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Crítica

Ouvimos: Mac deMarco – “Guitar”

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Mac DeMarco lança Guitar, disco introspectivo e texturizado, entre baladas estranhas, folk sombrio e rock despressurizado.

RESENHA: Mac DeMarco lança Guitar, disco introspectivo e texturizado, entre baladas estranhas, folk sombrio e rock despressurizado.

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Dizem por aí que, com certos discos, mais do que gostar deles, você tem que esperar que eles gostem de você. Provavelmente algum crítico espertinho vai escrever isso por aí (não é meu caso, não sou espertinho) para definir o novo álbum de Mac deMarco, Guitar – indicando que as baladas tristinhas do novo álbum do músico são um prazer a ser adquirido com o tempo, como o gosto duvidoso da tônica Schweppes (e olha que a comparação até que nem é das piores).

Guitar é mais o retrato de um momento do que propriamente um “deu a louca no Mac de Marco” – até porque estamos falando de um cara que provou que vaporwave despojada, bonés de aba larga e camisas xadrez podem ser cool. Num momento de perdas pessoais e de introspecção total, Mac faz um álbum de guitarra, violão, baixo e bateria, que poderia ter sido feito por um daqueles cantores cabisbaixos e de voz indecente dos anos 1970 (Jim Croce, Stu Nunnery e outros), com direito a músicas que talvez até pudessem estar na trilha sonora de O espigão (1974). Mas nem tanto: você vai escutar músicas como Shining, Sweeter e Phantom e vai perceber de cara que tem algo ali que pode sair do controle imediatamente.

Lidando com um som tão texturizado que quase pode ser pego com a mão, Mac deMarco vai mostrando que há muito pesadelo por trás da calmaria (em Terror e Nightmare), louva os dias passados em casa (Home), faz baladas chapadinhas (Nothing at all, Punishment), investe em rock despressurizado na onda de Elton John e Supertramp (Knockin). E faz uma balada que parece uma daquelas músicas nostálgicas dos áureos tempos do rock (Rock and roll) – mas com um ingrediente estranho, algo que parece desafinar, não timbrar, sair do prumo, com uma baguncinha no fim.

Essa sensação de que tem algo ali que você pode não estar enxergando, mas que responde pela estética do disco, é um dos maiores fatores de Guitar – disco que encerra com um folk pra lá de estranho chamado Rooster, com um “la la la” sombrio, cuja letra avisa: “o fim está cada vez mais próximo / querida, não se assuste / é apenas um sentimento com o qual você já está acostumada”. A estética do não-estético, parte 2.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Mac’s Record Label
Lançamento: 22 de agosto de 2025

  • Ouvimos: Panic Shack – Panic Shack
  • Ouvimos: Westside Cowboy – This better be something great (EP)

Crítica

Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Crítica

Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Crítica

Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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