Cultura Pop
Aquela vez em que dois integrantes dos Dwarves fizeram uma música pro Bob Esponja

Conhece Blag Dahlia? Se sua resposta for não, então você provavelmente não tem nenhum apreço por punk rock. Há mais de 30 anos ele é o vocalista do Dwarves, banda hardcore casca grossa que se notabilizou por seus shows repletos de violência (foram inúmeras as vezes em que a banda baixou o sarrafo na plateia), sexo, uso de drogas e demais baixarias.
Os Dwarves ficaram famosos também por terem feito uma brincadeira de gosto duvidoso com a ex-gravadora Sub Pop, enviando um comunicado oficial à imprensa pouco antes de o selo lançar o álbum Sugarfix, onde diziam que iriam acabar porque o guitarrista da banda (o mascarado HeWhoCannotBeNamed) havia sido morto com uma facada numa briga em um bar na Filadélfia.
No tal comunicado havia até um endereço para onde você poderia fazer “homenagens póstumas” ao músico em questão, ou enviar flores aos seus familiares. Mas tudo não passava de fake news pra divulgar o Dwarves e o trabalho em questão. Isso deixou os responsáveis pela Sub Pop tão constrangidos e irritados que acabaram optando por demiti-los.
Porém, apesar desse currículo, Blag tornou-se mais conhecido por um fato no mínimo curioso. Ele gravou uma música para o desenho do Bob Esponja chamada Doing the sponge.
Em entrevista para o site New Noise, Blag (nome artístico de Paul Cafaro) explica que o convite rolou porque a esposa do recentemente falecido criador do desenho, Stephen Hillenburg, era muito amiga de Salt Peter, ex-baixista do Dwarves. Salt, não custa lembrar, é o cara de dreads que sai no tapa com os fãs nesse vídeo de 1992.
O sonho de Stephen era contratar os Cramps para fazer uma música para um episódio, mas eles esbarravam num pequeno problema: o orçamento do desenho na época era mínimo, já que Bob Esponja ainda estava engatinhando na primeira temporada e ainda estava bem longe de ser o sucesso que é hoje. Envergonhada, a esposa de Stephen perguntou para Salt Peter se poderia fazer a canção de graça. E ele topou ajudar.
Animado, ele escreveu a letra rapidamente e pediu para Blag Dahlia fazer os vocais. Blag, como é fã de desenhos animados e sempre sonhou trabalhar na área, não pensou duas vezes. “Salt comentou que eles queriam um vocal que imitasse Lux Interior e eu respondi ‘Moleza! Já venho fazendo isso há anos mesmo!'”, disse nessa mesma entrevista.
Os dois gravaram a canção de forma precária em uma mesa de 4 canais, em menos de 30 minutos. E, algum tempo depois, o episódio com Doing the sponge foi ao ar. Talvez pelo inusitado, a música fez bem mais sucesso que o esperado, tanto que até hoje tem fã que pede para tocá-la nos shows. “É engraçado, passei mais de 30 anos no showbusiness e quase ninguém me conhecia, aí fiz um favor para um amigo e me tornei mais respeitado e admirado por isso do que por tudo que fiz antes”, contou Blag.
E olha a música aí.
E Blag Dahlia não foi o único. Quem também compôs uma música para o Bob Esponja foi o Ween. Intitulada Loop de loop, ela apareceu em um episódio da segunda temporada onde o caracol de estimação do querido personagem amarelo lhe ensinava a amarrar os sapatos(!!) e também se tornou presença garantida nos shows. A banda também não cobrou nada para fazer a canção, pois Stephen Hillenburg era muito fã deles e chegou a dizer em entrevistas que uma grande inspiração para fazer o desenho foi o álbum do Ween The mollusk. Eis a canção.
Por sinal, Ocean man, do The mollusk, foi usada em 2004 em Bob Esponja, o filme.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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