Connect with us

Urgente

Sua playlist tem músicas criadas por IA? A Deezer quer mostrar

Published

on

Sua playlist tem músicas criadas por IA? A Deezer quer mostrar (Imagem: Alexander Shatov / Unsplash)

A inteligência artificial já está compondo, gravando e lançando músicas em escala industrial. E, pelo visto, muita gente nem percebe. A plataforma de streaming Deezer anunciou uma ferramenta gratuita que promete mostrar aos usuários se suas playlists incluem faixas criadas totalmente por inteligência artificial – mesmo que elas estejam hospedadas em outros serviços de streaming.

O detector online, lançado em 27 idiomas, funciona de maneira simples: o usuário conecta sua conta de streaming, deixa a plataforma analisar suas playlists e recebe um relatório indicando a presença (ou não) de músicas geradas por máquinas. A novidade surge num momento em que a discussão sobre transparência no streaming musical está cada vez mais quente.

A iniciativa vem apoiada por uma pesquisa realizada pela Deezer em parceria com a Ipsos, em oito países, incluindo o Brasil. Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados acreditam que músicas criadas integralmente por inteligência artificial deveriam ser identificadas de forma clara. Além disso, 73% gostariam de saber quando uma plataforma está recomendando esse tipo de conteúdo.

TESTE CEGO

O dado talvez mais impressionante seja outro: em um teste cego, 97% dos participantes não conseguiram distinguir uma música feita por IA de uma criada por seres humanos. Entre os brasileiros, o índice foi exatamente o mesmo.

Para Alexis Lanternier, CEO da Deezer, a ideia é ampliar uma política de transparência que a empresa vem adotando há mais de um ano. Segundo ele, quase metade dos usuários que chegam à plataforma vindos de outros serviços de streaming têm músicas geradas por IA em suas playlists sem necessariamente saber disso. “A grande maioria das pessoas quer saber se está recebendo recomendações desse tipo”, afirma.

No Brasil, Rodrigo Vicentini, gerente-geral da Deezer para a América Latina, afirma que a ferramenta pretende ajudar os usuários a entender melhor o que estão ouvindo. Segundo ele, oferecer mais transparência se torna cada vez mais importante à medida que conteúdos criados por inteligência artificial passam a ocupar espaço maior nas plataformas.

MUITA IA

A preocupação não é exatamente pequena. Atualmente, a Deezer afirma receber cerca de 75 mil músicas totalmente geradas por IA por dia. Isso representa mais de 44% de todos os uploads diários recebidos pela plataforma. Desde o início de 2025, a empresa diz ter identificado mais de 13,4 milhões de faixas desse tipo.

A plataforma também informa que remove músicas inteiramente produzidas por IA de seus sistemas de recomendação e de playlists editoriais. A justificativa é evitar que esse material interfira na distribuição de royalties para artistas humanos. Segundo a companhia, entre 1% e 3% das execuções totais da plataforma já vêm de músicas sintéticas — e boa parte delas estaria ligada a esquemas de fraude para geração artificial de streams.

A discussão vai além da simples identificação. Um estudo citado pela Deezer, realizado pela CISAC e pela PMP Strategy, estima que quase 25% da renda dos criadores musicais pode estar em risco até 2028 devido ao avanço da inteligência artificial generativa. Em valores, isso representaria cerca de 4 bilhões de euros.

SEM PROBLEMA?

Ao mesmo tempo, o público parece dividido. Se 73% dos brasileiros querem transparência sobre recomendações feitas por IA, 52% não veem problema em músicas criadas por máquinas disputarem espaço nas paradas ao lado de faixas feitas por artistas humanos. Só que parte desse grupo defenda que elas apareçam devidamente identificadas.

Curiosamente, o Brasil aparece como um dos países mais abertos à novidade: 65% dos entrevistados dizem ter curiosidade sobre músicas criadas por inteligência artificial e 76% afirmam já ter ouvido esse tipo de conteúdo ao menos por curiosidade.

A guerra entre músicos, plataformas, gravadoras e empresas de tecnologia ainda está longe de terminar. Mas, enfim, daqui para frente, saber se uma música foi feita por gente ou por algoritmos vai virar uma informação tão importante quanto saber o nome do artista.

Imagem: Alexander Shatov / Unsplash

Urgente

Irmãos Bicho: música, imagem e prédios escalados (!) em “Conversa de elevador”

Published

on

Irmãos Bicho - Foto: Mariana Barbosa / Divulgação

RESUMO: Clara Bicho e Gabriel Campos apresentam Conversa de elevador, single de estreia dos Irmãos Bicho que cruza indie pop, MPB e funk leve e antecipa o primeiro álbum da dupla, previsto para 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Mariana Barbosa / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Irmãos gêmeos que fizeram aniversário na última sexta (18), Clara Bicho e Gabriel Campos juntaram-se numa dupla, os Irmãos Bicho, em que participam de todas as etapas do próprio processo criativo — da composição aos arranjos, da identidade visual à comunicação, dos figurinos à direção artística. Foi o que fizeram em Conversa de elevador, single indie-pop que anuncia o primeiro álbum deles, previsto para 2027.

“Para nós, música, imagem e narrativa fazem parte da mesma obra. Propomos, portanto, uma experiência que vai além do som, envolvendo também um universo visual e narrativo bastante presente”, contam eles, que fizeram em Conversa de elevador uma canção tranquila, com lembranças tanto de Mac de Marco quanto de Lô Borges – e que vai ganhando um pouco mais de peso na segunda parte, quando a voz de Gabriel fica mas evidenciada no arranjo.

Bernardo Bauer, do grupo instrumental Pequeno Céu, e Felipe D’Angelo, integrante da última formação da banda de (olha aí, ó) Lô Borges, são os produtores de Conversa de elevador, canção que tem um clima funky leve, e cuja letra fala sobre uim tema bastante urbano: as “conversas de elevador”, superficiais e que não saem do rame-rame. Só que a dupla propõe outra coisa.

“A expressão ‘conversa de elevador’, normalmente usada para descrever conversas superficiais, ganha outro significado na nossa canção”, explicam. “O elevador sobe e desce, mas continua preso ao mesmo trajeto. O eu-lírico que propomos rejeita essa ideia de permanecer parado e decide, por meio dessa metáfora, escalar os prédios por conta própria, mesmo sabendo que isso envolve esforço, risco e quedas”.

A ideia da canção é desafiar tudo – até o espaço urbano, já que é pra sair subindo os prédios. Nisso aí, a questão de Clara e Gabriel é “qual o motor da sua vida?”. E Conversa de elevador tá aí.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Urgente

Talking Heads vai se reunir novamente (mas, calma, não é pra tocar!)

Published

on

Urgente!: Talking Heads no mistério. Lupe de Lupe na tristeza. Novas de Pavement e Haim.

RESUMO: Os quatro integrantes do Talking Heads voltam a se reunir – mas calma, é para lançar a Talking Heads Radio, canal temporário da SiriusXM dedicado à banda e aos projetos solo e paralelos de seus integrantes.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Os Talking Heads estão se reunindo novamente! Calma, nada de shows ou discos novos: a banda está pra lá de mais ou menos reunida, só que para lançar um novo canal na rádio SiriusXM. O novo canal, chamado Talking Heads Radio, estará no ar de 1º a 22 de outubro em rádios via satélite para carros e até 31 de outubro no aplicativo SiriusXM.

Aparentemente, esse canal aí vai tocar apenas músicas da banda e de seus diversos projetos paralelos e solos. Bom, é provável que No talking, just heads, o disco único do The Heads, banda montada por Jerry Harrison, Tina Weymouth e Chris Frantz sem David Byrne (1996), fique de fora. O álbum deixou o ex-líder Byrne puto a ponto de processar os outros três, alegando que o álbum e a apresentação da banda evocavam demais o grupo original.

Para o lançamento da estação, haverá uma conversa com os quatro integrantes e uma sessão de perguntas e respostas com a plateia, conduzida por Este Haim, que será gravada em Nova York no dia 28 de setembro. Pelo visto, os quatro, mesmo com as brigas que rolaram ao longo de vários anos, não veem problema em se encontrar de vez em quando. Tocar de novo é que não rola, pelo menos na visão de (adivinhe só) Byrne.

Em uma entrevista à Rolling Stone no ano passado, ele opinou que a cordialidade com seus ex-companheiros de banda em público para promover o relançamento do filme Stop making sense foi o máximo que conseguiram: “Nos sentíamos mais à vontade uns com os outros, mas… eu não sentia aquela vontade de ‘Ah, sim, vamos sair em turnê de novo’. Ou ‘Vamos gravar outro disco’. Musicalmente, eu fui para um lugar muito diferente”, diz.

“Também acho que houve um número razoável de discos e turnês de reunião. E alguns deles provavelmente foram muito bons. Mas não muitos. É praticamente impossível recapturar o momento que você estava vivendo naquela época. Para o público… aquela foi uma música formativa em um determinado período. Eles podem se convencer de que conseguem reviver aquilo, mas não conseguem”, disse.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Urgente

Lucia Vulcano lança “Animal”, punk rock sobre “retornar ao primitivo”

Published

on

RESUMO: Lucia Vulcano antecipa o álbum Chucra e sensível com Animal, faixa que mistura grunge, punk, riffs pesados e ironia para falar da vontade de escapar do trabalho, da exploração e das regras sociais.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Francielle Cota / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Não é por nada, não, mas se você amou a estreia da mineira Lucia Vulcano, Vim, vi e me fudi (2024), parece que vem um disco tão sarcástico e raivoso por aí. Em breve vem o álbum Chucra e sensível, já adiantado pelo single Animal, punk berrado em que Lucia fala “sobre a vontade de largar a civilidade e retornar ao primitivo, onde as coisas são mais fáceis e divertidas – e não existe trabalho, exploração e etc”.

A letra retoma um pouco do discurso de faixas do álbum anterior, como C.A.N.S.A.D.A e Ninguém manda em mim – ou seja: total aporrinhação com as regras do sistema e do capitalismo, além dos padrões cagados do mundo. Musicalmente, Lucia tem como referências Soundgarden, Black Sabbath, Alice in Chains, Hole e L7, misturadas a nomes contemporâneos como Trash No Star, Gritando HC, The Mönic, Roberta de Razão, MC Taya e Eskrota.

E a ideia é sempre juntar peso e ironia, na mesma proporção. “Acho que meu trabalho tem muita honestidade, crueza e sensibilidade também”, conta ela, que segue uma espécie de uniformidade “sensível” nas capas dos discos: Vim, vi e me fudi traz a foto de dois gatos, o single de Ninguém manda em mim tem Lucia à frente de um carrossel – e no de Animal, ela “contracena” com um ursão de pelúcia.

“Na parte musical, tem muita coisa interessante pois gosto muito de tempos quebrados, tem muitos compassos ímpares e mudanças de compasso durante as música. Gosto de pensar que é uma mistura de grunge e punk pois, às vezes, musicalmente, é muito grunge, mas com letras voltadas para o punk – e ainda tem músicas que tem a simplicidade do punk, com poucos acordes”, diz.

Animal, continua ela, “é uma continuação do meu estilo de ter riffs bem definidos e partes melódicas para contrastar, com bastante guitarra, barulhos, baixo melódico e uma bateria com quase um riff também”.

Olha Animal aí.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS