Cultura Pop
Life After Life: punk cigano antes do Gogol Bordello

No começo dos anos 2000, o Gogol Bordello surgiu no cenário musical com uma proposta a primeira vista inovadora de incorporar elementos ciganos à fúria do punk rock. Muita gente acreditou que eles estavam inventando a pólvora (eu inclusive), mas a verdade é que bem antes deles já havia na Califórnia dois ciganos da República Checa que tiveram a mesma ideia e montaram um conjunto hoje pouco lembrado, o Life After Life.
O cérebro do grupo era Jaroslav Erno Sedivy, que nos anos 1960 tocou bateria em diversas bandas de rock progressivo na República Checa. E que foi duramente perseguido pelo governo de lá que não via com bons olhos um trabalho cujas letras eram repletas de críticas ao comunismo. Jaroslav chegou a ser preso duas vezes apenas por tocar bateria em eventos não autorizados pelo governo (entenda-se shows underground), o que era considerado crime na época.
A primeira prisão aconteceu quando ele era apenas um adolescente. A polícia chegou à sua casa no meio da noite e disse: “Vista suas roupas, nós o levaremos conosco”. Ele perguntou: “Mas qual é a acusação?” e a resposta foi simplesmente: “Não interessa, apenas venha. Você quer ficar pelado ou vestido?”. Assim, Jaroslav ficou trancafiado em uma cela subterrânea por uma semana antes de descobrir que havia sido detido apenas porque o regime ditatorial vigente naquele tempo considerou que sua banda na época (Primitive) representava “uma organização radical com influências do ocidente”.
As autoridades deram a ele duas escolhas. Ou ele assinava um documento onde se comprometia a dissolver o conjunto e obtinha sua liberdade, ou recusava-se a assinar e permanecia encarcerado. Malandramente ele escolheu a primeira opção, mas, ao ser libertado, formou um outro conjunto chamado (acreditem se quiser) Flamengo, que teve diversas formações até 1972, quando lançaram o influente álbum Ku?e v Hodinkách (“Frango no Relógio”, de acordo com o Google Translator, e é exatamente isso o que aparece na capa do disco).
O trabalho foi muito bem recebido e até hoje é considerado um dos mais importantes discos de rock daquele país, mas o forte teor das letras acabaram levando-o para a prisão novamente, acusado de comportamento subversivo. Jaroslav fugiu para os EUA usando um passaporte falso feito por uma amiga que trabalhava no Ministério das Relações Exteriores (e que acabou indo para a cadeia mais tarde por fornecer a ele os meios de fuga), chegando na Califórnia em meados dos anos 1970, quando a cena punk rock local dava seus primeiros passos.
Ele passou os anos seguintes rodando por várias cidades americanas diferentes até que no início dos anos 1990 conheceu Jim Cert, outro imigrante checo que tocava acordeon com maestria e que, devido ao seu ativismo e suas letras “indesejáveis para a ideologia do regime” (palavras de documentos oficiais da época), foi preso diversas vezes na antiga Checoslováquia e proibido de se apresentar em público.
Com gostos e posicionamentos políticos semelhantes, naturalmente veio a ideia de trabalharem juntos com música. A estreia ocorreu numa festa de ano novo em 1993, onde deram a sorte de encontrar na plateia um dos seus maiores ídolos Jello Biafra, que, impressionado com o que assistiu, os contratou para o cast de sua gravadora Alternative Tentacles, onde lançaram o disco Just trip em 1997.
O álbum tem sons furiosos e poderia ser rotulado como um cruzamento bizarro do já citado Gogol Bordello com Mano Negra, com potencial para chamar a atenção e causar um rebuliço ao menos a nível underground, porém infelizmente pouquíssimo tempo depois o grupo acabou porque Jaroslav precisou voltar ao seu país de origem, onde vive até hoje.
Ficou interessado(a), amigo(a) leitor(a)? Já adianto que comprar o disco é uma tarefa complicada, pois há muito o mesmo se encontra fora de catálogo, porém uma boa alma já o jogou na íntegra no YouTube.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.



































