Crítica
Ouvimos: The Raveonettes, “Sing…”

- Sing… é o nono disco da dupla dinamarquesa The Raveonettes, formada pelos cantores e guitarristas Sune Rose Wagner e Sharin Foo. A dupla escolheu dez artistas cuja influência é bastante sentida em seu som – incluindo Buddy Holly, Vince Taylor, Everly Brothers, The Shangri-Las, Buddy Holly, The Shirelles e The Velvet Underground – e verteu uma canção de cada para seu estilo.
- O disco foi puxado por singles com releituras de Gram Parsons (Return of the grievous angel) e Everly Brothers (All I have to do is dream). “Sharin e eu costumávamos tocar músicas dos Everly Brothers antes de mudarmos nosso nome para The Raveonettes, então nosso amor por essa banda vem de muito tempo. Você não encontrará uma música mais sonhadora do que All I have to do is dream. É a canção de ninar perfeita”, contou Sune no comunicado de lançamento do single.
Das formações indies do começo do século, a dupla dinamarquesa The Raveonettes talvez seja uma das menos lembradas no Brasil – embora tenham arrebanhado fãs por aqui com o lançamento de seu primeiro álbum, Chain gang of love (2003). O som lembrava mais o lado “doce” do The Jesus & Mary Chain, trazendo influências extremamente claras de The Shirelles, Phil Spector, Everly Brothers (em especial), Velvet Underground (mais ainda), blueseiros antigos e baladeiros dos anos 1950/1960. Havia microfonias, paredes de som, letras “perigosas”, visual trabalhado no couro – mas o principal era revelar que Sune Rose Wagner e Sharin Foo eram uma dupla da primeira metade dos anos 1960 que havia renascido nos anos 2000, e não rock alternativo como se fazia nos anos 1980.
De lá para cá, surgiram outros discos dos dois, além de trabalhos individuais (Sune gravou solo, Sharin virou blogueira de moda, figura da TV e até participou de um Dança dos famosos dinamarquês). Dessa vez, os Raveonettes voltam dispostos a mostrar as raízes do som da dupla, variando entre a doçura e a distorção na hora de reler clássicos dos Everly Brothers (All I have to do is dream, em clima de canção de ninar ruidosa), Shirelles (Will you still love me tomorrow, como surf music “ambient”), Shangri-Las (a historinha triste Leader of the pack, em tom J&MC, com parede de guitarra, distorções, vocais e reverb), Velvet Underground (Venus in furs retorna como um shoegaze-trip hop misterioso, com batidinha eletrônica) e outros.
Shakin’ all over, tema gravado por meio mundo no rock, retorna como na releitura de Vince Taylor, artista dos anos 1950 que inspirou The Clash e David Bowie. Return of the grievous angel, original de Gram Parsons, volta com cara meio country, meio Phil Spector, como num girl group imaginário de Nashville. E Wishing, original de Buddy Holly, vira uma beleza distorcida para tocar em festas. Uma linha do tempo pop-rock, e uma aula.
Nota: 9
Gravadora: Cleopatra
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Crítica
Ouvimos: Make – “Exegesis at the end of time”

RESENHA: Após dez anos, o Make retorna com Exegesis at the end of time: doom e sludge sombrios, lentos e apocalípticos.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 12 de junho de 2026
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The end of the night, faixa de abertura de Exegesis at the end of time, disco novo da banda estadunidense Make, começa quase “em silêncio”: há ruídos que vêm de longe, mas o som vai evoluindo com repetições e riffs circulares. O peso só chega lá pelos seis minutos, com vocal gutural e caos sonoro, até encerrar aos onze minutos.
- Ouvimos: Slift – Fantasia
Essa descrição aí meio que dá conta de explicar qual é o universo do Make, uma banda que não lançava discos há dez anos – mas cujos discos, cá pra nós, requerem um pouco mais de tempo de absorção. Exegesis tem seis longas faixas e é marcado por um peso funéreo e introvertido, entre estilos como sludge e doom metal. As misteriosas The judge e Forking paths têm esse grau de “sinistrosidade”, que às vezes pode ser confundido com tranquilidade aparente. Já Chimera cria um astral psicodélico no disco, com suas guitarras agudas e desnorteantes.
Como tudo é bem grave em Exegesis, vale citar que a mixagem deixa claro de onde vem cada som, e não permite que músico algum fique sem ser devidamente ouvido – a ideia não é enterrar sons numa massa bruta musical, vamos dizer assim. O álbum é completado com duas faixas sombrias, The spectacle e The augur, que dão a ideia de um disco conceitual sobre o fim de tudo. Ou sobre a paz de cada um sendo absorvida pelo apocalipse urbano.
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Crítica
Ouvimos: Paulo Metello – “Normandia”

RESENHA: Paulo Metello mistura pós-punk, psicodelia, dream pop e folk em Normandia, álbum lo-fi que vai do contemplativo ao dançante.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Paranoia Musique
Lançamento: 22 de maio de 2026
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O carioca Paulo Metello cita bandas como Echo & The Bunnymen e The Jesus and Mary Chain ao lado de grupos como The Church e Psychedelic Furs nas referências de seu novo álbum, Normandia. Dá uma boa animada em fãs de pós-punk clássico e rock gótico – aliás, nomes bem recentes como Rocket entraram igualmente na receita do álbum.
Mesmo soando bem mais “humano” que alguns discos anteriores dele, Normandia é uma viagem lo-fi em torno do pós-punk e da psicodelia, com vocais “de transmissão” em faixas percussivas como Behind blue skies e baladas dream pop como Flamingo. Além do drone punk de Cine Longobardo.
- Ouvimos: Deafkids – Cicatrizes do futuro
Normandia ainda migra para o folk contemplativo (na faixa-título) e para climas espaciais (nas celestes Velvet old light, Lady in sun dress e Guarda la bella luna). Duas curiosidades são Hello heaven, que parece ter algo de David Bowie e Neil Young, e a vibe dançante e underground de Drinking stars, com batida herdada de Justify my love (Madonna) e vocal rappeado.
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Crítica
Ouvimos: Trompas – “Anxiety” (EP)

RESENHA: Sludge e stoner sufocantes marcam a estreia do Trompas. Anxiety transforma isolamento, peso e melancolia em riffs graves e som sombrio.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de junho de 2026
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Liderado pelo ex-CPM 22 Wally, o Trompas não tem rigorosamente nada a ver com a ex-banda do músico – Anxiety, o EP de estreia, fica entre o sludge metal e o stoner, e a “ansiedade” do titulo não é figura de linguagem. O material do EP é realmente asfixiante e o Trompas é uma banda “de pandemia”, inspirada pela falta de comunicação da época. Já o som tem algo do Anthrax em 1993 (do disco Sound of white noise), e tem muito dos discos mais pesados de bandas como Melvins.
- Ouvimos: Make – Exegesis at the end of time
O lado do alambrado ocupado pelo Trompas é o da música grave, quase depressiva, com ritmo lento e riffs sombrios – como em Ten year hate e no blues desconstruído de Lost again. Fading face remete a memórias que vão se apagando, com sonoridade lenta e grave, enquanto Trip é uma viagem quase doom metal, em clima triste. Já Anxiety, a faixa-título, é o retrato gritado do isolamento lá por 2020 – em música, letra e clipe.
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