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Maurício Barros (Barão Vermelho): solo, finalmente

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Isolamento, para Maurício Barros, é palavra de ordem. O tecladista do Barão Vermelho respeitou todos os protocolos da pandemia, ficou em casa e só saiu para o estritamente necessário. Concluiu seu primeiro disco solo, o recém lançado Não tá fácil pra ninguém, à distância, mandando arquivos para o técnico de som mexer.

O músico bateu um papo por telefone com o POP FANTASMA – de máscara, inclusive, já que tinha precisado dar uma saída rápida. Entre protocolos e alguns encontros com os colegas do Barão para acertar a turnê comemorativa de 40 anos do primeiro disco (que começa em 2022), fechou o álbum, repleto de parcerias com nomes como Bruno Levinson, Arnaldo Antunes, Otto (Abra essa porta, uma das melhores), Mauro Santa Cecilia e Bruna Beber.

Maurício também sobe ao palco do Circo Voador no próximo dia 18, mas como integrante do Barão Vermelho, que faz show – tendo na abertura Marcelo Gross (Cachorro Grande). Turnê do disco solo não deve rolar por enquanto. O resto ele mesmo te conta.

Como você resolveu lançar um disco solo? Acho que dos Barões só você e o Peninha (percussionista do grupo, morto em 2016) não tinham disco solo…

Pois é, o Peninha acho que até tinha um, não sei se foi comercializado… Tinha o Gungala, a banda dele. O disco começou, na verdade, a ser rascunhado há bastante tempo. Aos poucos comecei a fazer repertório, a gravar, mas algumas coisas que gravei há bastante tempo. Eu não me concentrei direito quando começou a pandemia, fui deixando de lado. A gravação foi nos últimos anos, estava encaminhado, mas parei para me concentrar no Barão Vermelho (o retorno da banda, com Rodrigo Suricato nos vocais). Fiz aulas de canto, mas isso veio de um desejo de cantar que eu tinha desde o Buana 4 (banda que Maurício teve após sair do Barão no fim dos anos 1980) e da Midnight Blues Band.

Eu cheguei a lançar um single solo, Horizonte perdido (em 2007), fiz até alguns shows nessa época, justamente para ter essa preparação. Fiz fono, tive preocupações, procedimentos para melhorar a voz. Uma coisa que eu posso dizer é que minha carreira solo foi iniciada tardiamente, mas é ativa. Posso a qualquer momento botar música no streaming, vai ficar paralelo com o Barão.

O disco está cheio de parcerias. Como surgiram?

Eu tenho mais facilidade para fazer músicas, embora eu faça letras também, tanto que o disco tem duas letras minhas. No repertório todo eu participei das letras de alguma forma, algumas de forma mais direta. Convidei essas pessoas em primeiro lugar por admirar o trabalho delas. Algumas são mais próximas, só foi o caso de propor “vamos fazer uma música juntos”. O Bruno Levinson e o Mauro Santa Cecília, eu já tenho músicas com eles. A Patricia Polayne é uma cantora sergipana e a gente se encontrou uma vez. Algumas precisei mexer um pouco na letra, a do Arnaldo e a do Fausto Fawcett foram as que eu menos mexi. Acrescentei só o refrão que não tinha na do Arnaldo, o “não vou ficar” eu acrescentei “não vou ficar esperando nem açúcar nem afeto”.

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O nome do disco tem bastante a ver com o que a gente está vivendo, já que de fato não está fácil pra ninguém. Como é lançar um disco com esse nome num tempo desses?

Basicamente é isso que você falou (rindo). Essa música é uma parceria com o Rogério Batalha, e ele é parceiro do Moacyr Luz. Não sei se fui influenciado por essa informação, de que eu sabia que ele era parceiro do Moacyr, mas pensei nela e falei: “Isso é um samba”. Sentei no piano e fiz um samba, que nem é minha zona de conforto, mas ficou legal. Fiz essa composição até antes da pandemia, tinha uma coisa ou outra que eu queria mudar na letra. Botei uma percussão para dar uma onda de samba.

Ela nem estava no repertório, mas estava no meio do ano fechando a ideia do disco e vi que esse seria o nome perfeito. Quando mostrei pro Rogério até disse a ele: “Nessas partes aqui eu quero dar uma cutucada no negacionismo”. Esse negacionismo absurdo e patético que a gente está vivendo hoje. Tem na letra a frase “cansou de ver gente surtar por não confiar no que diz o doutor”. É uma cutucada, mas eu queria que a música não ficasse datada, nem fosse uma música ranzinza ou rabugenta. Queria que fosse uma coisa irônica, bem humorada. E continua esse governo aí fazendo esses absurdos todos, afetando a gente de forma feroz… Vamos ver ano que vem, né?

Falamos do Buana 4, que aliás foi uma banda que chegou a ter música em novela. Como foi essa época?

Eu tinha acho que 24, 25 anos em 1989, por aí. Eu tinha feito essa música que eu lancei como single em 2007, Horizonte perdido, que era uma parceria minha com o Humberto Effe (Picassos Falsos). Ela era para ter entrado no Rock’n geral (disco do Barão de 1987), disco que foi produzido pelo Liminha. Deixou de entrar para entrar uma versão dos Rolling Stones, na verdade de uma música do Bobby Womack (Agora tudo acabou, versão de It’s all over now, gravada pelos Stones em 1964). Não tenho nada contra, mas isso me deixou – não vou esconder – meio triste, desmotivado. Depois da turnê desse disco, saí justamente para tentar alguma coisa minha, um espaço para as minhas músicas, que eu cantasse. Não estava contente com meu espaço no grupo.

Montei o Buana 4, a gente passou um tempo tocando em barzinho, em tudo quanto era lugar. Até que o produtor da novela Top Model, que iria estrear, perguntou se a gente não queria dar uma olhada na sinopse. “De repente vocês fazem alguma coisa para algum personagem…”, ele disse. Daí vimos o personagem do Taumaturgo Ferreira, que gostava de Jim Jarmusch, era grafiteiro, fazia desenhos pelas ruas. Usamos isso na letra, “deixo os meus recados
por onde você possa passar”. Mas o Mariozinho Rocha, que fazia as trilhas sonoras, adorou a música e escolheu como tema de abertura, mesmo ela tendo a ver com o personagem. O disco saiu pela EMI e não aconteceu muita coisa com ele. Tempos depois o Barão me chamou para comemorar dez anos de banda e eu voltei como músico convidado.

O Barão, por sinal, volta aos palcos em breve no Rio. E você, quando faz show solo do disco?

Bom, aí é que está: esse disco é mais a realização de botá-lo no mundo, mais do que qualquer coisa. Nesse momento específico a gente está comemorando 40 anos do primeiro disco do Barão (a estreia do grupo carioca saiu em 1982). O planejado é a gente fazer uma turnê celebrando esses momentos, vai ser um ano de celebrações. Pretendemos brindar nossos fãs com um pouco de coisas acústicas, lados B, coisas que fizemos. Pensamos em algum momento fazer algo no formato audiovisual. Isso vai ocupar a gente – e especialmente me ocupar – no começo do ano. Daí não pretendo fazer nenhum show da minha turnê. Pode ser que depois que acabar a turnê do Barão eu pare para fazer algo…

Mas eu tenho a intenção de fazer um show aqui, outro ali, do meu trabalho. Para mostrar isso tudo, além de canções minhas com outras pessoas. Quero fazer em algum momento, mas não estou preparando uma banda, nem mesmo a logística dá para isso nesse momento

2021 por sinal seria a comemoração de 40 anos do Barão Vermelho. Foi uma frustração não ter podido aproveitar o ano para comemorar nos palcos?

De certa forma foi muito frustrante pelo momento, que agora está voltando a ter alguma normalidade. Nossos companheiros atrizes, atores, músicos, compositores voltando a trabalhar… Mas o Barão sempre comemorou a data do primeiro disco. A turnê de dez anos foi em 1992, como fizemos também há dez anos para comemorar os 30 anos.

Aliás, seu pai, o jornalista Péricles de Barros, foi uma pessoa bem presente no começo da história do Barão Vermelho, e os primeiros ensaios da banda eram na sua casa. Como era isso?

Sim, ele foi bastante presente na minha vida, pra começar. Todos da banda tínhamos muito carinho por ele. A gente ensaiava na minha casa, ele era jornalista do O Globo, ia trabalhar e a gente ficava lá tocando (rindo). Depois ele conseguiu um show que veio a ser o primeiro do Barão Vermelho, na Feira da Providência. Lembro que nem tinha PA pra tocar. Meu pai era diretor de eventos como o Projeto Aquarius, a Chegada do Papai Noel. O Projeto Aquarius, ele criou com o Isaac Karabtschevsky e o Roberto Marinho. Eu e Guto, que éramos amigos de colégio, viajávamos para Brasília com o Coral da Gama Filho, para vermos concertos de música. Conheço o Guto há mais de 40 anos, meus pais tinham muito carinho por ele.

A gente fez alguns eventos com meu pai, como o Rock Concerto, com Barão Vermelho e Blitz na Praça da Apoteose (em 1984, com regência de Isaac Karabtchevsky e orquestra e coro do Teatro Municipal), chegada do Papai Noel… Ele não botava a gente porque eu era filho dele, mas o grupo estando num ponto daquele de sucessos, ele colocaria se pudesse.

Por sinal você tem uma trajetória bem diferente dentro do Barão Vermelho: fundou a banda, depois saiu, voltou como músico convidado e refundou a banda junto com o Guto Goffi. Qual o balanço que você faz disso aí?

É uma trajetória muito diferente da trajetória do universo (rindo). É uma situação meio enrolada, bizarra. Fui que fundei o Barão, a banda começou comigo e com Guto na minha casa. A gente era do mesmo colégio, depois entrou o Dé, depois o Frejat e finalmente o Cazuza. Eu e o Guto somos os membros originais, a gente sempre brinca: “Quem é o membro 000?”, porque a gente começou junto. Quando fui para o Buana 4, eu deixei de ser integrante, mas pouco antes da turnê dos dez anos, eles me chamaram como convidado especial e voltei a tocar com eles. Teve um momento em que o Guto quis voltar oficialmente mesmo, daí eu apareceria nas entrevistas, teria parte executiva na banda.

Eu tinha esse desejo de ter meu trabalho solo, não precisava sair da banda. Estava ali de novo, à vontade, até porque a gente era amigo. Participava da parte criativa da banda, mas era uma situação meio desconfortável que eu criei pra mim mesmo. Imagina, saí da banda, depois voltei como convidado da banda que eu mesmo formei… Realmente é uma parada meio esquisita. Mas ao longo dos anos comecei a compor. Eu já compunha desde o primeiro disco e recomecei a contribuir. Por você é parceria minha com Frejat e Mauro Santa Cecilia. Puro êxtase fiz com Guto Goffi. Meus bons amigos fiz com Guto e Fernando Magalhães. Teve também Cuidado, Nosso mundo, Enquanto ela não chegar.

Eu produzia com eles cada vez mais. Eu dizia que estava bem assim mas no fundo era esquisito. Minhas filhas iam ver o show e eu não estava no cartaz da porta do teatro. Ou eles iam tocar na TV uma música que eu tinha composto. As pessoas começaram a não saber quem eu era. Depois o Frejat me chamou para coproduzir o disco dele, Amor pra recomeçar (2001). Compus a música-título com ele e Mauro. Fiquei tocando 15 anos com ele, e quando o Guto veio falar que queria voltar,  e o Frejat disse que não voltaria, porque queria priorizar a carreira solo, decidi que voltaria com o Barão.

O disco termina com Não desista, que também é uma mensagem bem apropriada…

É aquilo que eu costumo dizer: quem canta seus males espanta. E a gente canta para os outros o que a gente quer dizer para a gente mesmo. Tem um pouco isso de perseverança, de “não chegou a hora, continua batalhando”. Isso serviu até para mim em relação ao próprio disco, para continuar trabalhando. E serve para as pessoas que não estão satisfeitas com o que estamos vendo, com as escolhas que estão sendo feitas pelo governo federal. É preciso resistir.

Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Lançamentos

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

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Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que

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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen), e montou depois o Laptop – uma banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje Jesse divide com seu filho Charlie. O grupo lançou recentemente o single Indie hero, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

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Lançamentos

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

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Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

Hoje é o último Radar nacional do ano – em 2026 tem mais. O single novo de Ebony, que abre caminho para a versão deluxe do ótimo disco KM2, encabeça a lista, que está variadíssima como sempre. Ouça e passe adiante!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

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EBONY, “DONA DE CASA”. “Essa foi a primeira música escrita para KM2, e acabou ficando de fora da versão experimental. Ela foi pensada para ser uma forma de interlúdio, mas acabou sendo um dos versos mais potentes que já fiz na vida, e a escolhi para anunciar a versão completa do álbum”, conta Ebony, que lança em breve nas plataformas a versão deluxe de seu ótimo álbum KM2 (resenhado pela gente aqui).

Dona de casa, a tal música que ficou de fora, abre caminho para a nova versão do álbum, e detalha a luta de Ebony para chegar onde chegou – e o “onde chegou”, vale dizer, inclui datas já agendadas para divulgar o KM2 deluxe, levando seu rap feminista e aguerrido adiante. Aliás, confira abaixo as datas da KM2 deluxe, a tour.

 

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MARINA SENA feat PSIRICO, “CARNAVAL”. Em 2025, Marina Sena lançou seu terceiro disco, Coisas naturais – seu melhor lançamento até agora, conforme falamos em nossa resenha. E ela encerra o ano com um lançamento especial de verão, o EP Marinada vol. 1 – projeto multimídia que se estende ao audiovisual, cabendo um videoclipe oficial da versão estendida de Carnaval e cinco lyric videos, todos dirigidos por Marcelo Jarosz e Vito Soares. A tal nova versão de Carnaval ganha a participação de Marcio Vitor (Psirico), e mais foco ainda no batuque e na diversão.

TENÓRIO, “PEGA, MATA E COME”. Jazz também combina com perigo e tensão – a banda Tenório, que une improvisos, solos e experimentalismos, já havia mostrado isso com o single Pedra do rio não sabe que montanha é quente. Com Pega, mata e come, o segundo single, a coisa ganha contornos mais selvagens, soando como um bicho atrás de sua presa. Na formação do Tenório, Filipe Consolini (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria). Em 2026 sai o primeiro álbum.

FAVOURITE DEALER, “WAVES”. Destaque de uma cena de bandas nacionais que revitalizam o shoegaze, esse grupo curitibano já havia lançado dois singles em 2025, Frustrating e Drowning. O ano encerra para eles com Waves, faixa que destaca os vocais tranquilos, o clima quase psicodélico e as guitarras sujas – algo no meio do caminho entre o stoner e sons mais melódicos. E já tem clipe.

SANTIYAGUO, “T.O.C.”. Voltado para o metal + hard rock de terror, SantiYaguo (ou Santiago Miquelino, seu nome verdadeiro) pegou um blues-rock feito por ele com Tiago Teixeira, transformou em metal, e lá veio o single T.O.C.. A música ganhou um clipe bastante criativo, dirigido por Fabiano Soares, em que uma mulher é exorcizada por um padre fã de Black Sabbath (que usa Iron man, autobiografia de Tony Iommi, como Bíblia Sagrada).

ZÉ MANOEL, “CORAL” (CLIPE). Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Samba de Véio da Ilha do Massangano surge em Coral, contrapartida audiovisual da faixa-título do novo disco de Zé Manoel – é até bem mais do que um clipe, com uma linguagem de curta-metragem. No vídeo, dirigido por Tiago Di Mauro, Zé Manoel chama a atenção para o corpo como território sagrado, casa da voz e da memória ancestral. “O corpo é o meu primeiro instrumento. Antes de qualquer canto, há o silêncio e o som da pele. O clipe de Coral é um ato de reconciliação com a própria natureza. É um renascimento, uma oferenda às águas e às minhas origens”, afirma. Tudo é bastante sensorial, e a água surge de maneira quase ritualizada ao longo do clipe (e resenhamos o álbum Coral aqui).

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Lançamentos

Radar: Alex Vanderville, The Dreaming Void, I Smell Burning – e mais sons do Groover

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Foto (Alex Vanderville): Divulgação

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Alex Vanderville

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Alex Vanderville): Divulgação

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ALEX VANDERVILLE, “LOBOS”. Vindo do México, Alex faz rock enérgico, influenciado por punk, grunge e sons oitentistas (nomes como Nirvana, Nine Inch Nails, Soundgarden, Jeff Buckley, Stone Temple Pilots, INXS e Duran Duran estão entre suas referências), mas que busca nunca escapar do pop na hora de fazer melodias. O single Lobos tem até um ar gótico no arranjo e até mesmo no clipe – e une punk e synthpop.

THE DREAMING VOID, “DANGEROUS TOYS”. Essa banda britânica tem muito do pós-britpop em seu sóm – mas sem deixar de lado as referências do pós-punk e dos anos 1980. Dangerous toys, um de seus novos singles, tem dois segmentos, e une a tranquilidade de bandas como Starsailor e R.E.M. a um clima gelado que faz às vezes lembrar The Cure e Echo & The Bunnymen. Destaque para a voz de Amy Hart.

I SMELL BURNING, “BLUE PARADE”. Esse misterioso grupo-projeto britânico soa como um David Bowie meio sombrio e metálico, no single Blue parade – uma faixa que eles afirmam ser uma das favoritas dos fãs nos shows. A vibe meio soul da música (que tem andamento lembrando Heroes, de Bowie) com certeza deve dar uma bela animada nas plateias da banda.

DIMA ZOUCHINSKI, “LATER FATE”. Compositor e cantor que diz ter mais de cem canções compostas, Dima é filho de pais russos, mas nasceu na Inglaterra e sempre viveu por lá. Ele diz que seu estilo é “Ian Dury encontra Lemmy nas encruzilhadas do blues”, e tem uma onda assumidamente Billy Bragg em seu som – dá para perceber isso de cara na poderosa Later fate, uma de suas músicas mais recentes.

THE DRONES, “NIGHTINGALE”. Pós-punk zoeiro com vocais de desenho animado, e som que tem o maior jeitão de terror de desenho animado também – na real é uma canção gótica-shoegaze feita em clima de demo, com gravação envelhecida. Uma das faixas do novo álbum do The Drones, que se chama justamente Nightingale.

CRONOS MATTER, “CELEBRITY BOILED”. Esse projeto se define como um encontro entre Nirvana e Soundgarden – uma banda com guitarras pesadas, vocal dramático e clima ligeiramente cinematográfico e aterrorizante. O grupo afirma que a ideia de Celebrity boiled é falar dos descontentamentos e desilusões modernas – a letra fala sobre a verdadeira máquina de moer carne das redes sociais, em que todo mundo fica se comparando, e também sobre relacionamentos abusivos.

PANKOW_77C, “PRECINT 13 DEATH BRIGAD4S”. Esse projeto audiovisual italiano costuma meter bronca mais em vídeos que se assemelham a games – e dessa vez, no single novo, investem no cyberpunk cheio de erros propositais de gravação, peso eletrônico e ligações pouco usuais, já que William Burroughs e Gilles Deleuze são citados como referências misturadas no caldeirão deles. “Filosofia com batida forte. Sem revivalismos. Sem modismos. Esta é uma insurgência sonora construída sobre suor, distorção e memória. Uma trilha sonora para aqueles que se movem para sobreviver”, definem.

SLY SUGAR, “VIDA LOKA”. Esse grupo veio da Ilha da Reunião (departamento pertencente à França), e une reggae, rock, eletrônicos e tudo que você puder imaginar. Vida loka tem uma expressão em português no título, e letra igualmente em português, lembrando o pop nacional dos anos 1990.

EYAL ERLICH, “SENTIMENTAL CAPE”. Com um monte de singles gravados ao vivo – e preparando um álbum – Eyal faz um som voltado para o indie rock, e para canções que exploram “amor, perdas e questões não respondidas”, sempre “em algum lugar entre a atitude punk suave e a vulnerabilidade de cantor-compositor”, conta.

MI6, “THE MIND MACHINE”. Projeto criado por músicos experientes do som eletrônico e da cena gótica, o MI6 é baseado em “new wave, old wave, cold wave, dark wave, com toques de doom, goth, ebm e punk”, cabendo originais e covers no repertório. The mind machine é o primeiro single, um pós-punk gótico com vocais graves feito pelo integrante Dominique Nuydt. Porrada.

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