percebe. A plataforma de streaming Deezer anunciou uma ferramenta gratuita que promete mostrar aos usuários se suas playlists incluem faixas criadas totalmente por inteligência artificial – mesmo que elas estejam hospedadas em outros serviços de streaming.

O detector online, lançado em 27 idiomas, funciona de maneira simples: o usuário conecta sua conta de streaming, deixa a plataforma analisar suas playlists e recebe um relatório indicando a presença (ou não) de músicas geradas por máquinas. A novidade surge num momento em que a discussão sobre transparência no streaming musical está cada vez mais quente.

A iniciativa vem apoiada por uma pesquisa realizada pela Deezer em parceria com a Ipsos, em oito países, incluindo o Brasil. Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados acreditam que músicas criadas integralmente por inteligência artificial deveriam ser identificadas de forma clara. Além disso, 73% gostariam de saber quando uma plataforma está recomendando esse tipo de conteúdo.

TESTE CEGO

O dado talvez mais impressionante seja outro: em um teste cego, 97% dos participantes não conseguiram distinguir uma música feita por IA de uma criada por seres humanos. Entre os brasileiros, o índice foi exatamente o mesmo.

Para Alexis Lanternier, CEO da Deezer, a ideia é ampliar uma política de transparência que a empresa vem adotando há mais de um ano. Segundo ele, quase metade dos usuários que chegam à plataforma vindos de outros serviços de streaming têm músicas geradas por IA em suas playlists sem necessariamente saber disso. “A grande maioria das pessoas quer saber se está recebendo recomendações desse tipo”, afirma.

No Brasil, Rodrigo Vicentini, gerente-geral da Deezer para a América Latina, afirma que a ferramenta pretende ajudar os usuários a entender melhor o que estão ouvindo. Segundo ele, oferecer mais transparência se torna cada vez mais importante à medida que conteúdos criados por inteligência artificial passam a ocupar espaço maior nas plataformas.

MUITA IA

A preocupação não é exatamente pequena. Atualmente, a Deezer afirma receber cerca de 75 mil músicas totalmente geradas por IA por dia. Isso representa mais de 44% de todos os uploads diários recebidos pela plataforma. Desde o início de 2025, a empresa diz ter identificado mais de 13,4 milhões de faixas desse tipo.

A plataforma também informa que remove músicas inteiramente produzidas por IA de seus sistemas de recomendação e de playlists editoriais. A justificativa é evitar que esse material interfira na distribuição de royalties para artistas humanos. Segundo a companhia, entre 1% e 3% das execuções totais da plataforma já vêm de músicas sintéticas — e boa parte delas estaria ligada a esquemas de fraude para geração artificial de streams.

A discussão vai além da simples identificação. Um estudo citado pela Deezer, realizado pela CISAC e pela PMP Strategy, estima que quase 25% da renda dos criadores musicais pode estar em risco até 2028 devido ao avanço da inteligência artificial generativa. Em valores, isso representaria cerca de 4 bilhões de euros.

SEM PROBLEMA?

Ao mesmo tempo, o público parece dividido. Se 73% dos brasileiros querem transparência sobre recomendações feitas por IA, 52% não veem problema em músicas criadas por máquinas disputarem espaço nas paradas ao lado de faixas feitas por artistas humanos. Só que parte desse grupo defenda que elas apareçam devidamente identificadas.

Curiosamente, o Brasil aparece como um dos países mais abertos à novidade: 65% dos entrevistados dizem ter curiosidade sobre músicas criadas por inteligência artificial e 76% afirmam já ter ouvido esse tipo de conteúdo ao menos por curiosidade.

A guerra entre músicos, plataformas, gravadoras e empresas de tecnologia ainda está longe de terminar. Mas, enfim, daqui para frente, saber se uma música foi feita por gente ou por algoritmos vai virar uma informação tão importante quanto saber o nome do artista.

Imagem: Alexander Shatov / Unsplash

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