Cultura Pop
Euroman Cometh: o lado eletrônico de Jean-Jacques Burnel, dos Stranglers

A encrenca foi a companheira de Jean Jacques Burnel, baixista dos Stranglers, durante a turnê de seu primeiro disco solo, Euroman cometh (1979). Primeiro, porque uma renca de malucos decidiu invadir o palco na segunda data da tour, no Apollo de Manchester – o baixista, que nas horas vagas praticava caratê (ele dava aulas de artes marciais antes da fama), aproveitou para treinar uns golpes nos invasores.

No Glasgow Pavillion, dias depois, Burnel se desentendeu em pleno palco com o guitarrista John Ellis, que tocou na banda de abertura do show (o R.E.M., que não era o grupo de Peter Buck). Ellis foi improvisado como guitarrista na banda de Burnel, que teria ficado irritado com os pedidos da plateia por um dos hits recentes dos Stranglers (Burning up time): “Se querem escutar essa, vão a um show dos Stranglers. Sou só 25% deles e esqueçam se estão esperando por ouvir isso”, esbravejou, segundo o livro Peaches: A chronicle of The Stranglers 1974-1990, de Robert Endeacott.
Euroman era um disco-encrenca, se é que dá pra chamar assim. Em sua estreia solo, Burnel decidiu comprar briga com os Estados Unidos e abordar, no álbum quase todo, as teorias sobre a formação de um “superestado europeu” (ou Estados Unidos da Europa) no contexto da guerra fria. “Uma Europa crivada de valores americanos e de subversão soviética é uma velha prostituta bajuladora doente: uma Europa forte, unida e independente é uma criança do futuro”, chegou a afirmar no encarte.

“Foi como um manifesto”, afirmou Jean ao site Louder Than War. “Eu era um grande fã do conceito de Europa unida, mas tudo piorou. Eu ainda acho que é uma das grandes ideias dos nossos tempos, mas eu sou cauteloso com a burocracia e os maus elementos dela. O conceito de europeus vivendo juntos, trabalhando lado a lado, sem que um enxergue o outro como inimigo natural ainda é um grande conceito”. O músico também contou que muito do conceito do disco veio de sua vivência como londrino de ascendência francesa.
O som de Euroman cometh era bem diferente do normal de Burnel. Saía o punk “elaborado” dos Stranglers e entrava uma sonoridade eletrônica, com sintetizadores e rudimentares baterias eletrônicas. Tocaram no disco nomes como Peter Howells (The Drones, bateria) e Brian James (Damned, guitarra).
Jean Jacques praticamente morou dentro do estúdio enquanto gravava o disco. Tinha saído de um apartamento do amigo Wilko Johnson, do Dr. Feelgood – Lemmy Kilmister, então se lançando com o Motörhead, entrou em sua vaga. Na sequência, instalou-se num flat, onde foi pego com duas garotas punks pela dona do apê, e acabou expulso. “Fiquei no estúdio e usei o tempo livre para gravar e escrever. Havia essas drum machines primitivas. Você ia gravar um som disco e tinha a bateria programada. Era muito simples: você tinha a batida da bossa nova ou da valsa”.
O repertório tinha uma homenagem ao empresário britânico de aviões Freddie Laker, com Freddie Laker (Comcorde and Eurobus). E, opa, essa música acabou ganhando um clipe.
Triumph (Of the good city) é uma homenagem às motocicletas Triumph – o ronco da abertura é da própria moto de Burnel.
Aliás pega o disco inteiro aí.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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