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Crítica

Ouvimos: Pitty, “Espelhos – Versões completas de ‘Admirável vídeo novo'”

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  • Espelhos – Versões completas de ‘Admirável vídeo novo’ é o áudio das versões incluídas em trechos no DVD Admirável vídeo novo, o primeiro de Pitty, lançado em 2004 – um ano após, portanto, o disco de estreia, Admirável chip novo.
  • O disco é dedicado ao guitarrista Peu Sousa, então guitarrista da banda de Pitty, morto em 2013. O próprio título do disco surgiu de uma conversa dele com a cantora.
  • Além de Pitty (voz, guitarra, pandeirola) e Peu (guitarra solo), a banda da cantora incluía Duda Machado (bateria) e Joe (baixo). Rafael Ramos produziu e o norte-americano Jack Endino (Nirvana, Titãs) mixou o material. O material foi gravado no extinto estúdio carioca AR, na Barra da Tijuca, preferido de dez entre dez roqueiros na época.
  • As gravações têm participações de BNegão, Nancyta (ambos em Private idaho, do B-52s), Cannibal (em Sailin’ on, dos Bad Brains, e em Punk rock, hardcore Alto José do Pinho, da banda do cantor, Devotos) e da banda carioca Jason (no clássico underground Imagem é tudo, sua cabeça não tem nada).

Não parece que foi ontem: Pitty já tem mesmo 20 anos de carreira solo e fãs que cresceram ouvindo os discos dela, e acompanhando as metamorfoses em sua carreira, cheia de hits. Espelhos, que traz o lançamento em áudio das versões feitas por ela no DVD Admirável vídeo novo é o fechamento de uma lacuna para quem ficou fã dela em 2003. Na época do DVD, fãs baixavam o áudio das músicas com qualidade inferior para ouvir no winamp, no discman (com o material já devidamente queimado em CD-R) ou naqueles toca MP3 que pareciam um pendrive. Enfim, o último grito em portabilidade musical em 2004.

Quem ouvia músicas como Equalize e Máscara, talvez não percebesse que ali havia influências de nomes que pertenciam a gerações bem anteriores, como Velvet Underground (Pitty e sua banda dão uma cara bem especial e um ar tristonho à Femme fatale), B-52s (Private idaho está no disco), Beatles (Eleanor Rigby aparece em versão meio Dinosaur Jr), Cindy Lauper (Girls just want to have fun virou funk metal pesado). Observando hoje, são apenas covers bem sacadas – na época, era algo fora da curva e era informação nova para quem lembrava apenas da febre de bandas nacionais publicamente mais linkadas com Ramones, hardcore e heavy metal nos anos 1990.

De surpresa, tem o resgate de Love buzz, da banda holandesa sessentista Shocking Blue, numa releitura mais próxima do original do que da versão feita pelo Nirvana em seu single de estreia, de 1988. E o link com o underground da fase anterior de Pitty, com Be bigger, da banda baiana Úteros Em Fúria, e Imagem é tudo, sua cabeça não tem nada, punk juvenil estilo 90’s da banda carioca Jason – e que depois da inclusão no DVD de Pitty, se tornou a canção mais popular da banda. Mais até do que Pitty, o que mudou foi o universo ao redor desse repertório, com DVDs perdendo força, streaming como plataforma de lançamentos e rock brasileiro cada vez menos próximo do mainstream.

Gravadora: Deck
Nota: 7

Crítica

Ouvimos: Improvement Movement – “Your perfect real life”

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Resenha: Improvement Movement – “Your perfect real life”

RESENHA: No terceiro álbum, o Improvement Movement passeia por psicodelia, prog, yacht rock, soul, pós-punk e indie, aproximando referências tão distintas quanto Television, Beach Boys, Todd Rundgren e Queens Of The Stone Age.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: ATO Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Vindo de Atlanta, o Improvement Movement é um quarteto em que todos os músicos são multinstrumentistas, e em que a composição ocorre das mais diversas formas: em duplas, trios, em jams, etc. Your perfect real life, terceiro álbum, soa como o encontro definitivo da criatividade dos anos 1970 com o espírito “livre” do 60 – cabendo alguns toques mais modernos. Como se houvesse um “ligue os pontos” unindo Crosby, Stills, Nash & Young, Queens Of The Stone Age e Television – e de acordo com Your perfect real life, há sim.

O terceiro disco do Improvement Movement é o disco de músicas como Still cold, com riff lembrando justamente o Television, guitarra quase ofuscante ao fundo e linhas vocais que parecem brincar com See me, feel me, do Who – só que a letra ainda inclui um “kill me”. Carry on parece um pós-hardcore sem o mesmo peso, graças à zoeira rítmica, só que com vocais meio beatlemaníacos e algo de chamber pop lá pelas tantas. Common place chega a lembrar um Beach Boys indie rock, se é que é possível, e vai se tornando algo bem vertiginoso depois.

A balada I do é igualmente vertiginosa e impressionante: clima sensível e misterioso, com diferentes partes, uma mais contemplativa que a outra. Há ainda um componente yacht rock bem sério no álbum, presente em In the morning e no clima meio Bee Gees de Home again (as referências vocais e melódicas do grupo australiano surgem também no bittersweet de Old friends).

A falta de (vá lá) limites sonoros do Improvement Movement aponta também para um encontro entre o jazz pop a la Todd Rundgren e as guitarras dedilhadas adotadas pela turma do emo Midwest, em Wide world. E também para o curioso futurismo, herdado da mescla de pós-punk e psicodelia (e do clima viajante de bandas como Pond e até Flaming Lips), de 21st century. Uma outra grande surpresa é o soul mágico de Being right, soando como um redesenho chamber pop nas baladas disco – tipo Let’s get it on, de Marvin Gaye. Mas Your perfect real life só tem surpresas

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Crítica

Ouvimos: Satanen – “Rokkii varten & taiteen vuoks”

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Resenha: Satanen - “Rokkii varten & taiteen vuoks”

RESENHA: A banda finlandesa Satanen cruza punk, garage, stoner, metal e blues-rock em Rokkii varten & taiteen vuoks, com ecos de Ramones, Motörhead, AC/DC, Black Sabbath e The Clash.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Svart Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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“Para o rock e para a arte”. Não sabemos finlandês, mas diz o Google Translator que Rokkii varten & taiteen vuoks, nome desse álbum do Satanen, significa isso aí. Voltados para uma mistura bem louca de punk, garage e stoner, eles soam quase sempre como uma mescla de Rancid, Ramones, Motörhead e loucuras motobiker, com outras referências no meio.

Rokkii varten abre com a onda meio punk, meio metal da faixa-título – uma música em duas partes que ganha um clima mais rocker das antigas lá pela metade. Vauhtikone vai ganhando aumento de velocidade, oscilando entre Lemmy e Joey Ramone, com vocal feminino. Mulkun elkeet pula de um clima meio metalzão anos 1980 para um boogie à AC/DC.

Numa onda sonora que interessa tanto a fãs de metal quanto a gente que ouve rock bem antigo, o Satanen chega perto do som de bandas como Nazareth e o próprio Black Sabbath na extrovertida Daddy issues, em Kuulit kyll e no blues-rock de Kkii. Só que ainda tem uma vibe bem hardcore em Chimera e algo que faz lembrar The Clash em Kiasma, música de várias partes e pura diversão, que encerra o álbum.

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Crítica

Ouvimos: Soft Science – “Sand”

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Resenha: Soft Science – “Sand”

RESENHA: No quinto álbum, Sand, o californiano Soft Science cruza shoegaze, psicodelia, darkwave e pós-punk em guitarras atmosféricas, com ecos de Ride, Catherine Wheel, Beatles e Echo & The Bunnymen.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Shelflife
Lançamento: 4 de setembro de 2026

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Assumidamente influenciado por bandas como Ride, Stereolab, The Mighty Lemon Drops, Catherine Wheel, My Bloody Valentine e Pale Saints, o Soft Science é um quinteto de shoegaze “das antigas” que vem da Califórnia – e que com Sand chega ao quinto disco. Especificamente a citação (feita por eles) do Ride tem bastante a ver com o som do álbum, ainda mais lembrando do clima imersivo dos primeiros discos do grupo inglês.

Entre paredes de guitarras (de doze cordas!), sons próximos da psicodelia (especialmente a voz de Katie Haley, imersa em meio à instrumentação) e partículas de darkwave, Sand abre com o clima quase meditativo de Spinning e Go, segue com recordações de Catherine Wheels e Psychedelic Furs em Fade, e recria de maneira própria o universo de Tomorrow never knows, dos Beatles, em Without.

Um clima meio Beatles, meio Stone Roses, dá as caras na faixa-título, enquanto Everything, Thread e Understand mandam bala num pós-punk luminoso, herdado tanto do já mais do que citado Ride quanto de Echo and The Bunnymen. O final tem o power pop + shoegaze de Hope e o clima hipnótico de Sway, com sons de teclado que provocam viagens musicais.

O Soft Science, em especial, mostra que shoegaze não é sinônimo de guitarras sujas. A música de Sand é cheia de climas atmosféricos e uterinos, e de ambientes em que você gostaria de ficar – e é repleta de uma beleza que pouca gente vai querer se aventurar a discutir. Ouça hoje mesmo.

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