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Cultura Pop

“No sex”: Alex Chilton canta sobre Aids, em 1986

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A história musical do cantor e compositor norte-americano Alex Chilton (1950-2010) é cheia de projetos incompletos e ciladas disfarçadas de oportunidades. Sua banda mais conhecida, o Big Star, assinou com a Ardent, um selo pop da gravadora Stax, especializada em soul music. Em 1972, saía #1 Record, o primeiro disco.

A união de hard rock e power pop do grupo (formado então por Chiton e Chris Bell na guitarra e na voz, Andy Hummel no baixo e vocais e Jody Stepens na bateria) rendeu críticas favoráveis, certo culto de admiradores e promessas vãs da gravadora (“vocês vão estourar!”). Não deu certo: a Stax estava quase falindo e mal conseguia distribuir os próprios discos. Os problemas continuaram no segundo LP, Radio city (1974), com boas críticas e vendas ínfimas.

O Big Star ainda iniciaria em 1974 um terceiro disco pela gravadora (Third/Sister lovers) que ficaria engavetado por quatro anos – um pouco pelo desinteresse de todos os envolvidos, um pouco pelos problemas psicológicos do próprio Chilton. Alex mudaria de Memphis, sua terra natal, para Nova York, onde já havia morado em 1971. Se aproximaria da turma do CBGB, montaria e desmontaria grupos e… nos anos 1980 migraria para Nova Orleans, onde chegou a ter empregos longe do universo da música (trabalhou até como podador de árvores e zelador de clubes noturnos).

Corta para a segunda metade da década de 1980, quando Alex Chilton faria uma terceira tentativa de carreira solo. A primeira foi em 1975 com um disco que ficaria engavetado até 1980, Bach’s bottom, e a segunda foi com o primeiro verdadeiro LP solo, Like flies on Sherbert, gravado em clima de pandemônio no estúdio e lançado em tiragem restrita. Depois Chilton investiria em três EPs lançados pelo selo New Rose. O segundo desses EPs, No sex (1986) trazia na faixa-título um tema que estava todos os dias nas páginas dos jornais aterrorizando todo o mundo: a Aids.

No sex tinha uma melodia alegre e, naquela maluquice dos anos 1980, dava até para imaginar que poderia ser executada em rádios sem problemas. A letra é que falava de assuntos nada palatáveis para o grande público. A Aids havia sido diagnosticada pela primeira vez em 1981, e lá por 1986, seu status já havia saltado definitivamente das lorotas de “câncer gay” e “peste sexual” para a de doença que qualquer pessoa poderia pegar. Não havia certeza nem mesmo sobre se compartilhamento de talheres poderiam transmitir o vírus.

Simultaneamente, como efeito direto, uma ondinha moralista tomou conta do mundo. No Brasil, entre 1984 e 1987, debates sem pé nem cabeça sobre “você é a favor ou contra o homossexualismo (sic)?” apareciam até mesmo em grandes estações de TV. A virgindade até o casamento voltava a ser “moda” e, um ano antes de No sex, o tema aparecia até mesmo em novelas e num samba-enredo (o popularíssimo E por falar em saudade, da Caprichosos de Pilares, do verso “bota fogo nisso/a virgindade já levou sumiço”).

Já na música de Chilton, o tema ganhava uma carga tragicômica em versos como “venha, baby, me foda e morra” e no refrão “nada de sexo, nunca mais”. No sex, o disco, ainda trazia Chilton em um novo momento musical, unindo rock, jazz e soul. E fez algum barulho, justamente no mesmo ano em que as Bangles gravavam September gurls, do Big Star.

E isso aí é Alex cantando seu anti-hit no começo dos anos 1990 em San Francisco.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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