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Ouvimos: Brian Jackson, “Of corners & bridges”

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Ouvimos: Brian Jackson, “Of corners & bridges”

Of corners & bridges (“de esquinas e travessias”) já está guardado há um tempinho. Foi gravado em 2022 durante uma passagem do jazzista novaiorquino Brian Jackson pelo Brasil e só agora chega às plataformas digitais. O álbum do músico com repertório de Milton Nascimento pode decepcionar quem espera algo mais experimental ou diferente envolvendo a obra do cantor – o material, produzido por Brian e Rodrigo Brandão, e gravado com participações de mais de trinta músicos, está, com raras exceções, mais próximo do que se entende no Brasil por “música instrumental”.

Releituras como as de Cravo e canela, Para Lennon & McCartney, Nada será como antes (Nothing will be as it was, em inglês) e Maria, Maria são mais corretas e adequadas do que propriamente maravilhosas. Mas Of corners & bridges tem algumas surpresas pelo caminho: Bridges (Travessia) aparece em tom afro-jazz. Ponta de areia ganha tom visual e enevoado, com a letra sendo narrada pelo co-produtor Rodrigo Brandão. Brian e o time de músicos conseguem dar uma acalmada na selvagem Caxangá, que ganha cordas, sopros e um arranjo sinuoso. Originalmente um jazz dosado na gravação de Milton e Beto Guedes, Fé cega, faca amolada ganha aspecto fusion e batida entre o jazz e o rock.

Nota: 7
Gravadora: Selo Sesc
Lançamento: 28 de março de 2025.

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Crítica

Ouvimos: Erasmo Carlos – “Mano”

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Resenha: Erasmo Carlos - “Mano”

RESENHA: Mano reúne rappers ótimos com Erasmo Carlos, mas falta ousadia: algumas releituras funcionam, mas uma parte boa soa reverente demais.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 6
Gravadora: Universal Music Brasil
Lançamento: 22 de maio de 2026

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É muito ruim escutar um disco de releituras, reimaginações ou retrabalhos post-mortem em que o original foi horrivelmente estragado – exemplos não faltam. Em pior situação está quem ouve um disco desses esperando um pouco mais de ousadia ou até um sacrilégio que grude no ouvido e acabe agradando, mas encontra convidados tímidos e/ou reverentes demais.

Mano, o disco que une Erasmo Carlos e nomes conhecidos do rap, reúne uma galera ótima: Marcelo D2, Xamã, Budah, Emicida, Criolo, Tasha & Tracie, Rael, Dexter, Tássia Reis, Criolo. O álbum oficializa coisas que todo mundo já sabia: o repertório de Erasmo nos anos 1970 sempre foi perfeito para samplear, e disco como Carlos, Erasmo (1971) e 1941-1972: Sonhos e memórias (1972) eram precursores em estilos de música que até hoje não foram devidamente documentados. Lá, tem jazz com trip hop, soft rock e samba-rock, hard rock latino, MPB-pop para ouvir a bordo de um skate (o ritmo sinuoso de Mundo cão)… Coisas que se bobear, não podem ser ouvidas no som de mais nenhum artista, só lá.

Da turma selecionada para Mano, uma parte parece ter sentido o drama e ficado meio amedrontada com a responsabilidade: Dexter (Mundo cão), Budah (Cachaça mecânica) e Xamã (Sábado morto) não fizeram muita coisa além de acrescentar versos nos originais – que ganharam um banho de loja hip hop, vá lá. Por causa dos acréscimos, as músicas ganharam subtítulos (respectivamente, no caso dessas três, Quem é herói ou vilão?, Queimando tudo dentro e Eu enquanto pássaro).

Maria Joana, com Marcelo D2, vale mais pelo remix reggae feito na faixa, que dá uma baita ambiência aos backing vocals do original. Mas nem a vibe conceitualmente correta, que acrescentou o subtítulo Pra que as trevas destravem, ajudou muito – D2 soa mais como um enxerto do que como um convidado. De ótimo em Mano, tem Emicida, que foi parceiro de Erasmo, sentindo-se à vontade justamente em É preciso dar um jeito, meu amigo (A vida irrita a arte) – aliás a voz do rapper, acompanhado pelo Tropkillaz, surge até antes do cantor. E Tássia e Criolo fazendo uma reforma em Gente aberta (Imensamente visceral).

Num universo de oito faixas, metade acaba engrenando, porque Tasha e Tracie dão um ar brincalhão a Grilos (subintitulada O tempo é amigo e inimigo) e enchem a música de estilo. E Rael moderniza Sorriso dela, que ganha ares de trap romântico com o nome Não tem pra ninguém. Ouça como dever cívico, mas o que falta a Mano são justamente aquelas remexidas que deixam os puristas putos da vida.

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Crítica

Ouvimos: Spouses – “I could be your dog”

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Resenha: Spouses - “I could be your dog”

RESENHA: Em I could be your dog, Spouses mistura folk intimista, lo-fi e ruído no disco de estreia, indo de folk a la Paul Simon ao shoegaze e aos experimentalismos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Kalfhölt Records
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Vindo da Inglaterra, onde morou por vários anos – chegou a ser aluno do Liverpool Institute for Performing Arts (LIPA), fundado por Paul McCartney – o músico canadense Joel Durksen acabou migrando pra zona rural da Islândia, onde montou o Spouses, basicamente um projeto intimista e de uma pessoa só, que vem lançando singles desde 2025. Beth, o single mais recente, tem cara de Paul Simon: é uma composição romântica, tranquila, com vocais e violões intimistas e trabalhados. Mas lembra também Whitney e grupos parecidos.

Não é a única cara do Spouses, que estreia com o álbum I could be your dog, dividindo canções em inglês e vinhetas em islandês, e dando espaço tanto para o lado alt-folk de Dursken, quanto para sua faceta lo-fi e ruidosa. Faixas como Crutch, mesmo dando espaço para sons acústicos, chegam perto do shoegaze e de uma salada de ruídos eletrônicos. Bem diferente do clima pastoril de Beth, que mesmo assim é bem baixa-fidelidade (soa como se viesse de uma fita que vai se deteriorando e ganha glitches no fim).

Entre um polo e outro, tem a folktronica de Choke (que chega a lembrar The Coral) e da invernal Saint Christophe. Fish hook soa como Smashing Pumpkins em formato acústico, de voz e violão no quarto, até ganhar guitarra, baixo, bateria e clima psicodélico – além de uma onda ruidosa, como numa transmissão que vai sendo desligada. O indie rock mágico Splinter e a tristeza acústica e fantasmagórica de Lazurus encerram a ótima estreia do Spouses.

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Ouvimos: Jovem Dionísio – “Migalhas”

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Resenha: Jovem Dionísio - "Migalhas"

RESENHA: Migalhas mostra um Jovem Dionísio menos “meme” e mais melancólico, investindo em indie triste, soul e baladas pós-pandemia.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: JD produções
Lançamento: 1 de abril de 2026

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Estourado por causa do funk alt-pop Acorda, Pedrinho (que foi seguida pela mais ou menos estourada Tô bem – música de ótimos números mas que decididamente não teve a mesma capilaridade), o Jovem Dionísio soava como o Los Hermanos da época de Anna Júlia. Ou seja: uma banda conhecida por um único hit, mas com outros lados em seu trabalho – que acabavam ficando ofuscados. Migalhas, o terceiro álbum, é justamente a reunião desses “outros lados” do grupo curitibano.

Nas letras, o Jovem Dionísio costuma misturar vibes pop, insights de história em quadrinhos, e frases que têm jeito de “isso vai virar meme” – na verdade, sempre soou como música composta para ser compartilhada, mais até do que ouvida, o que muitas vezes leva a incríveis forçações de barra nas letras e nas melodias. Vai daí que Migalhas chama a atenção por trazer o grupo experimentando um tom mais natural de composição, em que o lado mais melancólico da banda fica à frente.

Hit fácil, Migalhas não tem. Melhor resposta pode ser um hit: investe no indie rock triste e invernal, com clima emo na letra e melodia bonita. Saídas, lançada como single, também: parece algo feito no quarto, pronto para ser ouvido em baixo volume, com lembranças de funk, trap e Mac DeMarco. Um lado pop-soul-r&b toma a frente em músicas como Nada mais, Te esqueci (uma balada que poderia ser gravada por Liniker, mas que vai ganhando peso e se tornando algo quase punk) e no samba soul de Beirar cidades.

Esse “tom mais natural” acaba levando as baladas (e músicas mais tranquilas em geral) a chamarem bastante atenção no disco, como no caso das saudosas Faz tanto tempo e Ontem – essa última, lembrando Smiths, mas sem sobreposição de guitarras e com uma percussão que abrasileira o som – e da existencial Saia de casa, canção com cara de pós-pandemia (“demorei pra perceber / que não vale sentir mais o medo de nada / então saia de casa”).
Tem até Talvez a opção, indie rock com cara do indie britânico dos anos 2000 (Doves, em especial), e que embica num instrumental progressivo, Trixini pontuali. Essa versão mais cabisbaixa do Jovem Dionísio tá bem interessante.

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