E aí, lembra da Gorgon Video Magazine? Não? Vamos por partes. Se você era pelo menos pré-adolescente nos anos 1980, lembra que o lugar que hoje é da internet era ocupado naquela época por três coisas: 1) televisão; 2) videolocadora; 3) bancas de jornal. Nada como juntar esses três elementos, não é mesmo? Daí muitas gravadoras independentes, produtoras e empresas de vídeo investiram num formato que marcou época para muita gente: o de “revista de vídeo”.

Sim, você ia na banca e comprava uma revista (mínima, muitas vezes em papel vagabundo) e que trazia junto um VHS. E a fitinha de vídeo era a revista de verdade, com clipes, trechos de filmes e o que mais desse para colocar ali – e fizesse sentido. No Brasil rolaram algumas. Bom, na verdade não eram bem “revistas de vídeo”: a Sexy, a Ele Ela e até a Playboy, sem lugar para desovar seus making ofs, soltavam os vídeos em VHS que eram vendidos nas bancas. Volta e meia aparecia algum título mais bem editado, de interesse geral, mas isso não virou mania no Brasil.

Já lá fora, olha só, tinha até uma revista de terror em formato VHS. Era a Gorgon Video Magazine, da empresa Gorgon Video. Sim, a mesma empresa responsável pela distribuição do vídeo Faces da Morte, que – mesmo tendo uma porrada de cenas mais falsas que nota de R$ 3 – assustou uma renca de gente nos anos 1980 e 1990.

Gorgon Video Magazine, a sua revista de terror em VHS (!!)

Aparentemente, a Gorgon Video Magazine durou apenas dois números e não vendeu horrores – o formato “revista em VHS” não chegou a se popularizar muito nem mesmo lá fora, para dizer a verdade. O primeiro número foi lançado em 1989 e incluiu entrevistas com Wes Craven (tido como “o príncipe herdeiro” do horror), a “rainha do grito” Linnea Quigley (cujos berros de horror eram famosos em filmes B do estilo) e outros. Tiha também uma artigo sobre a banda de metal-terror-de-araque Gwar. O mestre de cerimônias da revista é o astro do terror Michael Berryman, que parece pouco à vontade no papel. E isso tudo você pode conferir no YouTube. Sim, porque alguém pegou o tal número da revista e jogou lá.

Olha o volume dois aí.

O site Reprobate Press lembrou que a revista acabou enfrentando alguns problemas. Num período em que uma revista não era um item que deveria ser vendido a preço caro, um exemplar custava US$ 19,95. A falta de pontos de venda também era um dilema constante, o que fazia com que a publicação acabasse sendo vendida pelo correio – ou seja: encarecia ainda mais o preço.

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