Em 1988, o Iron Maiden dava um passinho adiante com o disco Seventh son of a seventh son. Tem quem considere que o passinho foi para a frente, tem quem considere que foi para sei lá onde.

O disco, que deixou o guitarrista Adrian Smith meio aborrecido – tanto que ele deixou a banda pouco depois – trazia sintetizadores, era marcado por uma sonoridade que unia metal e som progressivo, e ainda trazia uma música-título de nove minutos. O próprio Bruce Dickinson avisou que o próximo álbum (que seria No prayer for the dying, de 1990) traria uma sonoridade “menos polida”. Os fãs do Iron acabaram curtindo a faceta mais elaborada da banda mesmo assim – tanto que o disco debutou como número um na parada britânica de álbuns.

Com Seventh son lançado, o Maiden foi cair na estrada e acabou dividindo palco com uma banda que tinha virado mania: o Guns N Roses, que vendia milhares de discos com a estreia Apetite for destruction (1987). O grupo também estava na mídia graças ao comportamento autodestrutivo de seus integrantes e das polêmicas colecionadas pelo vocalista Axl Rose, um cara que brigava com jornalistas, músicos, fãs, etc. E uma dessas encrencas aconteceu justamente na frente do Iron Maiden, para quem o Guns abriu um show em maio de 1988 em Quebec, no Canadá.

Quando o Maiden retornou a Quebec em 2015 para lançar o disco The book of souls, o vocalista Bruce Dickinson recordou que se arrependia muito de não ter dado um soco no cantor do Guns N Roses. Aconteceu porque, diz Bruce, Axl começou a atacar os espectadores porque eles só falavam francês. “Eu deveria ter subido no palco e dado um soco nele. Como ele se atreve a falar com meu público assim? Eu sempre me arrependi de não ter feito isso”, reclamou num papo com o Journal de Quebec.

A implicância de Bruce com Axl ainda durou um bom tempo – por sinal o tempo suficiente para que, quando o colega virou vocalista do AC/DC, em substituição a Brian Johnson (que saiu para tratar de sua audição) jogou um monte de maldades para cima de Axl numa entrevista. Disse a um jornal australiano que Axl na banda “era uma situação estranha” e que “Agora, só resta Angus Young (guitarrista solo) no AC/DC como membro original. Eu espero que Angus consiga manter a fantástica reputação e nome do AC/DC. Seria terrível ver a banda acabar com uma pessoa que não aparece no palco (opa) ou se atrasa muito (ixe)”.