Cultura Pop
Drama Of Exile: o disco de Nico que rendeu uma baita confusão

Até que saísse Drama of exile (1981), primeiro disco de Nico lançado em sete anos, muitas situações dramáticas (sem trocadilho) rolariam. Para começar, durante boa parte dos anos 1970, Nico ficou afastada da música.
O livro The dead straight guide to The Velvet Underground and Lou Reed, de Peter Hogan, explica que em 1974, ela chegou a fazer uma tentativa de gravar um disco produzido por Lou Reed, a convite do próprio. Mas não aconteceu nada disso: o cantor, que a hospedou em seu apartamento, teria passado vários dias apenas humilhando e torturando psicologicamente a ex-colega de banda.
Nico fugiu de lá, se trancou num hotel e o acontecimento foi medonho o suficiente para que ela desistisse de tudo. Voltou a ser atriz, passou a trabalhar em filmes do francês Philippe Garrel, e virou a década penando ainda com o vício em heroína. Mas antes que os anos 1980 chegasse, de repente, no fim da década, a ex chanteuse do Velvet seria descoberta pelos punks novos. Nico voltaria a se apresentar ao vivo, faria shows em Londres abrindo para The Adverts e Siouxsie and The Banshees. Nem sempre as coisas corriam bem: às vezes, o público nem sequer sabia quem era ela e Nico era varrida do palco por cusparadas e latas de cerveja.
>>> Veja também no POP FANTASMA: A symphony of sound: o filme do Velvet Underground, em 1966
Em Paris, amigos como o fotógrafo Philippe Quilichini insistiriam para que Nico retornasse aos estúdios. O disco que sairia dessas sessões seria Drama of exile, feito a partir de um contrato com um selo local chamado Aura. O próprio Quilichini produziu e tocou guitarra no disco, ao lado de uma banda que incluía nomes como o baterista Steve Cordonna e o tecladista Andy Clark (que tocou em Scary monsters, disco de 1980 de David Bowie). Ainda haveria uma versão de Heroes, de David Bowie, além de Waiting for the man, do inimigo íntimo Lou Reed.
O problema é que… Bom, Drama of exile acabou gerando uma confusão dos diabos. Pra começar, existem duas versões do disco, lançadas em 1981 e 1983. Na época, rolou uma briga bem estranha e até hoje não explicada envolvendo Aaron Sixx, do selo Aura, e toda a equipe do disco. O fotógrafo Antoine Giacomoni, da turma de Nico, jurou que Aaron subornou Nico e o técnico de estúdio e roubou as fitas master (oi?).
Já Sixx diz que alguém do estúdio avisou a ele que Nadette Duget (empresária não-oficial de Nico) havia dado um jeito de roubar as fitas master do estúdio e fazer o disco sem reembolsar a gravadora. Percebendo o coió, foi lá e lançou o disco, alegando fraude. Seja como for, tanto Nadette quanto Quilichini morreriam pouco depois disso tudo num acidente de carro, a história se tornaria um emaranhado de fofocas e teria início uma batalha judicial (!) pelo disco.
>>> Veja também no POP FANTASMA: Nico lança o disco Desertshore na TV, em 1971
Contando parece brincadeira: um disco de uma cantora que nunca havia sido um enorme sucesso, mas que naquele momento virava motivo de discórdia. O resultado é que Nico entrou em estúdio e regravou seu próprio álbum, ainda com Duget e Qulichini vivos. Só que, para tornar tudo mais dramático, a Aura resolveu pegar uma primeira gravação inacabada do disco, prensar, embalar e soltar nas lojas em 1981. Olha aí o pós-punkaço disco de Nico em seu primeiro lançamento.
E olha aí a segunda versão, lançada em 1983 por um selo chamado Invisible Records. Essa edição saiu em tiragem limitada, e é considerada um disco melhor e mais bem resolvido que a gravação anterior. A capa, com esse N enorme, é uma homenagem a ninguém menos que o imperador Napoleão, que terminou sua vida no exílio. A nova edição corta uma faixa, Purple lips, e inclui Saeta e Vegas. O nome do disco ganhou um “the” acrescentado.
>>> Veja também no POP FANTASMA: Peanut Underground: Snoopy visita o Velvet Underground
A vida de Nico não estava nada fácil. A cantora vivia de canto em canto, e morava onde fosse mais fácil de arrumar heroína. Começou a fazer tratamento com metadona, sem muito sucesso, e a beber muito. Seja como for, sua música voltou a chamar a atenção, com shows em Londres (onde vivia) e no CBGBs, em Nova York, ainda que ela precisasse de (muita) ajuda. Mas Drama of exile virou lenda entre fãs e tornou-se uma (boa) obscuridade a ser descoberta.
E entre uma e outra versão de Drama of exile, Nico fez shows na Inglaterra em 1982. Uma playlist reúne algumas dessas apresentações.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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