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Cultura Pop

O que você vai ouvir no disco novo do ABBA

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O que você vai ouvir no disco novo do ABBA

No disco novo do ABBA, Voyage, você vai ouvir basicamente… Bom, você vai ouvir pelo menos uns 75% do que muita gente esperava que o grupo sueco fizesse hoje. Não há um número enorme de surpresas, e a banda não voltou repaginada e modificada – o que, para dizer a verdade, é muito bom. Também não daria para o grupo recomeçar de onde parou em The visitors, o disco mais recente, de 1981, com uma ou outra letra apontando para um dos assuntos mais falados da década, que era a Guerra Fria, e sonoridade de época.

O ABBA de 2021 tem uma queda para o lado mais dramático da banda. Tem uma propensão a compor hinos cuja audição pode causar nós na garganta. E tem também uma vontade de mostrar tanto para os fãs antigos quanto para os conquistados após a coletânea ABBA Gold (1992) que ninguém meteu as patas na concepção de sua banda preferida. O grupo retorna com uma música cujos vocais haviam sido gravados em 1978, Just a notion. Também lança uma canção sobre um possível reavivamento de um relacionamento do passado, Don’t shut me down.

Histórias que renderiam roteiros de séries (ou de filmes da Sessão da Tarde) não faltam nas letras do disco. Keep an eye on Dan, com os dois pés no ABBA synth-pop de discos como Voulez-vous (1979) e (aí sim) The visitors (1981) traz os pensamentos e sentimentos de uma mulher que precisa deixar o filho com o ex-marido. When you danced with me fala sobre um amor ingênuo que atravessou décadas – alias a estrutura dessa música já parece anunciar que vem aí uma versão intimista com ukeleles e violões.

Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson (autores de todas as faixas do disco), Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad não esquecem que o ABBA é um grupo (vá lá) “família”. No sentido mais conservador e festeiro da coisa, de casamentos sendo comemorados ao som de Dancing queen e I do, I do, I do, I do, I do, e avós dançando S.O.S. descontroladamente, sem nem desconfiar que os Sex Pistols chuparam um riff dessa faixa e puseram em Pretty vacant.  Os admiradores dessa faceta da banda vão curtir I can be that woman, a história de amor e confusão entre uma mulher, um homem e o cachorrinho de estimação dele. E vão dar aquela desidratada básica com a canção de Natal Little things.

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O ABBA vai retornar em 27 de maio de 2022 com uma turnê, que começa no Queen Elizabeth Olympic Park, em Londres, com músicos presentes e banda ausente (os quatro surgem apenas em hologramas). Num papo recente com o The Guardian, Ulvaeus e Andersson lembraram que rolou um desinteresse interno enorme no comecinho dos anos 1980, logo após The visitors. Geralmente comenta-se que o grupo nunca acabou oficialmente, mas não foi bem isso: a banda vendeu a empresa que unia os quatro e cada um foi tratar de sua vida, com a promessa de retornar em breve ou não.

Ulvaeus diz que as novas canções de Voyage são “cegas às novas tendências” (verdade), mas que as letras trazem muito dos seus pensamentos nos últimos 40 anos. Para os fãs, ou pelo menos para quem guarda um greatest hits deles no fundo do coração, a felicidade é ver que o grupo retornou manifestando ter orgulho do seu passado.

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Lembra dos Wailers? (não aqueles!)

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Lembra dos Wailers? (não aqueles!)

Bem antes de Bob Marley montar sua banda mais conhecida – e bem antes do Nirvana dar muita fama a Seattle – o estado americano de Washington viu nascer os Wailers. O grupo surgiu em 1958 em Tacoma, chegou a gravar demos em Seattle (distante uns 40 minutos de sua cidade natal) e passou por idas e vindas, mudanças de formação, singles, novas tentativa de dar certo etc.

Os Wailers costumam ser chamados de The Fabulous Wailers. Até porque esse era o nome do LP gravado em 1959 por John Greek (guitarra e trompete), Richard Dangel (guitarra), Kent Morrill (voz e piano), Mark Marush (sax tenor) e Mike Burk (bateria). A formação incomum (um pianista-cantor e dois metais) e a dedicação ao rock’n roll inicial chamaram a atenção de muita gente. E logo, o grupo, cujos integrantes ainda estavam no colégio, foi contratado por um selo de Nova York, o Golden Crest. Foi por lá que o primeiro álbum saiu.

Eles se apresentaram no American Bandstand, o mitológico programa de TV apresentado por Dave Clark. Pelo menos o áudio disso está no YouTube.

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Esse aí é Tall cool one, primeiro single de sucesso deles, lançado em 1959.

A molecada estava indo bem em Nova York, só que tinham que terminar o ensino médio e estavam com saudades das namoradas. Resultado: voltaram para Tacoma e a gravadora perdeu o interesse neles. Rolaram umas mudanças de formação e entrou um novo baixista, Buck Ormsby. Nessa época, o grupo decidiu que para controlar melhor os lançamentos dos Wailers, o jeito seria montar uma gravadora. Ormsby era um dos maiores entusiastas desse projeto.

Nasceu assim a Etiquette Records, cujo primeiro lançamento, em 1961, foi uma versão dos Wailers para Louie Louie, originalmente escrita e interpretada pelo cantor californiano Richard Berry. O problema é que o contrato do grupo com a Golden Crest ainda estava vigorando. A solução foi creditar o single ao novo vocalista, Rockin’ Robin Roberts. Se a canção tivesse sido lançada pelos Wailers, seria uma grande coincidência envolvendo o grupo de Bob Marley, que só surgiria bem depois, já que a letra faz citação à Jamaica.

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A versão dos Wailers ficou muito popular e Louie Louie pegou de vez entre os jovens. E a banda conseguiu recuperar de vez seu nome, finalmente – tanto que começou a lançar uma série de LPs pela Etiquette, começando pelo At the Castle (1962), gravado numa casa de shows em Seattle. A capa desse disco é maravilhosa, por sinal.

Entre idas e vindas, o grupo (que muita gente considera como um dos avós do grunge) foi se aproximando, naqueles anos 1960, da… psicodelia, claro. Os Wailers acabaram de vez em 1969, pouco depois de lançar o doidão Walk thru the people (1968). O disco era fruto legítimo (e atrasado) da febre de Sgt. Pepper’s, mas com recursos técnicos bem mais modestos. Para esse álbum, o grupo abandonou rapidamente a Etiquette e assinou contrato com a tradicional Bell Records.

Os Wailers acabaram, mas a gravadora criada pela banda continuou durante um belo tempo – aliás os direitos dos discos lançados pelo selo estão com o filho de Ormsby, hoje em dia. E se você curte The Sonics, uma banda de Seattle dos anos 1960 que era adorada por Kurt Cobain, é considerada como pais do punk e tem músicas que caberiam bem na obra dos Cramps ou dos Ramones, vale informar que eles têm muito a ver com os Wailers. O grupo foi descoberto e produzido por Ormsby, e lançou seus primeiros discos pela Etiquette.

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Olha aí os Sonics, em formação recente, fazendo show em São Paulo em 2015. O grupo passou anos na inatividade, mas voltou em 2007.

E, opa, peraí, os Wailers acabaram mas volta e meia rolavam uns retornos. Chegou a sair um disco em 2009 dividido com uma formação nova dos Ventures, Two car garage, que ainda gerou uma turnê comemorativa de 50 anos das duas bandas. Olha aí um papinho entre integrantes dos dois grupos.

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Via Tacoma Tales

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Éliane Radigue bem de perto

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Eliane Radigue bem de perto

A compositora francesa Éliane Radigue, hoje com 90 anos, parou faz um tempo de fazer experimentações com fitas de rolo e com eletrônicos. Desde o começo do século 21, ela tem feito peças para instrumentos acústicos – incluindo peças como Naldjorlak, feita ao lado do violoncelista americano Charles Curtis e executada numa turnê de 25 shows pelos Estados Unidos. Mas sua trajetória incluiu muita fita picotada, uso de gravadores de rolo enormes, utilização do sintetizador-monstrengo Buchla (da empresa criada em 1963 pelo pioneiro dos sintetizadores Don Buchla). E muitos trabalhos em que ela começava a gravar – e a deixar tudo registrado – automaticamente, sem ter a mínima ideia de como tudo ficaria no final.

“Eu organizo tudo em fitas bem grandes, com espaços entre as gravações”, explicou. “Cada fita tem 80 minutos, quando eu começo a mixagem devo ir direto até o fim. E não posso errar. Se cometo um erro aos 75 minutos, preciso começar tudo de novo”.

>>> Ei, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Radigue explicou um pouco sobre como era o método de trabalho dela num documentário de 15 minutos narrado em francês e dublado em inglês. Eliane Radigue portrait, de 2006, mostrava a musicista em seu apartamento, acompanhada de um gato, gravadores e o tal sintetizador Buchla, que alterou bastante sua concepção de trabalho. Ela também buscou uma educação mais formal, em instrumentos clássicos, no período em que seus filhos nasceram e ela ficou afastada dos estúdios. Mas sua concepção musical vem da época em que estudou com os compositores Pierre Schaeffer e Pierre Henry e entendeu que todo som poderia ser transformado em música.

Apesar de saber trabalhar formalmente, Éliane diz no documentário que não consegue fazer nada se não tiver a peça na qual está trabalhando em sua cabeça, e que segue assim até o fim. Também se diz uma péssima improvisadora. “Faço som sempre para alguma coisa, alguma peça que tenho na cabeça. Se vai funcionar ou não, são outros quinhentos”, diz, lembrando que quando deparou com um Buchla, tinha na cabeça uma imagem muito estereotipada dos sons eletrônicos, e que ficava cheia deles muito rápido. Também conta que voltou a trabalhar com música eletrônica e fitas quando os filhos eram adolescentes, e descobriu que Pierre Henry precisava de um assistente. Até então, durante a infância dos filhos, desenvolvia coisas usando apenas a imaginação.

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E se você nunca ouviu o trabalho dela, segue aí Adnos, peça ruidosa composta em 1974 e gravada em 2002 – e que tem quase quatro horas de duração.

Via Ubu.com

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Cultura Pop

Iggy Pop lança clipe com imagens inéditas de viagem ao Haiti, em 1982

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Vai entender como, mas a fotógrafa Esther Friedman aguentou namorar o malucão Iggy Pop entre 1976 e 1982 – entre idas, vindas, relacionamentos mais intensos ainda do cantor com drogas pesadas, e coisas do tipo. Em abril de 1982, ela achou que seria uma excelente ideia acompanhar o namorado em uma viagem ao Haiti. Lá, eles fariam as fotos para o disco de Iggy que já estava gravado, Zombie birdhouse, e ele terminaria a autobiografia I need more, que escreveu ao lado de Anne Werher.

A viagem já não parecia ser um momento muito glorioso da vida de Iggy, que estava cada vez mais drogado e perturbado, mas a coisa degringolou – pelo menos na lembrança de Esther – assim que o casal decidiu ir a uma sessão de voodoo haitiano. Iggy e Esther estavam quietinhos assistindo aos rituais quando, tomado sabe-se lá por qual força, Iggy resolveu levantar e dançar assim que ouviu os batuques dos músicos.

O sacerdote que tomava conta de tudo ficou bem irritado com a interrupção da cerimônia, Esther resolveu arrastar Iggy para fora dali e a partir daí só rolou coisa ruim. O cantor decidiu distribuir todos os bens e todo o dinheiro que havia levado para o Haiti, Esther precisou arrumar emprego de assistente de dentista (!) para pagar o resto da viagem… Durante um passeio de carro, Esther cismou que ela e Iggy seriam mortos por milicianos e começou a gritar. Assustado, o guia, que dirigia o fusca alugado, bateu com o automóvel num muro.

Teve mais: durante o acidente, Iggy teve a excelente ideia de saltar do carro em movimento, bateu contra o muro e quebrou três costelas. Na sequência, o cantor ficou mais mentalmente perturbado ainda (“doente de verdade”, lembrou ela), passou a dar vários perdidos na namorada e o casal começou a ser alertado de que estavam sendo perseguidos pela milícia local Tonton Macoute. Numa noite, Esther escondeu as roupas de Iggy para que ele não saísse. Em vão: ele vestiu uma das saias dela, pegou o carro alugado (opa, Iggy não sabia dirigir) e bateu com o veículo.

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A história de Iggy no Haiti ocupa algumas páginas da biografia Open up and bleed, escrita por Paul Trynka. Mas o que interessa mesmo é que acaba de surgir no YouTube um pedaço do dia a dia do casal por lá. Um clipe de The horse song, música de Zombie, chegou ao YouTube, trazendo fotos inéditas tiradas por Esther durante a viagem. As imagens aparecem misturadas com vídeos feitos pelo cineasta Marcus Richardt entre 2011 e 2013 no Haiti.

“As fotografias usadas neste vídeo foram tiradas durante minhas viagens ao Haiti em 1982 com Iggy. Em 2011 e 2013, o amigo e cineasta Marcus Richardt viajou ao Haiti em nome de ONGs para documentar a situação após o furacão”, conta Esther no texto do vídeo. “No ano passado, durante o confinamento passando pelas minhas fotos, entrei em contato com Marcus e pedi que ele me ajudasse a montar um vídeo usando minhas fotos e seu material de filme do Haiti, com a música Horse Song como inspiração. Ele teve a ideia de usar animação feita por Jan-Niklas Meyer e trouxe David Rankenhohn a bordo como editor. Embora nossas imagens tenham trinta anos de diferença, elas trabalham juntas para mostrar a graça atemporal e o otimismo do povo haitiano e como um bônus adicional momentos maravilhosos com Iggy”.

Olha o clipe aí.

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