Crítica
Ouvimos: Panic Shack – “Panic Shack”

RESENHA: Panic Shack estreia com punk e pós-punk cheios de classe, humor e política, misturando influências de B-52s, Slits, Wire e Ramones.
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Tem quem já ande comparando o primeiro álbum das mulheres do Panic Shack com os discos de Amyl and The Sniffers. Francamente, nada a ver: o quarteto galês dá porrada em suas músicas até com mais classe. O som ouvido no disco Panic Shack soa como um B-52s cheio de sombras, e parece bem mais próximo de uma noção clássica de punk e pós-punk.
Em comum, as duas bandas têm a transformação de diversão em política, de pessoal em público. E a disposição para a zoeira eterna como foco de atitude rocker, e conceito de trabalho. Girl band starter pack, sobre a quebradeira na estrada, tem experimentação rítmica típica do pós-punk – quase um afrobeat dado pelo baixo e pela bateria – com clima de Slits e B-52s lado a lado.
Normalmente o baixo de Emily Smith vai à frente, puxando a melodia em Gok wan (punk puro, com vocal falado na abertura) e fazendo uma trança de riffs com a guitarra em faixas como Tit school. Já Lazy, canção simples sobre o direito à preguiça (coisa que muitas mulheres jamais têm), tem clima tenso que evoca Joy Division e The Sound, e ganha clima eletropunk depois do refrão. We need to talk about Dennis, canção sobre diversão insana e sem fim, é new wave sombria herdada de Gang Of Four.
A onda do Panic Shack reprocessa banda como Wire e Ramones, em Do something, Personal best e Pockets, além de grupos como Television Personalities, em Unhinged. Thelma & Louise, cujo clipe bota a mulherada da banda para rodar num carro conversível – em cenas como no filme de Ridley Scott –, celebra a amizade em clima punk e encerra o disco num clima até menos anti-pop do que em várias das faixas anteriores. Um sacode bem dado no rock atual.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Brace Yourself Records
Lançamento: 18 de julho de 2025
Crítica
Ouvimos: Codinome Winchester – “Rock ou nada” (EP)

RESENHA: No novo EP, Rock ou nada, a banda sul-mato-grossense Codinome Winchester cruza pós-punk, ska-punk, noise rock e rock pesado, com letras entre o existencialismo, o protesto e a celebração.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Sonora Digital
Lançamento: 10 de setembro de 2026
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Banda de Campo Grande (MS), o Codinome Winchester faz do EP novo, Rock ou nada, uma declaração de princípios em tom próximo do pós-punk – ou de uma noção bem guitarrística de new wave, com letras que vão do existencialismo ao protesto. Ou que unem as duas coisas, como no inconformismo religioso de Eureka!, ska-punk com guitarras próximas do hard rock. Você também vai queimar, com vocais fortes, parede de guitarras e clima de viagem noise-rock lá pela metade, dá ao estresse do dia a dia uma imagem destruidora, que vai pondo fogo em tudo ao redor.
A segunda metade de Rock ou nada é bastante variada. Se você detesta bandas de rock que usam vocoder, autotune ou qualquer coisa do tipo, passe longe da terceira faixa – mas assim você vai perder a ótima A última polka, rock pesado e ligeiramente progressivo, com vocais eletrônicos e letra propondo uma visita quase surrealista ao Mato Grosso do Sul, em que o Pantanal e seus habitantes não estão para brincadeira. No final, tem até um samba-punk, a positiva O samba parou, com Mauricio Pereira soltando a voz. E com o grupo avisando que, apesar das dificuldades, a festa não acabou.
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Crítica
Ouvimos: Cobrafuma – “Droga total”

RESENHA: No álbum Droga total, o português Cobrafuma transforma raiva, abandono e precariedade em punk acelerado, misturando hardcore, thrash metal e rock’n’roll em 20 minutos de pancadaria.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Lovers & Lollypops LDA
Lançamento: 21 de agosto de 2026
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Não tem como deixar passar uma banda com um nome desses, e com um disco desses – um álbum de 20 minutos que recentemente o Bandcamp definiu como “thrash metal, hardcore e rock n’ roll condensados” e “um ataque sonoro tão insidioso quanto robusto”. Já o Cobrafuma é uma banda punk do Porto (Portugal) cuja autodefinição é melhor ainda: “fumo denso, jogos de snooker em que ninguém mete a preta e mais de 666 cervejas entornadas entre o corpo, o chão, e o balcão”.
Droga total mergulha no dia a dia dos jovens da classe pobre, apertada, raivosa, cheia de traumas e medos. Mas faixas como o crossover Trabalho servem para várias existências, com versos como “o patrão tem que ruminar / és a roda desdentada que prometem engrenar / empanturrado de migalhas / e gargantas que cortar”, berrados com precisão de João Gordo e sotaque luso. Meninos das tochas une punk e palhetadas de metal para falar diretamente de abandono e descaso – enquanto a faixa-título, lembrando o D.R.I. de discos como Four of a kind (1988)M trata de abusos e mortes.
No geral, o Cobrafuma lembra uma banda punk dos anos 1980, com a mesma preocupação em demolir fronteiras entre punk e metal, e em cravar refrãos prontos para serem gritados (como em Hoje é dia e Quem é este man, faixas com solos que lembram até a fase Anarkophobia, dos Ratos de Porão, em 1991). Tiro no escuro abre em clima pesado e sombrio, mas emenda no punk. O final, com as palhetadas quase thrash metal de Humildade, põe algo próximo do otimismo no universo do grupo.
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Crítica
Ouvimos: Jewls – “NeverTheLess” (EP)

RESENHA: No EP NeverTheLess, a alemã Jewls cruza pós-punk, guitarras atmosféricas, trip hop e shoegaze em canções sobre amores tóxicos e desencontros, com vocal rouco e misterioso.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Motor Entertaiment
Lançamento: 4 de setembro de 2026
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A palavra “nevertheless” significa “mesmo assim”, “no entanto” – e, no título do EP da alemã Jewls, ela surge dividida em três (o que dá um trocadilho torto, tipo “nunca + quanto menos”). O NeverTheLess de Jewls investe em pós-punk, guitarras atmosféricas, canções mais ou menos acessíveis, marcadas pelo vocal rouco, sexy e misterioso dela. E por um clima provocativo herdado de bandas como Garbage e Dry Cleaning.
Essa onda, misturada com climas herdados do pós-punk, dá as caras nas duas faixas de abertura, A rough inbetweener e em Easy rider – completando o cenário com os ruídos e rangidos de The crushed, nada levemente inspirada em Heart shaped box, do Nirvana. Spring once, canção melancólica aberta com voz e violão (e prosseguida em clima quase shoegaze), é o lado The Cure + Smashing Pumpkins do disco – encerrando com o trip hop ruidoso e distorcido da faixa-título.
Jewls, por sinal, fez de NeverTheLess um disco (vá lá) “romântico”, mas sem banalidades – as letras recorrem a imagens bem cruas e sarcásticas para falar de incompreensões, amores tóxicos e casualidades da vida romântica. Soa com cara própria a maior parte do tempo.
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