Jackson do Pandeiro no programa de Raul Gil, nos anos 1980

Se continuasse vivo, Jackson do Pandeiro teria feito sua primeira turnê internacional em setembro de 1982 – o fato é lembrado pela biografia O Rei do ritmo, de Fernando Moura e Antonio Vicente. Estava tudo marcado para que ele fizesse shows em Portugal naquele mês Não houve tempo: o cantor e compositor, que teria completado cem anos no fim de agosto, morreu em 10 de julho de 1982 em Brasília, no meio da turnê do último disco, Isso é que é forró, lançado um ano antes. É o da capa acima.

Naquela época, Jackson cuidava da saúde após ter tido um enfarte relâmpago no meio de um show no Nordeste. Voltou para continuar a apresentação, após alguns momentos de tontura. Em outra data, na noite seguinte, passou mal e não voltou para o palco. O compositor – que era diabético, fumava e comia comida gordurosa – foi atendido e as recomendações médicas: internação, descanso e nada de abusar da saúde.

Jackson não deu ouvidos e resolveu fazer mais uma data em Brasília. O show, programado para durar meia hora – justamente por causa dos problemas de saúde do artista – acabou chegando a uma hora. No dia seguinte, Jackson passou mal no aeroporto, na volta para o Rio, e foi internado. Morreria no Distrito Federal.

Pouco antes de morrer, Jackson do Pandeiro tinha algumas datas na TV para divulgar Isso é que é forró. Uma delas foi no programa que Raul Gil passou a apresentar no recém-criado SBT, a rede de televisão de Silvio Santos, a partir de 1981. Jackson foi lá e cantou dois dos hits do disco, Tem pouca diferença e Quem tem um, não tem nenhum. Raul passou quase dez minutos com o artista, dançou e cantou com ele no palco e apresentou até um pot-pourri de antigos sucessos de Jackson, como Sebastiana. Uma das raras imagens de Jackson divulgando sua música na TV pouco antes de morrer.