Cultura Pop
Discos de 1991 #9: “Metallica”, Metallica

No comecinho dos anos 1990, surgiu um reposicionamento do heavy metal no mercado. Em vez da luta entre metaleiros radicais e poseurs (ou entre “defensores do metal” e fãs da faceta glam do estilo), as mudanças no cenário permitiam que uma banda como o Sepultura ultrapassasse o New Order nas paradas. Também faziam com que astros do estilo musical passassem a ser presenças ainda mais marcantes nas capas das revistas comuns de música – e não só da Kerrang!. E as tais mudanças conseguiam fazer com que, finalmente, o Metallica caísse no gosto até mesmo de gente que jamais compraria um disco de som pesado.
O Metallica, como já apontou o biógrafo Mick Wall, sempre quis andar de limusine e não era o tipo de projeto artístico que se conformaria com o gueto metálico. Marcada desde o começo pelo contraste profissional entre seus dois líderes (o controlador James Hetfield e o intelectualizado Lars Ulrich), e por uma relação bastante passional com seu público, a banda vinha de um grande sucesso com … And justice for all (1989) mas não queria se repetir.
O material do epônimo Metallica (lançado em 12 de agosto de 1991) vinha bem mais leve, introspectivo e confessional, inspirado tanto pelas letras de artistas como John Lennon, quanto pela grandiloquência das baladas country. O clima nos bastidores contribuía para isso: a eterna luta de Hetfield contra o álcool, os divórcios de três integrantes do grupo, brigas dentro da banda (especialmente dos outros três com o desprestigiado Jason Newsted).
Hoje é quase impossível pensar no produtor Bob Rock sem pensar no Metallica e no trabalho que ele desenvolveu com eles. Mas o incrível é que inicialmente o grupo não o queria produzindo o disco. Lars tinha gostado do trabalho dele com o Mötley Crüe em Dr Feelgood, que vendeu como água em 1989. Após uma resistência inicial, James concordou. Já empossado no cargo, Bob impôs uma reengenharia radical: botou a banda para regravar várias músicas, decidiu que James faria vocais harmônicos, obrigou o vocalista a reescrever letras várias vezes.
Metallica (cujo título, além de reintroduzir a banda no mercado, põe o foco no “pessoal”) custou um milhão de dólares e foi remixado três vezes. No fim das contas, o disco foi estourando praticamente todas as suas faixas, uma atrás da outra, bem devagar – e até mesmo o que não saiu como single tocou em algumas rádios. Don’t tread on me, uma música “anti-guerra” (no entendimento de Hetfield) mas que causava confusão adotando um lema armamentista (o da Bandeira de Gadsden, que ganhava referência até mesmo na cascavel da capa do disco), foi um hit menor. Nothing else matters virou hit em rádios de teor bem mais pop ao qual o Metallica estava acostumado.
O Metallica saiu das gravações com um álbum vencedor (mais de dezesseis milhões de cópias nos Estados Unidos) e desencorajador (só lançariam disco novo em 1996, Load). Já Bob Rock deixou o estúdio dizendo que jamais produziria um álbum da banda novamente, por causa das brigas que rolaram em estúdio. Pagou a língua: fez todos os discos do Metallica até o criticadíssimo St. Anger, de 2003.
Outros discos de 1991 aqui.
Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.








































