Tinha uma época em que o Nirvana não chegava a ser o patinho feio da Sub Pop, gravadora que sedimentou o rock de Seattle. Mas com certeza a atenção ia para outros grupos, bem mais pesados e mais voltados para a receita que as bandas da cidade aprenderam com a ida para lá do Black Flag: Soundgarden, Melvin e Tad pareciam bastante promissores, pelo menos sob o ponto de vista de vários jornalistas e músicos da região.

O que fez Bruce Pavitt, um dos cabeças da Sub Pop, se interessar pela banda, foi justamente ouvir a voz de Kurt Cobain ao vivo. O produtor Jack Endino deu uma demo do grupo para Bruce, que acabou escalando o Nirvana para um show do selo no Central Tavern.

“A banda era bastante crua na época. Eles realmente não tinham muitas músicas dignas de nota e sua apresentação ao vivo foi um pouco fraca, mas Kurt Cobain tinha uma voz incrível. Então decidimos assiná-los (em 1988) com base na voz dele”, contou aqui Bruce, que chegou a lançar um livro, Experiencing Nirvana, contando como foi levar a banda para shows na Europa em 1989, ao lado de Mudhoney e Tad, numa época em que “rock inglês” valia mais do que “som de Seattle”, e mesmo bandas americanas informavam-se das novidades fuçando jornais e revistas britânicos.

Agora corta para a mais ou menos feliz situação da Sub Pop em 1988. A gravadora, mesmo não sendo um sucesso de finanças, buscava novas formas de comunicação com seu público, lançando discos em vinil colorido, singles especiais para um clube de assinantes e contratando grupos novos. O lançamento inaugural do Sub Pop Singles Club foi justamente a estreia do Nirvana, o single Big cheese/Love buzz, em novembro de 1988.

Em dezembro, mais uma surpresa para fãs e curtidores da gravadora. A Sub Pop, que já lançara uma coletânea chamada Sub Pop 100, pôs nas lojas Sub Pop 200, com músicas de bandas como Green River, Walkabouts, Tad, The Fluid, Mudhoney (uma versão de The rose, da cantora e escritora Amanda McBroom e… o Nirvana com aquela que é considerada sua primeira música, Spank thru.

Para uma gravadora que se destacava pela ousadia, ainda que não rolasse muita grana, Sub Pop 200 era um projeto ousado ao extremo: vinte músicas divididas em três EPs acondicionados numa caixa, e ilustrados com um belo desenho de Charles Burns, um dos craques do fanzine que deu origem à gravadora.

O lançamento do disco aconteceu numa festa de duas noites no Underground, um clube de Seattle, e participaram da festa nomes como Nirvana, Blood Circus, Swallow, Tad e até mesmo o poeta Steven Jesse Bernstein, que foi o apresentador.  Olha aí o show do Nirvana, que durou cerca de 40 minutos e foi dado para uma plateia lotada.

E olha aí o que é que vazou tem alguns meses: um vídeo de uma parte MÍNIMA do show do Nirvana, com a banda tocando School. Bleach, o primeiro álbum, estava sendo gravado nessa época, e a canção estaria nele.