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Cultura Pop

Electric Prunes: aquela banda de rock que gravou uma missa (!)

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Electric Prunes: aquela banda de rock que gravou uma missa (!)

Formados em 1965 na Califórnia, os Electric Prunes não demoraram para se destacar no cenário da psicodelia americana da época. O grupo de James Lowe (vocal e guitarra), Mark Tulin (baixo), Ken Williams (guitarra) e Michael “Quint” Weakley (bateria) conseguiu um contrato com a Reprise em 1966 e logo fez sucesso com o hit lisérgico I had too much to dream (Last night). É a música aí de baixo.

Só que ao contrário de bandas como o Jefferson Airplane, o Grateful Dead e os próprios Beatles, os Prunes não tinham tanta independência musical assim. O grupo compunha, mas um bom pedaço do repertório de seus dois primeiros discos é formado por músicas de uma dupla de compositoras, Annette Tucker e Nancie Mantz – até mesmo seu principal hit saiu das mãos delas. O produtor Dave Hassinger sugeriu o nome do grupo, registrou “Electric Prunes” em cartório e comandava passos decisivos dos rapazes. Entre eles o de gravar uma espécie de missa psicodélica: o controverso disco Mass in F minor, de 1968 (“missa em fá menor”).

O terceiro disco dos Prunes, que completou cinco décadas em janeiro, é considerado “o começo do fim da banda” pelo vocalista James Lowe, como o próprio disse nessa entrevista aqui. A banda vinha tendo atritos conceituais com Hassinger, querendo se afastar das paradas de sucesso (I had too much to dream foi rapidamente absorvido pelo público fora do universo da psicodelia) e desejando fazer um som mais experimental. Só que como Underground (1967), o segundo disco, não vendeu nada, Hassinger e o empresário Lenny Poncher tiveram a ideia de botar o grupo para gravar a tal missa, composta por um músico clássico chamado Dave Axelrod.

“O grupo”, no caso, é maneira de falar. Os Prunes, que já estavam com a formação bem modificada, tocaram no álbum lado a lado com uma banda psicodélica do Canadá chamada The Collectors. “Eu toquei em todas as músicas e nosso baterista Quint também. O resto, nem todos nós. Foi destrutivo trabalhar dessa maneira. Nós nunca nos recuperamos disso”, contou o baixista Mark Tulin.

Mass chegou ao número 135 da parada da Billboard e esteve longe de fazer um baita sucesso. Mas Kyrie Eleison, a música de abertura, passou pelo clássico road movie Easy rider – Sem destino. Olha a cena em que ela aparece aí.

Se você ficou chocado com Mass in F minor, os discos religiosos dos Prunes (ou pelo menos as tentativas de Hassinger de levar a banda a isso) não terminaram aí, não. Release of an oath (“liberação de um julgamento”), o quarto disco, saiu também em 1968, também teve tudo composto por Axelrod e se baseia na liturgia judaico-cristã.

O subtítulo do álbum é O Kol Nidre: Uma oração da antiguidade. Trata-se de uma espécie de oração que, como diz o nome do disco, libera o penitente de um juramento “feito sob coação e em violação de seus princípios”. Após sofrerem para gravar o álbum anterior, em Oath os Prunes foram delicadamente afastados de boa parte do trabalho. Músicos como a superbaixista Carol Kaye (Simon & Garfunkel, Beach Boys) tocaram nas faixas. Tulin diz nem ter escutado o disco.

Não foi só Oath que Tulin não escutou: ele nem seu deu ao trabalho de ouvir Just good old rock and roll (1969), quinto disco dos Prunes. Hassinger, dono do nome, expulsou todo mundo da turminha e convidou Ron Morgan (guitarra), Mark Kincaid (guitarra, backing), John Herron (órgão), Brett Waade (baixo, backings, flauta) e Dick Whetstone (bateria e voz) para a nova formação do grupo. O som era rock simples, sem experimentação, com psicodelia dosada e canções mais próximas do radiofônico. Essa formação pirata-oficial durou até 1971.

Entre idas, vindas e mortes (como a do próprio Tulin em 2011), os Prunes estão aí até hoje. O grupo teve algumas voltas nesse tempo todo, sendo que a mais próxima do definitivo rolou em 1999. De lá para cá, já saiu um disco chamado Was (2014), que não está nas plataformas digitais e pode ser comprado no site do grupo. O máximo que dá pra achar do disco na internet é essa música aí, Red dress.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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