Cultura Pop
Never Mind The Baubles: Sex Pistols para crianças em 1977

Fãs de disco music, atenção: Steve Jones, guitarrista dos Sex Pistols, não tem a menor paciência com uma das bandas mais legais do estilo musical, o Boney M – que classifica como “horrível”. Por sinal, nem ele nem Johnny Rotten (ou John Lydon), vocalista do grupo, têm lembranças boas do Natal.
O guitarrista só consegue se recordar da época em que seus pais iam se divertir no pub durante as festas e o deixavam sozinho em casa. Depois tenta tocar no violão Happy Christmas, de John Lennon, e interrompe a música com um “isso é horrível”. White Christmas, clássico natalino de Irving Berlin, faz Lydon lembrar-se de uma baita época de crise em que a neve caia solta, ninguém tinha roupa adequada (ou aquecimento adequado em casa) e dar uma simples caminhada pela rua era tarefa para super-herói.
Essas e outras cenas polêmicas você vê num curioso documentário sobre os Sex Pistols exibido pela BBC em 2013. Never mind the baubles – Xmas ’77 with The Sex Pistols foi feito a partir de imagens antigas realizadas no natal de 1977 pelo diretor Julien Temple. O filme recorda uma época em que os Sex Pistols estavam banidos de todos os palcos do Reino Unido e usavam o pseudônimo de SPOTS (“Sex Pistols On Tour Secretly”, sendo que “spots” também são marcas de agulhas nos braços dos viciados em heroína).
No Natal daquele ano, Lydon, Jones, Paul Cook (bateria) e Sid Vicious (baixo) tinham o que fazer: tocar numa boate chamada Ivanhoe’s, numa festa em prol dos bombeiros grevistas e suas famílias. Num dos shows, a plateia era formada em sua maioria por crianças e adolescentes, que dançavam as tais pérolas de disco music que causavam tristeza nos Pistols. Para comemorar, a produção levou um bolo enorme escrito “Sex Pistols”.
Os próprios Sex Pistols, num ataque de fofura jamais visto, cortaram a iguaria e distribuíram os pedaços entre a molecada. E ainda deram uma de Xuxa punk: Johnny Rotten deixou os mini-fãs melecarem seu rosto de bolo, deu o microfone para as crianças falarem seus nomes e cantarem trechos das músicas. Todos ficaram impressionados sobre como os fãs mirins pegaram mais rápido o espírito de comédia dos Pistols do que os fãs adultos.
Nem só de show vive o documentário: os Pistols vivos (Sid Vicious morreu em 1979) sacaneiam vários símbolos da data, e também muita coisa que passava na TV na época, como programas de culinária, musicais infantis, etc. Comentam vários símbolos da crise que apareciam nos telejornais do período, como a ação violenta da polícia em cima de grevistas e pedintes.
Tá tudo aí, infelizmente sem legendas (opa, colocaram as legendas aqui).
Ah, sim, se você só conhece o único LP dos Sex Pistols, Never mind the bollocks (1977) e não sabe que música legal é aquela que aparece de trilha sonora lá pelos 18 minutos do documentário, ela tá aí embaixo. É Did you no wrong, lado B do single de God save the queen.
Veja também no POP FANTASMA:
– Los Punk Rockers: um cover bem maluco dos Sex Pistols na Espanha de 1978
– Ex Pistols: quando os Sex Pistols foram trapaceados
– Peter Grant quase virou filme produzido por Malcolm McLaren
– O Public Image Ltd anda com saudades do Brasil
– London Weekend Show: o punk em 1976
– As últimas 24 horas de Sid Vicious
– Barra pesada: treze fatos sobre Sid Vicious
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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